Poema da esperança

um rosto de mulher

Viajo na esperança

Vejo almas que jazem, longo tempo
Na cor e no toque da doce esperança
No flutuar incansáveis da espera
Não permanecem submersas, mas densas.

Nessas vibrações permanecem inertes
Vou viajando nessas lembranças
Nas imagens tristes ou felizes aparentes
Movimentam seus retalhos de esperança.

Perco-me nos dramas alheios e os sinto
No fluir incessante desse meu sonho
Busco no recanto do coração um impulso
Até no aperto do coração quero a alegria.

O tempo ignora o impulso de suas paixões
A inteligência vive entre as provocações

Delirantes da saudade que as apavora
Entristecendo o meu querer de auxílio.

Nossa necessidade de pertencimento

um homem e uma mulher

Hoje eu gostaria de conversar com você sobre uma necessidade aparentemente muito simples do ser humano, a necessidade afetiva. Talvez você já tenha ouvido alguém falar sobre isso, ou até mesmo já tenham dito que você é uma pessoa carente. Só para deixar claro, tanto a famosa carência como a necessidade afetiva são a mesma coisa. Tudo bem até aqui? Então vamos lá.

Mas afinal o que seria a necessidade afetiva?

A necessidade afetiva ou de afeto, é a necessidade que temos de dar e receber o amor, de receber o carinho e a atenção das outras pessoas. Simples assim… precisamos sempre receber e dar esses sentimentos ao próximo.

Na nossa história evolutiva, nós podemos notar que o homem nem sempre deu atenção a essa necessidade. Claro, com tanta coisa ainda para ser suprida o homem não se preocupava muito com os sentimentos. Na verdade, a maior preocupação era mesmo em existir e garantir a existência da espécie.

Mas o homem foi mudando. O homem conquistou muito para garantir a sua existência. Porém, chegamos a um novo paradigma.

O que precisamos agora?

O homem já havia criado meios para garantir a existência, a sua segurança e procriação, então o que mais nos faltaria?

É aí que a coisa complica.

O homem começou a sentir novas necessidades. Necessidades que as vezes não sabemos muito bem definir. Mas no fundo sentimos que ainda falta algo.

O ser humano passou a sentir falta de ser feliz. Sentiu falta de viver uma alguma coisa a mais. Experimentar sensações novas e prazerosas. E o que seria mais prazeroso que viver o amor, viver uma paixão e sentir o carinho de alguém que nos queira bem?

Nem precisa me dizer que isso é subjetivo.

Cada pessoa tem a sua necessidade de oferecer e viver o afeto das pessoas que a rodeiam. Umas mais, outras menos, mas todas necessitam.

Mas às vezes sinto que a cada dia as pessoas têm mais dificuldades em expressar o que sentem. Chega a parecer que estamos perdendo as nossas habilidades em dizer ao próximo o que sentimos por eles. É possível observar que isso tem tomado uma proporção que nos faz sentir “estranhos” por expressarmos o que sentimos.

Pare e pense um pouco. Se é tão necessário para o homem viver o amor, por que às vezes as pessoas ficam sem jeito em presentear a pessoa amada com um buquê de flores? E por que isso é algo que está ficando raro?

Se precisamos do afeto, por que nós mesmos temos cada vez mais dificuldades em dizer ao outro o quanto ele é importante para nós?

Inclusive, quando foi a última vez que você disse a alguém o quanto essa pessoa é importante para você?

Posso notar que muitas pessoas acreditam que outras pessoas gostam delas, apenas pela forma a qual agem e não por já terem expressado isso. E é algo tão simples dizer: “você é legal, eu gosto de você!”.

Necessidade de afeto tem remédio.

Ainda bem que o remédio é algo muito gostoso e agradável de se tomar, cuja composição é o amor, o carinho e atenção…

Não espere que seu estoque de afeto termine para que você o preencha. Sugiro que corra e demonstre o que você sente pelas pessoas. Desde que você saiba aonde pisa, é claro.

