Honestidade Contestada

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Com base num fato real escrevi esta crônica. Acho que é preciso criticar o sistema, exercer nosso direito/dever de cidadão.
Era Auditor Fiscal da Receita Federal e funcionário público federal. Esta é uma história longa e recheada de altos e baixos, como de resto é a vida, por isso idealizei escrever um livro sobre o tema.

Tinha 38 anos quando aconteceu. Passados dezoito anos do ato de posse, abriram um processo administrativo contra ele. No final isentaram-no de culpa. Porém, um grupo de insatisfeitos dentro da Receita Federal não quis ficar quieto, havia muita inveja e vingança no ar. O brilhantismo dele o alçara a Chefe de Seção. Isso acirrara os ânimos. O processo administrativo foi encaminhado pelo Procurador-Chefe da Fazenda Nacional ao Ministério Público Federal. Dado início ao processo judicial na Justiça Federal levou 6 meses sendo lido, estudado, esmiuçado, por uma jovem juíza federal de primeiro grau, estudiosa e conhecedora das filigranas do processo. O processo caminhava regular, enquanto a titular da Vara Federal estava em exercício. Nas férias da titular um jovem juiz a substituiu. Foi procurado por um dos Procuradores da Fazenda Nacional e decidiu pela condenação. Não se provou fraude ou recebimento de propina, mas sabidamente a manipulação e evasão de divisas.

O condenado havia contratado um advogado de fama nacional na área do Direito Administrativo, pagou regiamente seus polpudos honorários adiantado, mas foi o estagiário do escritório a defendê-lo. Um jovem e brilhante advogado, sem grande cabedal de experiência. Recém-formado na faculdade de Direito. Entrou com todos os recursos, seguindo seus cursos, e não houve procedimento, mecanismo, estatuto cautelar, tecnicidade, brecha ou pai-nosso que restasse em seu arsenal de medidas e procedimentos a obstar o prosseguimento do processo e ao final inocentá-lo.

Esta é uma história ficcional, baseada em um caso real, porém adaptada por respeito as partes. No entanto, um inocente (como no caso em tela) por vezes é envolvido numa teia de corrupção e sequer sabe encontrar o fio da meada para poder compor uma defesa, enquanto os verdadeiros cabeças se escondem sob seus mantos negros da impunidade, auxiliados por julgadores corruptos ou omissos, que sequer estudam o processo e esmiuçam o caso, para detetar a verdade dos fatos, e o processo segue um curso de uma total teratologia do Direito, chegando às barras do Supremo Tribunal Federal que, no mínimo, devia considerar nulo o processo desde o seu início. Contudo, isso não acontece, enquanto grandes corruptos são soltos ou protegidos por estratégias esdrúxulas criadas por seus advogados e aceitas pela Justiça.

Ana Luiza Beraba, fundadora da Film2B, se consolida na venda de direitos autorais de livros para o cinema e TV

Ana Luiza Beraba, fundadora da Film2B, se consolida na venda de direitos autorais de livros para o cinema e TV

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Ana Luiza Beraba, fundadora da Filme2B, se consolida na venda de direitos autorais de livros para o cinema e TV | © Facebook da agente

Em abril passado, quando a Globo colocou no ar a minissérie Liberdade, Liberdade, um fenômeno chamou a atenção do Estante Virtual, site que reúne e comercializa livros de sebos de todo o Brasil. O livro Joaquina, filha do Tiradentes, publicado originalmente em 1987 pela Marco Zero e depois reeditado, em 1999, pela Topbooks, teve um salto de 60% nas suas vendas. O livro já estava esgotado no fornecedor e ninguém se preocupou com uma nova edição ou reimpressão. Outro fenômeno semelhante, aconteceu com o livro O escaravelho do diabo, que integra a coleção Vaga-Lume, ressuscitada pela Ática no fim do ano passado. A versão cinematográfica, cuja estreia também aconteceu em abril, alavancou as vendas do livro. De acordo com a apuração da Nielsen, as vendas cresceram 50 vezes entre os dias 27 de março e 24 de abril, quando aconteceu a estreia do filme.

Foi acreditando muito no potencial dessa transposição de livros para o cinema que a historiadora e cineasta Ana Luiza Beraba criou, em 2013, a Film2B, agência especializada em vendas de direitos autorais de livros para o cinema e TV. “A literatura e o cinema são mercados que têm muita semelhança entre si, mas eles não se conversavam direito e um depende muito do outro. Percebi que existia aí uma ponte a ser construída”, disse Beraba ao PublishNews.

Desde o início de sua atuação, a Film2B fechou uma parceria com a Agência Riff. Com isso, toda e qualquer demanda que chega à agência de Lucia Riff é encaminhada à Film2B. “Essa parceria com a Agência Riff já está bastante consolidada. Nesses três anos, construímos modelos de negócios e uma metodologia de trabalho que permite uma parametrização das negociações e dos contratos”, comentou. Para isso, a Film2B se associou a Eduardo Senna, advogado especializado em Direitos Autorais. “Se antes levávamos meses negociando, agora, com esses parâmetros já estabelecidos, a negociação é muito mais rápida”, concluiu. A Film2B mantém contratos ainda com editoras como a Record, Companhia das Letras, Casa da Palavra, Intrínseca e Foz.

Beraba defende que o seu papel não é de representar nem o autor e nem a produtora. “Representamos os interesses do projeto. Lutamos pela sua viabilidade e ficamos no meio desse caminho para que seja uma coisa justa para os dois lados”, comentou.

“Três anos [tempo de existência da Film2B] é muito pouco tempo para um longa-metragem”, comentou Beraba. Apesar disso, nesse período, a Film2B já viabilizou uma série de produtos. No portfólio da empresa já tem séries de TV como Romance policial – Espinosa (2015), exibida pelo GNT e inspirada na obra de Luiz Alfredo Garcia-Roza; As Canalhas, que está na terceira temporada também pelo GNT, baseada no livro Canalha, substantivo feminino (Record), de Martha Mendonça; Amor veríssimo, também pela GNT, baseada na obra de Luís Fernando Veríssimo, e Por isso sou vingativa, veiculado pelo Multishow e inspirada no romance homônimo de Cláudia Tajes editado pela L&PM.

Para esses projetos, normalmente, a Film2B recebe uma demanda – seja diretamente do produtor interessado em um projeto específico, seja via seus parceiros –, repassa, negocia e vende os direitos. Mais recentemente, a agência começou a atuar de forma mais ativa nesse processo. “Temos conseguido ativar mais alguns títulos. Recebemos um livro e pensamos em qual produtor ou qual canal poderia se interessar por esses títulos”, explicou Beraba. Dentro desse novo modelo, a Film2B conseguiu criar um Núcleo Criativo, com apoio da Ancine (Agência Nacional do Cinema / MinC). Com isso, passou a desenvolver roteiros e criou uma rede de parcerias para que o projeto possa se viabilizar. Para o núcleo, Beraba trouxe para a Film2B Kiki Lavigne (ex-Sony Pictures e Conspiração Filmes), que coordena o núcleo, e Patrícia Andrade (Gonzaga e Dois Filhos de Francisco), para ser a roteirista chefe.