UMA LINDA HISTÓRIA DE AMOR

um garoto e uma garota sentados num banco

              Elizabeth era uma garota simples que gostava de sair ao final da tarde. Ver o pôr do sol, a encantava e embalava seus sonhos de adolescente. Encontrar as amigas, após essa dose de emoção a fazia sorrir e espalhar alegria entre todas. Aquilo era rotina, elas se falavam todos os dias.

Ao sol se pôr Elizabeth se imaginava encontrando o garoto mais desejado da escola e nascia entre eles uma forte paixão. Era uma ilusão que chegava ao ponto de ela senti-lo ao seu lado.

Elizabeth estava com aquele ar imaginativo, quando as garotas chegaram e riram. Sabiam dos sonhos encantados da amiga.
_ Tá bom, você não quer acreditar, não acredite, mas não diz que não avisamos. Henrique terminou com aquela garota. Ele disse para o ficante da Ângela que está caído por uma garota muito quieta e estudiosa e acha que não tem chance com ela.

No caminho de casa Elizabeth deu de cara com Henrique, ele a cumprimentou:

              _Oi, como vai você?

 _Vou bem e você?

              _Tudo bem! Não, não fuja de mim. Por que sempre se comporta assim, quando me encontra? Que tal sentarmos ali no banco, de frente para o mar e tomarmos um sorvete. Juro que não vou machucá-la. Falou, Henrique, sorriso maroto e olhar dentro dos olhos dela.

Elizabeth espantou-se com o convite e muito mais com aquele sorriso. Seria ela a garota…?
_ A tarde está linda e logo vai anoitecer, quero curtir alguns momentos com a garota mais difícil da escola.

 Elizabeth não acreditava em seus ouvidos, mas se deixou ficar, enlevada com sonhos que viram realidade.

Falar de amor

É-PRECISO-FALAR-DE-AMOR

Sabe hoje decidi falar de amor. Quero falar de meu amor por você. Estou pronta para esquecer quem sou e pensar só em você. Porque você é o meu amor. Ultimamente respiro só você, por isso preciso falar de amor. Quero colocar o meu amor como um selo sobre o seu coração. Sei ser impossível, mas o que é mais impossível do amar do jeito assim. Falar das lágrimas derramadas, dos sonhos irrealizados. Você… Foi o encontro entre o meu maior desejo e a minha maior realização.

Você veio do nada, do céu, da terra, do mar, até mim como um belo pássaro através de inúmeros canais. Fez seu ninho em meu coração e ali plantou como dono. Quero que me veja em seus sonhos e me beije como sonhei. Quero ser o ar que você respira, a canção que você canta, os momentos mais belos em sua memória. Quero ser sua fantasia e sua realidade. Quero poder lhe dar um mundo de felicidade, alegria e paixão. Afinal somos um misto de poema e canção. Você é o sonho mais lindo e perfeito que sonhei, o sorriso que busquei, as doces palavras que li.

Você meu ponto de chegada e partida. Você se assentou em minha vida e se tornou o dono do meu coração. Nada mais posso fazer do lhe amar pra sempre.

utopia

Enquanto aflora no território nacional a expectativa de um novo rumo na governabilidade do País, que tem como meta principal anunciada combater a corrupção, exigir segurança, educação, saúde, e a afamada reforma política, dentre tantas outras requisições, chamadas de difusas pelos donos do poder, mas que sabem exatamente o que precisam fazer e não fazem. Porém, que não brinquem com a sociedade irmanada e empenhada nessa realização, seja o cidadão um político ou não, muitos colocam a ideia no arquivo da utopia. Claro que o princípio basilar é belo, porém há que se ressaltar pode resvalar realmente para a utopia. Os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário ficaram balançados, já não há o poderio impenetrável. O povo resolveu lembrar que é brasileiro e que o Brasil somos nós. Esta luta vai limitar as mazelas do povo brasileiro. Será árdua é bem verdade, e talvez por vezes arrefeça a força da unidade, mas tenho certeza de que o gigante levantou e disse basta!

