Você é a página de meu destino

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Você é a página mais linda que o destino escreveu na minha vida. Você é o sonho bom que a vida trouxe em suas asas, pousando dentro de meu coração.

Nosso amor é a flor que floresce incessantemente dentro de meu peito e o odor perfuma todo o ambiente quando seus olhos caem nos meus.

Quando o vejo ouço as canções de amor que vibram nas cordas do violino de meu coração e tenho medo que as pessoas ouçam esse imenso vibrar.

Sinto a impermanência do tempo quando encontro você e desejo intensamente parar o tempo para que esse momento se perpetue.

Minha alma canta ao ver você chegar, e o mundo todo desaparece com seu olhar no meu.

Meu amor por você tem todas as letras, palavras, pronúncias e sotaques de todas as línguas do mundo.

Creio que tudo nesta vida se renova, recomeça, tudo renasce. Por isso essa força que nos move em direção um do outro a cada vez mais neste e em outros dias e vidas que virão.

Somos a paz e a felicidade acontecendo a todo instante, e perdidos viveremos este amor infinito, sobrevoando o mundo e as vidas que ele traz.

Poema da esperança

um rosto de mulher

Viajo na esperança

Vejo almas que jazem, longo tempo
Na cor e no toque da doce esperança
No flutuar incansáveis da espera
Não permanecem submersas, mas densas.

Nessas vibrações permanecem inertes
Vou viajando nessas lembranças
Nas imagens tristes ou felizes aparentes
Movimentam seus retalhos de esperança.

Perco-me nos dramas alheios e os sinto
No fluir incessante desse meu sonho
Busco no recanto do coração um impulso
Até no aperto do coração quero a alegria.

O tempo ignora o impulso de suas paixões
A inteligência vive entre as provocações

Delirantes da saudade que as apavora
Entristecendo o meu querer de auxílio.

A Tempestade

Um-homem-sob-a-chuva

Lá fora o vento virou e o tempo esfriou, trazendo um céu cinzento e brumoso. Alexandre Nogueira Ramos revirava na cama. Culpou a indigestão pela sua insônia. Resolveu sair para a rua repleta de gente. Pessoas aparentemente indiferentes a sua passagem, mas ele tinha certeza que dentre elas estariam os homens que o perseguiam. A qualquer instante eles poderiam agarrá-lo, empurrando-o para uma viela e retirar dele todas as informações que não podia dar.

Aquilo se tornara uma constante. Cada vez que deitava sabia que iria acordar encharcado em suor, com o coração batendo descompassadamente e a respiração entrecortada. Era o terror de viver naquele suspense.

Sentou-se na cama, pegou o maço de cigarros automaticamente e acendeu um. Olhou o quarto demoradamente e a cabeça começou a latejar alucinada. Amassou o cigarro no cinzeiro e foi até o banheiro em busca de um comprimido.

Quando a dor cedeu avaliou a situação com clareza. Admitiu que havia sido inconsciente ao atender aquele pedido de Rodrigo. Qual era a importância de Rodrigo Steinbrock ser seu colega de escritório de advocacia, se não podia tirá-lo daquela situação escusa?

Recordava um tempo bom em que tudo parecia passar lenta e acalentadamente. Na época da primavera tudo havia sido diferente. Os problemas desapareciam e se era mais feliz. Nas manhãs primaveris peticionar era uma chama acesa a todo instante. Subia as venezianas e via o asfalto secar, sob o sol cálido, após as chuvas. Por que havia chegado o inverno? Frio e duro daquela forma? Uma tempestade fora e dentro dele?

Decidiu descer e comprar a edição matutina do jornal da cidade. A expressão de cansaço ainda estava estampada no rosto. Virou a esquina e entrou na banca de revistas. Olhou ao derredor e o medo diminuiu. A cidade dormia. Raros transeuntes passavam por ali e ninguém o observava como se fosse abordá-lo. Os pingos da chuva tamborilavam sobre seu guarda-chuva, a capa mal o resguardava do temporal. Apressou o passo.