Para não se frustrar, não espere muito o que as pessoas vão lhe responder. Contente-se apenas em ter tido a oportunidade de dizer o que sente por elas. Quem sabe a sua demonstração de afeto incentive a outra pessoa a expressar o que ela sente. Gosto de pensar que as pessoas que mais oferecem são as que mais recebem.

Você já se questionou sobre nossa necessidade de amor? Por que vivemos na busca de encontrar alguém que preencha nossas vidas? Dessa necessidade de ter alguém que nos complete? A vontade da segurança e proteção faz parte de todas as pessoas, até mesmo aquelas que negam tal fato. Sentir falta dessa ligação com o outro é de nossa essência. Como dizia Aristóteles “O homem é um animal social”.

É da natureza humana essa carência de ter ao seu lado alguém especial.

A necessidade de ser amado pelo outro vem da necessidade de se amar. Como as vezes não fazemos bem esse papel, o transferimos para uma outra pessoa.

Aristóteles fundamenta a tese que “o homem é um animal social” dizendo que a união entre os homens é natural, porque o homem é um ser naturalmente carente, que necessita de coisas e de outras pessoas para alcançar a sua plenitude. Aristóteles afirma:

“As primeiras uniões entre pessoas, oriundas de uma necessidade natural, são aquelas entre seres incapazes de existir um sem o outro, ou seja, a união da mulher e do homem para perpetuação da espécie (isto não é resultado de uma escolha, mas nas criaturas humanas, tal como nos outros animais e nas plantas, há um impulso natural no sentido de querer deixar depois de individuo um outro ser da mesma espécie).” (Política, I, 1252a e 1252b, 13-4). Essa é a opinião de Aristóteles.

Milhões de palavras foram gastas, ao longo dos séculos, para descrever os mistérios da paixão. Do matemático Blaise Pascal (“o coração tem razões que a própria razão desconhece”) ao físico Albert Einstein (“como a ciência poderia explicar um fenômeno tão importante como o amor?”), todas as maiores mentes da humanidade se declararam impotentes frente aos mistérios e caprichos da paixão. Elas estavam erradas. A ciência está começando a descobrir que existe, sim, lógica no amor. E, quem sabe, até uma fórmula. Matemáticos da Universidade de Genebra estudaram 1074 casamentos, analisando diversas características dos cônjuges, e chegaram a uma fórmula do que seria o par ideal – com maior taxa de felicidade e menor risco de separação. A mulher deve ser 5 anos mais jovem e 27% mais inteligente do que o homem (o ideal é que ela tenha um diploma universitário, e ele não). E é preciso experimentar bastante antes de decidir: uma análise feita pelos estatísticos John Gilbert e Frederick Mosteller, da Universidade Harvard, apontou que, se você se relacionar com 100 pessoas durante a vida, suas chances de encontrar o par ideal só chegam ao auge na 38ª relação. Faça tudo isso e você será premiado com 57% mais chance de ser feliz. Mas, se você achou essas condições meio sem sentido, ou no mínimo difíceis de seguir, acertou. As conclusões são puramente estatísticas, ou seja, projetam um cenário ideal e não levam em conta as decisões que as pessoas realmente tomam: praticamente todos os casais estudados pelos cientistas suíços (para ser mais exata, 99,81%) não viviam seguindo à risca a fórmula. Afinal, as pessoas não são equações. São uma pilha de neurotransmissores, hormônios – e experiências.

Imagine que você está numa festa. Muita gente interessante, troca de olhares, paquera. Na dança do acasalamento humano, os homens dão mais valor à beleza e à juventude – e as mulheres estão mais preocupadas com o nível socioeconômico do parceiro (sim, isso inclui dinheiro). Você provavelmente já sabe disso. É universal. “Num levantamento que fizemos com 10 mil pessoas, em 37 países, essas diferenças sempre se mantiveram – independentemente de local, habitat, sistema cultural ou tipo de casamento”, afirma o psicólogo evolutivo David Buss, da Universidade do Texas, em seu livro A Evolução do Desejo. O que você não sabe é que essa diferença não é um clichê sexista – tem uma explicação cerebral. Quando o homem olha uma foto de sua mulher ou namorada, sua atividade cerebral se concentra nas áreas de processamento visual – como a área fusiforme, que processa as imagens de rostos. Já quando a mulher vê o homem, aciona circuitos relacionados a memória, atenção, motivação e inteligência. Conclusão: para as mulheres, a beleza realmente não é o principal.