A unidade da sociedade no direcionamento do bem comum e sua contribuição sistemática poderão ser o caminho para a extinção desse cancro denominado corrupção. Mas quem fará a Assembleia Constituinte? Partirá o movimento do governo? Quem se engajará na política em favor dessa unidade? Creio que chegou o momento de reformar princípios e ideias assentados de há muito nesse país, por gente que só encontra soluções para problemas pessoais e se esquece das múltiplas dificuldades nacionais. Diante da premissa inicial é que se deve partir para a “guerra” contra a corrupção, a falta de segurança, a melhoria na educação, o cuidado com a saúde, e tantos outros melancólicos legados de desonestidade e incúria que permeiam nossa sociedade.

Ora, da obra deverão ser evitados os sentimentalismos e partidarismos exagerados e inúteis, as neutralidades muito perigosas. É preciso ajudar a ideia, fazendo da inteligência, da ordem, da medida e da parcimônia amigos diletos e constantes.

O Brasil não é apenas composto de políticos, mas somos todos nós. Se quisermos continuar a falar em transformação da sociedade brasileira, temos que nos ater também ao engajamento social e não em razões eleitoreiras, posto que então continuaremos a insistir nas velhas e empoeiradas dissensões partidárias que tão somente despertam polêmicas inúteis e efêmeras. Os velhos estilos ruminadores que têm por hábito fazer nascer morta a melhor das ideias devem sim deixar de existir, para dar espaço ao novo, responsável e realmente intelectual político brasileiro. Aquele que irá tomar a si a missão que se propôs ao candidatar-se ao Executivo ou ao Legislativo, respondendo com eficácia aos anseios do povo.

Por outro lado, a sociedade para conseguir concretizar a sonhada utopia, deverá transformá-la de sonho a plano e seguir com gestos audazes, feitos por vezes de renúncias generosas de aspirações inapropriadas para o momento, como também fazer exercer cada um o seu papel de cidadão, permanecendo envolvido em iniciativas que levem ao bem comum. Somente assim, será verdadeira e possível a exterminação paulatina desse câncer, denominado corrupção e o Brasil poderá irromper num caminho de sucesso e seguranças financeira, educacional, sanitária e econômica.

Não se espere um passe de mágica. Os tempos dos salvadores da pátria eram outros. Parece-me que no Brasil não nos damos conta do quanto necessitamos ser ousados e não voltemos mais a ser alienados ou paternizados. O entusiasmo das manifestações não pode arrefecer, deve ser uma contínua, para que se possa conseguir concretizar, com a necessária energia, os sonhos idealizados. E, mais, é preciso lembrar que somos donos de um poder inalienável: o nosso voto. O caminho está apenas começando. As ideias deixam de ser utópicas quando lançamos nossos corações e nossos gestos na direção delas.

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Acalanto

O mundo tem aspectos que por vezes desconhecemos ou esquecemos. É uma ideia estranha pensar que podemos esquecer pequenas lembranças da infância, até o momento em que nos deparamos com uma realidade tão forte que nos transporta para aquele tempo.

Assim foi com Acalanto.

A realidade se instalou na minha frente. Observei aquele lugar e senti repulsa, num primeiro momento. Voltei para casa decidida a não trocar meu estado social por aquele local tão deprimente.

Há momentos em que a proteção sentida dentro do seu mundo é balançada e você fica exposta à fatalidade e imprevistos. Aquele era um deles.

Criei uma barreira, que me parecia intransponível. Mas a ponte fora lançada, eu precisava atravessá-la. Não havia volta naqueles tempos. Tudo me impulsionava para aquela aceitação.

Três meses depois lá estávamos, meu marido e eu, diante daquele pedaço de terra, cercados por vizinhos de poucas posses, vivendo a vida simples que me recordava a infância enterrada. Não tão enterrada, pois agora explodia diante do quadro que minha vista alcançava.

O terror se instalou até passar daquele estado ao êxtase. Foram emoções encadeadas pela fantasia de transformar aquele pedacinho de fim do mundo num paraíso.