Ele sabia o quanto tinha sido prudente e como as coisas haviam corrido mal, mesmo assim. Dedicara seu tempo ao seu trabalho e acreditava na ética que um colega deve ter com o outro, mas jamais imaginou que Rodrigo pudesse colocá-lo numa situação incerta e desonesta. Ainda bem que sua mulher havia entendido a situação, aceitado viajar para o interior do estado e ficar na companhia dos pais. Até aquele caso se resolver era o melhor a fazer. Ela havia chorado, sim, lembrava-se agora, mais por ele do que pelo dinheiro não entrando, após o afastamento do escritório de advocacia. Ele havia sido estúpido o suficiente para tomar aquela canoa furada, mas agora não era hora de lamúrias e sim de soluções. Tudo vinha como parte da luta contra a pobreza que ambos enfrentaram quando crianças. É um sentimento que nunca se vence. Carrega-se pela vida. Os dois não admitiam isso com clareza, antes do fato. Pensavam ser superiores às outras pessoas, porque haviam vencido aqueles tempos duros e transposto o portal da infelicidade financeira. Agora aqueles conceitos haviam se banalizado por completo. Era o momento de defender sua honradez.

Ao deixá-la na rodoviária, para a volta à pequena cidade interiorana, sentiu como se retornassem à parte mais triste de suas vidas. Era cedo ainda e caminhavam enroscados nas capas de chuva, inclusive, cada qual puxando os capuzes sobre os rostos, para não serem reconhecidos. Ela voltava para o ambiente pardacento da meia-água de madeira caiada, à beira do rio Tibagi, no município de Telêmaco Borba. Ele continuaria em Curitiba, porém não se sentia o vitorioso de antes. Era como se houvesse se afastado do centro do palco teatral e entrado novamente no picadeiro circense. Triste ser que sorri de sua própria desgraça.

Mal haviam ganhado uma bolada com aquela causa e Rodrigo os envolvera num caso de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Não sabia que a empresa sob sua defesa era mera fachada para lavar dinheiro sujo. Como explicar para a polícia que um advogado tinha sido envolvido e não prestara atenção em detalhes tão claros daquela situação. Era sócio de Rodrigo, mas não se preocupara em acompanhar suas causas. Apenas aceitava a procuração e deixava o caso sob a responsabilidade do outro. A ambição o cegara. Fora incapaz no uso do intelecto preparado para o raciocínio jurídico. Era tudo tão óbvio, agora. Bastava uma leitura dos documentos arquivados no escritório. Preferira a ingenuidade como parceira. Agora ele questionava sua inteligência.

Precisava decidir que caminho tomar. Procurar a polícia e confessar sua total estreiteza de raciocínio, provando com os documentos que guardava naquela pasta, e correr o risco de ser desacreditado, ou enfrentar os miseráveis que o haviam envolvido num conluio com eles. A segunda hipótese era fatal. Faria dele tão ou mais pérfido do que aquela gente. A primeira hipótese era o risco de ser preso e desacreditado. Mas ainda assim talvez o único caminho a ser encetado.

Caminhou de volta ao apartamento. Foi abordado na porta do prédio. Imaginou ser um dos “clientes”. Tarde demais, percebeu que era policial.

– Doutor! Bom dia. Sou o policial Neto e gostaria de solicitar uma ajuda sua, num caso que estamos estudando há algum tempo. – Olhou o policial e decidiu escutar tudo.

Ficou sabendo que eles queriam sua ajuda naquele caso, apesar de ele também ser procurador dos denunciados. Precisavam de alguém que os auxiliassem em maiores conhecimentos sobre os fatos. Perguntaram-lhe se não preferia ferir a ética profissional a ferir a Justiça.

Suspirou aliviado. Era o caminho que lhe restava.

