UMA LINDA HISTÓRIA DE AMOR

um garoto e uma garota sentados num banco

              Elizabeth era uma garota simples que gostava de sair ao final da tarde. Ver o pôr do sol, a encantava e embalava seus sonhos de adolescente. Encontrar as amigas, após essa dose de emoção a fazia sorrir e espalhar alegria entre todas. Aquilo era rotina, elas se falavam todos os dias.

Ao sol se pôr Elizabeth se imaginava encontrando o garoto mais desejado da escola e nascia entre eles uma forte paixão. Era uma ilusão que chegava ao ponto de ela senti-lo ao seu lado.

Elizabeth estava com aquele ar imaginativo, quando as garotas chegaram e riram. Sabiam dos sonhos encantados da amiga.
_ Tá bom, você não quer acreditar, não acredite, mas não diz que não avisamos. Henrique terminou com aquela garota. Ele disse para o ficante da Ângela que está caído por uma garota muito quieta e estudiosa e acha que não tem chance com ela.

No caminho de casa Elizabeth deu de cara com Henrique, ele a cumprimentou:

              _Oi, como vai você?

 _Vou bem e você?

              _Tudo bem! Não, não fuja de mim. Por que sempre se comporta assim, quando me encontra? Que tal sentarmos ali no banco, de frente para o mar e tomarmos um sorvete. Juro que não vou machucá-la. Falou, Henrique, sorriso maroto e olhar dentro dos olhos dela.

Elizabeth espantou-se com o convite e muito mais com aquele sorriso. Seria ela a garota…?
_ A tarde está linda e logo vai anoitecer, quero curtir alguns momentos com a garota mais difícil da escola.

 Elizabeth não acreditava em seus ouvidos, mas se deixou ficar, enlevada com sonhos que viram realidade.

 

leitora

As palavras bailam no cérebro, permeando o intelecto e integrando o imaginário. Somente colocadas no papel, ou agora na internet, com as minhas escusas a Johann Gutemberg, elas se transformam em realidade palpável, permitindo ao leitor se deleitar com o pensamento do escritor.

Sartre sugere em What is Literature? seja ela irritante, provocativa do leitor, para que ele próprio imagine seu término. Acredito, antes, deva ser ela instigante, para que o leitor venha a perseguir seu final e intuí-lo de variadas formas, recriando-o a seu bel prazer até que o autor o leve pela mão ao fecho que entende plausível.

Um livro que li outro dia afiançava que somente um leitor contumaz será capaz de descortinar a ciência, os mais altos saberes, as mais sólidas filosofias e religiões. Mas, a meu entender não basta apenas leitura. Há que se pensar sobre o que se lê. A consciência crítica do ser humano deve ser exercitada durante uma leitura. Seja o texto de reconhecido autor ou daquele que vive no obscurantismo.

Não vejo a leitura como exercício de antropofagismo, como o quer nosso poeta mineiro Murilo Mendes em seu dizer textual: “Quando eu não era antropófago – quando eu não devorava livros – … porque os livros não são feitos com a carne e o sangue daqueles que escrevem?”, filosofando Nietzche, que dizia só amar o que era escrito com sangue.

Também nessa linha temos nosso filósofo e pensador Rubem Alves, dizendo: “De modo que minha leitura é assim: vou devorando os meus autores e na medida em que isso acontece, eles são incorporados a mim. Chega um momento em que quando cito um escritor já não o estou citando, mas a mim mesmo!”

Não vejo dessa forma, com máxima vênia a esses gênios da literatura e filosofia.

Lendo com consciência crítica, as palavras de mestres e doutores virarão frases de amigos, como se todas as insondáveis vivências guardadas nas mentes e realizadas no papel se transformassem em confidências e conversas de velhos companheiros, capazes de despertar silêncios e reflexões, ou estimular análises contrárias, que clarearão verdades insondáveis.

A leitura deve fazer pensar, e o pensar deve levar ao exercício crítico. Somente esse caminho desaguará na melhor formação de um intelecto e o capacitará a decidir. Ainda aqui cito Nietzche, que dizia ser condição fundamental para a criatividade a riqueza em contradições internas. Ora, se o filósofo entende necessário o caos interior, para que o ser humano possa fazer conexões intelectuais insólitas, como aceitar submissamente as verdades de outras consciências, sem antes questioná-las?