Ela é importante. Mas não é um objetivo em si; é um instrumento que a mulher usa para descobrir mais sobre o homem. Um estudo da Universidade de Michigan comprovou que, quando estão cogitando ficar ou ter um caso passageiro, as mulheres costumam preferir homens de traços bem marcados, masculinos. Mas, na hora de pensar numa relação séria, optam pelos que têm traços mais delicados. Isso acontece porque os homens de traços duros costumam ser saudáveis e passar genes de boa qualidade para os descendentes – e por isso são considerados instintivamente atraentes pela mulher. Mas eles também geralmente têm mais testosterona – hormônio que aumenta a propensão à violência e à infidelidade.

Pode parecer estranho, mas a primeira pergunta que gostaria de fazer e ouvir a resposta seria: Por que você precisa de alguém? Podemos ter respostas como: necessidade de carinho, necessidade de atenção e de ser ouvido, necessidade de mostrar aos outros (ou um determinado outro) que sou capaz disso, necessidade de ajuda, necessidade de segurança, necessidade de alguém para passar o tempo.

Imagine quanta demanda temos em ter alguém para nos dar carinho, atenção, ajuda, apoio, tempo e ainda possamos mostrar ao mundo tudo isso. Não seria muita expectativa para uma outra pessoa nos bastar?

Não vou falar nada muito diferente que os outros — acredito só com outra abordagem. Basicamente todos nós queremos de alguma forma ser amados e isso vem da nossa miopia coletiva de não percebemos o que realmente é o amor. Temos essa necessidade de buscar algo, que na verdade está dentro de nós a todo momento.

Capítulo 1 do livro A CERTEZA

para-capa

A vida tinha tomado um rumo bem diverso de anos atrás. Após o falecimento da mãe ele voltou a se separar da segunda mulher. Havia ganhado um dinheiro na loteria na primeira vez que resolveu quebrar sua indiferença com aquele jogo. Aplicou todo o dinheiro de forma bastante diversificada e, com as ótimas dicas da Corretora, recebia um ganho como jamais imaginara ter com um emprego. Pagou todas as suas dívidas e resolveu a pensão das duas filhas. Ele agora podia vê-las a cada quinze dias, nos finais de semana. Mas, algo lhe faltava. Resolveu voltar a estudar. Fez faculdade de Administração, seguiu com o mestrado e já caminhava para seu término.

Estava saindo da Universidade quando a viu. O tempo só fizera bem a ela. Loura, alta, esguia, não envelhecera, apenas a expressão era de uma mulher madura e segura de si. Ficou estupefato ao sentir o estômago apertar como da primeira vez.

Ela seguiu seu caminho ser perceber a presença dele, parado, olhando-a, sem conseguir dar um passo sequer. O coração disparado. Começou a rir de si mesmo sem acreditar que naquela altura da vida ainda era capaz de sentir emoção tão intensa. Aliás, pensar em emoção fez Thales lembrar de um tempo em que embotou esse lado. Foi o tempo em que mais cometeu enganos na vida. Racionalizar tudo não foi o melhor caminho para uma vida saudável. Tinha muitas certezas na época. Perdeu muito tempo de alegria e espontaneidade tentando planificar tudo.

Voltou a caminhar em direção a seu apartamento. Quando abriu a porta sentiu o vazio lá dentro. Não atinava o porquê da sensação. A figura dela disparou em sua mente e ele teve a sensação que fora ela quem despertara nele o que sentia no momento.

Ouviu o telefone fixo tocar. Normalmente não gostava de atender, mas pensou num cliente inoportuno, já velho conhecido e bastante mão aberta para os negócios. Levantou o fone

— Alô.