Capítulo 1 do livro A CERTEZA

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A vida tinha tomado um rumo bem diverso de anos atrás. Após o falecimento da mãe ele voltou a se separar da segunda mulher. Havia ganhado um dinheiro na loteria na primeira vez que resolveu quebrar sua indiferença com aquele jogo. Aplicou todo o dinheiro de forma bastante diversificada e, com as ótimas dicas da Corretora, recebia um ganho como jamais imaginara ter com um emprego. Pagou todas as suas dívidas e resolveu a pensão das duas filhas. Ele agora podia vê-las a cada quinze dias, nos finais de semana. Mas, algo lhe faltava. Resolveu voltar a estudar. Fez faculdade de Administração, seguiu com o mestrado e já caminhava para seu término.

Estava saindo da Universidade quando a viu. O tempo só fizera bem a ela. Loura, alta, esguia, não envelhecera, apenas a expressão era de uma mulher madura e segura de si. Ficou estupefato ao sentir o estômago apertar como da primeira vez.

Ela seguiu seu caminho ser perceber a presença dele, parado, olhando-a, sem conseguir dar um passo sequer. O coração disparado. Começou a rir de si mesmo sem acreditar que naquela altura da vida ainda era capaz de sentir emoção tão intensa. Aliás, pensar em emoção fez Thales lembrar de um tempo em que embotou esse lado. Foi o tempo em que mais cometeu enganos na vida. Racionalizar tudo não foi o melhor caminho para uma vida saudável. Tinha muitas certezas na época. Perdeu muito tempo de alegria e espontaneidade tentando planificar tudo.

Voltou a caminhar em direção a seu apartamento. Quando abriu a porta sentiu o vazio lá dentro. Não atinava o porquê da sensação. A figura dela disparou em sua mente e ele teve a sensação que fora ela quem despertara nele o que sentia no momento.

Ouviu o telefone fixo tocar. Normalmente não gostava de atender, mas pensou num cliente inoportuno, já velho conhecido e bastante mão aberta para os negócios. Levantou o fone

— Alô.

— Uau! – comentou Jonathas -. Vi o seu descontrole quando Elizabeth passou do outro lado da rua. Thales imaginou-o levantando uma sobrancelha, tique especial do colega quando descobria alguma coisa interessante e que pudesse apelar em algum momento de negociação.  — Enquanto ela andava para subir na calçada você a devorava com o olhar.

— Hum. — grunhiu Thales.

— Não adianta negar meu caro, você se desconcertou de um jeito que não dava para não notar. Pode me chamar de abelhudo não me importa. Agora acho que você devia procurar por ela. Vou lhe dar uma chance. Ela está hospedada no Sheraton. Vai passar uns tempos aqui no Brasil e depois volta para Nova York. Sabia que agora ela é a presidente da empresa.

— Era só isso?

— Cara, você continua o mesmo. Não mudou nadinha. Nem ajuda você aceita.

— Exatamente.

A Escolha

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Histórias são como sonhos na mente da escritora, assim como as pessoas sonham, a escritora sonha e escreve. Claro que ao escrever ela espera criar uma bela história com um final surpreendente. Assim é a história de Helena Diniz. Uma mulher forte da maneira como se recordava da mãe, ao criar cinco filhos sem a presença do pai que morreu aos quarenta e oito ano. Deixou a ela uma escadinha de filhos, da mais velha com 13 anos até a mais nova, com 3 anos. Agora era ela a ter sob seu encargo apenas um filho e estava viúva desde os 23 anos. Lembrava do pai, sentado  na cama ao seu lado e de sua irmã mais velha, contanto histórias para que dormissem. Era assim que ela queria cuidar do filho e ver a boca curvada em um sorriso quando o garoto implorava por uma história.

  • Que tipo de história você quer? – perguntava.
  • A melhor de todas – respondia Marcelo.

Geralmente, ficava sentada por alguns minutos em silêncio, e seus olhos se iluminavam . Ela colocava cabeça de Marcelo no colo e, com um a voz suave, dava início alguma história, onde frequentavam seres fortes e bons de mundos exteriores. Isso deixava Marcelo voar acima da situação precária que viviam e sonhar ser um grande herói algum dia. Herói que as histórias da mãe sempre acabavam com a vitória do melhor. Quando Helena acabava a história o menino já estava com os olhos piscando e logo em seguida os fechava num sono tranquilo. O sorriso ainda bailava nos lábios. Eram doces momentos de amor.