Numa torrente de alegria lancei-me ao trabalho de limpar o terreno com a ajuda de um nativo. Enquanto ele capinava, deixando a terra nua, os tabletes de grama iam sendo assentados no terreno. O mestre-de-obras, contratado por baixo salário, paralelamente ia transformando a pequena casa de dois quartos em um belo e arejado chalé.

As treliças foram esmaltadas de branco, da cor das janelas de madeira e do teto, contrastando com o amarelo canário da casinhola, agora aconchegante e agradável. Os móveis, comprados numa feira própria, estavam sendo lixados e patinados. Os almofadados de um floral alegre recheavam os móveis de vime. Tudo cheirava a tinta fresca. O jardim à volta da casa também chegava ao seu final. Na entrada de duzentos metros, onde corria a ladeira até a casa, foram colocadas as palmeiras. Agora elas balouçavam suavemente à brisa da tarde e tudo convidava ao descanso e ao acalanto do colo materno. O nome surgiu assim, num repente.

A vida não pode ser encarada como um movimento de recuo – foi o que pensei – olhando para aquela paisagem. Estamos sempre caminhando em frente, descobrindo matizes dantes não revelados. Aquele era um matiz de minha vida. Sobreviver era preciso. Meu marido ainda se ressentia de ter sido despedido aos cinqüenta e dois anos de idade, sem eira nem beira, como gostava de repetir. A aposentadoria voara de suas mãos por alguns anos apenas. A rescisão salarial recebida fora toda usada para as reformas, esquecimento de lembranças desagradáveis e a transformação de Acalanto. O meu minguado salário de professora e o aluguel do belo apartamento na capital nos sustentariam. O ambiente não incitava gastos extras. Tudo seria medido dali em diante. Depois, era importante aquele presente que tornava a realidade mais palatável.

Os vizinhos foram se achegando devagar. Começamos a receber pessoas simples e o entrosamento foi sentido aos poucos. A vida interiorana invadiu nossos seres.

A brisa noturna do verão e o céu forrado de estrelas amainavam nossos espíritos, enquanto balançávamos nossos corpos molemente nas redes engastadas nas colunas do avarandado. Conversávamos, recordando passagens vividas. O convívio nos fez mais amigos e confidentes, conforme os dias e noites iam se desenrolando. Já não eram duas as redes. Apenas uma. Nossos corpos nus se ajustavam sob o céu estrelado. A sensualidade aguçada pelo clima tropical. Um encontro por inteiro.

Certo dia meu marido recebeu uma correspondência. Foi para um canto e ficou olhando fixo para o horizonte. Acompanhei o olhar e sondei o recorte da Serra do Mar. Esperei calma até que ele se decidisse falar.

– Recebi um convite para trabalhar em Curitiba.

– É mesmo…?

– Sim…

– Vai aceitar?

– Não sei ainda. Preciso pensar. – Afastou-se e seguiu para o bosque. Sentou-se naquele banco, onde gostava de meditar vez por outra, e ali ficou pela manhã toda.

Era a época das férias escolares e eu segui minha rotina cotidiana. Nada tinha pressa naquele lugar. Não seria eu a mudar aquilo, apenas me adaptara. No início havia sentido muita dificuldade. Agora, aquela angústia antiga não fazia sentido.

Eu o percebi ao meu lado.

– Acho que vamos voltar.

– Tem certeza?

– Tenho. Fui convidado para ser Diretor-Presidente de uma empresa em alta expansão. O salário é melhor do que o anterior. Preciso recomeçar. Retomar minha vida.

– Retomar sua vida?

-…Nossa vida, se prefere assim. Não há sentido continuarmos aqui se temos condições de voltar à vida anterior, aos velhos amigos. Foi um tempo de sossego, de férias, pelo menos para mim… – Olhou-me nos olhos e percebi a esperança brilhar, nos dele.

Aquiesci, sentindo uma dor profunda no peito. Teríamos que deixar Acalanto e tudo o quê ele havia significado para nós. …Ou para mim.

Os dias correram aparentemente calmos. A venda se concretizou. Voltamos a colocar nossas máscaras e o belo apartamento voltou a ser ocupado por nós, após o distrato do aluguel.