— Uau! – comentou Jonathas -. Vi o seu descontrole quando Elizabeth passou do outro lado da rua. Thales imaginou-o levantando uma sobrancelha, tique especial do colega quando descobria alguma coisa interessante e que pudesse apelar em algum momento de negociação.  — Enquanto ela andava para subir na calçada você a devorava com o olhar.

— Hum. — grunhiu Thales.

— Não adianta negar meu caro, você se desconcertou de um jeito que não dava para não notar. Pode me chamar de abelhudo não me importa. Agora acho que você devia procurar por ela. Vou lhe dar uma chance. Ela está hospedada no Sheraton. Vai passar uns tempos aqui no Brasil e depois volta para Nova York. Sabia que agora ela é a presidente da empresa.

— Era só isso?

— Cara, você continua o mesmo. Não mudou nadinha. Nem ajuda você aceita.

— Exatamente.

O homem dos sonhos

Amo você pelo que eu sou através dos seus olhos. Você me ama como se ama as estrelas, o infinito. Amo saber que eu posso parecer uma estrela. Mesmo sabendo que não sou, mesmo sabendo que é o seu amor quem me vê assim, sinto essa transformação em meu ser. Não sou tão generosa, nem tão bela e luminosa, como reluz no seu olhar. Mas o que importa o que penso de mim. O importante é saber o que você pensa de mim, porque assim eu acredito. Acreditando nessa beleza, torno-me melhor, sou tão especial quanto seu olhar é capaz de me enxergar. Transformo-me na pessoa madura, serena e segura que você tem tanta certeza que sou.

Você está iludido, mas consegue me iludir também. Ou seu amor me transformou, ou eu me transformei por você. O dom de não ver defeitos me faz gentil, consigo refrear meus tropeços. Seu jeito doce de me amar consegue fazer meus atos mais belos, mais honestos, tornou-me uma mulher de verdade.

Talvez você não me ame de verdade, talvez ame o amor, o sentimento, o envolvimento e não o objeto do seu amor. Talvez passe mais rápido para você e logo partirá em busca de um novo objeto de desejo. Não importa, este amor me fez melhor. Construiu, fortaleceu, desafiou meu sentimento. Na verdade ao contrário. Tenho certeza de que é amor. Um dia um amor de verdade me disse que “amor não é olhar para o outro, mas olhar na mesma direção”.

A simplicidade que extasia a alma é essa imensidão na essência do sentimento. Navego em seus braços e nessa ideia estupenda de ser amada, idolatrada. Foi o primeiro a conceber assim.

Se o homem é a essência do criador. Você é a essência da minha transformação. Sua alma é maiúscula. Suas qualidades sobrepujam qualquer ínfimo defeito, por que não o vejo, nenhum.

Você é o homem versado na arte de amar, falam do amor com delicadeza e revelando seu caráter na beleza das palavras e atos. Não precisa de autoafirmação, não grita aos quatro ventos sua virilidade jamais o ouvi falar mal de um ex-amor. Não transfigura suas mulheres em letras e verso que as reduzem e desvalorizam.

Tem olhos que vão além do que vê. Encontra o belo nos milímetros, no breve, no momento do toque, do afago. Enxerga múltiplas cores nos tons pardacentos, alvacentos e rosáceos dos corpos. Enxerta cenas de rara poesia nas coisas banais, cotidianas. Discorre sobre elas com cativante sensibilidade. Não quer só o tangível, mas busca o mais elevado, onde o toque se completa e sustenta.

Na verdade eu me apaixonei por você perdidamente!

mulher a beira marLIBERDADE

 

Liberdade, liberdade

tão procurada, decantada.

Onde te escondes insana?

Mãe dos desesperados.

Liberdade, liberdade

tão tolhida, esmagada.

Em que espaços andarás

tão deturpadas estás.

Liberdade, liberdade

tão esperada, chamada.

Não fujas das gentes,

que te clamam em prantos.

Liberdade, liberdade

tão poetizada, desgastada.

Abram o peito seres viventes

A liberdade está enterrada.

Busquem no íntimo, seres carentes

No âmago escondido, covarde.

 

Apenas um passe!

— Aí está —

Liberdade!