Ela se levantava devagar, colocando a cabeça do filho no travesseiro e beijando-lhe a testa. Apagava a luz do quarto e saía silenciosa. Sempre havia aventura, perigos, ação e jornadas que aconteciam dentro das histórias de Helena Diniz ao seu filho, mas Marcelo Diniz Kravinski cresceu naquele apartamento quase no centro de Curitiba e celebrava a amizade e o amor materno dentro daquele lar.  Estranhou quando a mãe casou-se novamente. Ele esperava ter um pai, pelo menos era o que Henrique, o homem da vida dela, como dizia sempre, demonstrava que seria, ao longo da caminhada e da sua mocidade. Mas, as histórias nem sempre são como imaginamos na vida. Elas podem criar animais ferozes que nenhum herói consegue domar. Porém, Marcelo aceitou viver num outro apartamento, já com treze anos e pegar ônibus para a escola, antes apenas uma quadra de sua casa. Ficaram morando naquele apartamento com Henrique apenas quatro meses. A convivência ficou impossível, com a ex-mulher de Henrique criando vários fatos que o afastavam dela e fosse atender aos filhos, em especial o mais novo. A situação tornou-se insuportável. O homem com quem sonhou ter uma família havia se transformado num dos monstros de suas histórias e só havia ela de heroína para acabar com aquele monstro. A única solução foi a separação e Helena  e Marcelo foram para a casa de um tio, pois o apartamento deles havia sido alugado por um ano. Foram noites insuportáveis e seu choro abafado era ouvido por Marcelo. Ela não queria que ele participasse daquela dor, mas não havia contenção que pudesse evitar.

Ficaram na casa do tio apenas dois meses e tiveram que alugar outro apartamento para esperar que vencesse o prazo de aluguel do apartamento próprio. O dinheiro ficou curto, muitas vezes a luz foi cortada por falta de pagamento. Já não almoçavam em casa, apenas em pequenos restaurantes de prato feito. A paz antes tão doce e real tornara-se um sofrimento silencioso entre mãe e filho.

Assim, é a história de Helena. Uma história longa e recheada de altos e baixos, como de resto é a vida. A escolha fora dolorida, mas só valia viver e buscar a felicidade se o monstro criado por ela fosse totalmente esquartejado.

O tempo se esvaiu, o ano terminou e finalmente voltaram ao apartamento. A casa estava muito estragada pelos inquilinos. Foi preciso muita reforma e muito aperto financeiro, mas os dois estavam recomeçando a se recompor da dor imposta pela vida. Não, aquilo não tinha sido história, era a vida e ambos levaram essa lição para o resto do tempo. Nem sempre se pode confiar nas doces palavras de alguém. Somente convivendo se é possível conhecer, mas o aprendizado ficou.

Temos de nós o ar que respiramos

a pessoa que você gosta está se afastando

Preciso lhe dizer algo que me vai no coração. Eu não faço ideia de como anda sua vida, nem os planos que você fez e seguiu ou deixou de lado. Também não sei dizer como deve estar seu coração em relação a mim ou a tudo que lhe aconteceu neste tempo em que não nos vemos. Não tenho a mínima ideia de tudo que ocorreu em sua vida sem a minha presença. Não sei se em seu calendário consta a época em que estivemos juntos, ou que importância tive para sua vida nesse nosso longo tempo afastados. Sei apenas que o tempo existe, que passou e eu continuo a lembrar sua voz, seu olhar, seu sorriso, o primeiro beijo e os outros também.

Na verdade você foi meu primeiro amor, meu primeiro namorado, meu primeiro beijo na boca… e o gosto ficou até hoje. Depois… nos afastamos. Casei. Você casou. Enviuvei. Você se lamentou. A vida nos separou. Foi nosso primeiro desencontro. Mas a vida seguiu e nossos caminhos foram eternos desencontros. Quando nos encontrávamos estávamos com outros parceiros.