Os amigos de sempre, que voltaram com o retorno à situação econômica e social, viagens para a Europa, conversas sobre mazelas brasileiras indefinidas…

Acalanto ficou para trás. Uma bela lembrança, apenas. O tempo se encarregaria de torná-la apenas um borrão.

Era digital, o poder da comunicação

Era digital, o poder da comunicação

O-poder-da-comunicação

Na verdade percebo que a comunicação digital ou desperta paixão arrebatadora ou um ódio incomum. Não há meio termo. No entanto a aceleração do progresso tantas e tantas vezes decantada faz paralelo com a agressividade gerada por uma percentagem do público, que não aceita o progresso, de forma alguma. Sente a nostalgia de folhear revistas, jornais e livros. Porém numa rápida retrospectiva de inúmeras publicações a leitura em papel rapidamente vai se tornar coisa de museu, posto que estamos num processo sem volta.

Colocada assim, em toda sua brutal realidade, a assertiva pode receber uma resposta igualmente brutal: a mídia digital é capaz de qualquer coisa e incapaz de trazer informação consistente e séria. Ela provoca comportamentos, influencia atitudes, cria ideologias. Existe uma insistência em influenciar o público leitor para um preconceito digital acirrado contra os comunicadores da internet. Ocorre que a informação isoladamente não representa grande importância no universo da comunicação. Volatiliza-se rapidamente dada sua quantidade e fugacidade. Canalizada e organizada, entretanto, transforma-se em conhecimento, que na atualidade se tornou fator de superação de desigualdades, de inserção dos excluídos e de distribuição de riquezas, o que significa, em última análise, que informação é poder.

Agora, com as novas tecnologias conquistadas, esmerou-se ao máximo, sofisticou de tal modo a forma de se comunicar, que o homem vê completamente transformados seus hábitos e costumes. Em pouco tempo, a grande teia mundial modificou comportamentos, inovou a maneira de praticar o comércio, gerou uma nova cultura, redefiniu conceitos clássicos, e, acima de tudo, desenhou uma nova sociedade.

Inexorável em seu processo, a nova sociedade do conhecimento surgida com o fenômeno da globalização, encontra-se em processo de rápida expansão. Frente à dinâmica e à velocidade com que se expande, a sociedade contemporânea está inserida num processo de mudanças em que as novas tecnologias são as principais responsáveis, identificando-se um novo paradigma em formação de uma sociedade que se baseia num bem precioso, chamado informação. Dentro deste novo paradigma, a organização das sociedades se assenta num modo de desenvolvimento social e econômico, onde a informação, como meio de produção de conhecimento, tem como pressuposto a produção de riqueza e a contribuição para o bem estar e qualidade de vida das pessoas.

Eis a nova fronteira daquela que talvez seja a maior conquista humana, fruto de sua insaciável curiosidade: ter o poder da informação.

Portanto, se informação é poder, o poder se disputa. Por isso essa “xenofobia digital” que movimenta alguns, definindo como pobre a informação prestada pela zona da web e desaguada nos inúmeros equipamentos eletrônicos, hoje existentes, do que sobre aquela calcada na informação impressa. Nada demais, o mesmo ocorre dentro da sociedade como um todo. Podemos mapear a distribuição do poder em termos do controle político, por exemplo, que também se exerce pelo uso da informação, as empresas dominantes no mercado controlam mais informação do que as competidoras e os ricos são ricos também porque são mais informados do que os pobres.

Eis o conceito maior e mais importante da informação: poder dispor do conhecimento antecipada, instantânea e simultaneamente e, acima de tudo, com precisão.

Em tempos remotos, a informação que vinha através de mensageiros a cavalo, de trem, pelo correio, impressa, agora está à disposição, em instantes, no escritório, em casa, nos celulares, smartphones, nos tablets, nos i-phones, etc., bastando para isso alguns “clicks”.

Num rápido esboço histórico, constata-se que o homem, mesmo com todo o progresso conquistado em termos tecnológicos, continua o mesmo, sequioso pela manipulação do que mais lhe interessa: o poder. E, evidentemente, pela sua manutenção.