Não tenho a menor ideia das adversidades passadas por você, assim como você também não sabe das minhas. No entanto, lembro de cada momento em que nos encontramos pela vida, nossas mãos se tocaram no dia em que meus pacotes de presente de Natal caíram e alguém ajudou a pegá-los do chão. Quando ergui meus olhos, já arrepiada pelo toque, encontrei seu olhar no meu. Não sei se você me ajudou porque já sabia que era eu, ou foi solícito com alguém desconhecido.

Sabe, sua voz está tão entranhada em mim que aquela vez que uma aluna pediu para eu ligar ao chefe dela não me toquei. Eu liguei e ouvi você. Do outro lado estava você! Pensei sufocar. Tive ímpetos de lhe dizer: Eu ainda amo você. Mas, o racional foi mais assentado e meu marido estava do outro lado da sala. Você me convidou. Estava sozinho. Eu havia voltado para meu ex.  Senti um arrepio de amor e uma vontade louca de descobrir nós dois. Um repuxo de arrependimento, olhando para aquele com quem eu levava minha vida.

Não sei como é sua companheira de caminho. Imagino que a ame, mas gostaria muito de estar colada lá no fundo de sua alma, como você está na minha.

Espero que um dia você possa ler esta carta e, quem sabe, responder pela internet que alguém que você muito amou deixou o perfume de sua inocência dos nossos anos dourados impregnado no ar que respiramos juntos, porque apenas isso temos de nós.

A fala tola de uma idealista

precipicio

Tenho alma de artista. Escrevo para dizer o que sinto e, às vezes, até consigo subir no meu pódio solitário e do alto daquele palco sinto quão longe estou daqueles que amo e gostaria de dizer o que me vai dentro do peito.

Sonhei um Brasil melhor para estes novos tempos, no entanto, apesar de gritar para o mundo, ele pareceu deserto ao meu chamado.

Vamos de novo aos braços enganosos do PT, porque a direita não soube trazer a si seus amantes. Não há ouvidos que me escutem, posto que não ouviram ninguém.

Nem todas as bocas capazes de falar os altos tons universais conseguiram inundar os corações de amor pelo país.

É tudo tão rude neste mundo de aparências e mentiras inventadas para agradar os ouvidos tolos. O candidato tal não gosta de mulheres e gayz, o candidato tal não tem carisma para agradar o povo.

Percebo a vastidão do mundo dos que tem ouvidos e não querem ouvir, dos que tem olhos e não querem enxergar.

Há muito deixaram de acreditar no amor verdadeiro pelo país em que nasceram ou não sentem realmente o amor que dizem ter.

Mas, nós os poetas perdidos continuamos procurando solução.

Quando os sons saem pela boca a fala se mistura com o ardor e desconecta com os partidários surdos e cegos, mas que gritam aquilo de que nem sabem o que pode ser.

A tal ponto que confundem o poder com as palavras, as querências com os atos.

Eu que não sei do mundo. Acho que estão todos vendo por um espelho torto.

Eu … amante das palavras não consigo convencer que as trevas estão inundando, porque resulta em revolta das minhas palavras

Estão encantados com a música poderosa vinda do canto da sereia e seguem cegos e surdos o caminho da massa para o precipício, logo ali

Não consigo arriscar um pronome se quer.

Meu sujeito tornou-se verbo indefinido, fora da gramatica … sem rima, sem conceito, preso no próprio discurso que evita a derrota, mas percebe o caminho resvalando cada vez mais para o fundo.

Amanhã … quando a curva do tempo transformar esta língua em que falo em figuras nas trevas das cavernas já pintadas na história alcançarei a inutilidade real do que preguei.

E nesta imagem vazia vou devanear como uma tola na busca de qualquer coisa que importa agora, se é que existe o que importa.

A insanidade tomou conta do destino e o eterno desalento do povo será cuspido pela curva do tempo, que já não há mais o que fazer para voltar atrás.