A importância da leitura em nossa vida

silvia biobrafia

Ler para compreender.

Vivemos na era em que para nos inserir no mundo profissional devemos portar de boa formação e informação. Nada melhor para obtê-las do que sendo leitor assíduo, quem pratica a leitura está fazendo o mesmo com a consciência, o raciocínio e a visão crítica.

A leitura tem a capacidade de influenciar nosso modo de agir, pensar e falar.

Com a sua prática frequente, tudo isso é expresso de forma clara e objetiva.

Pessoas que não possuem esse hábito ficam presas a gestos e formas rudimentares de comunicação, deixam-se ludibriar com facilidade.

Isso tudo é comprovado por meio de pesquisas as quais revelam que, na maioria dos casos, pessoas com ativa participação no mundo das palavras possuem um bom acervo léxico e, por isso, entram mais fácil no mercado de trabalho ocupando cargos de diretoria, além de exercitar sua mente para ver o que parece obscuro.

Porém, conter um bom vocabulário não se torna o único meio de “vencer na vida”. É preciso ler e compreender para poder opinar, criticar e modificar situações.

Diante de tudo isso, sabe-se que o mundo da leitura pode transformar,  enriquecer cultural e socialmente o ser humano e, consequentemente uma nação. Não podemos compreender e sermos compreendidos sem sabermos utilizar a comunicação de forma correta e, portanto, torna-se indispensável a intimidade com a leitura. A leitura abre horizontes na mente insone dos não leitores.

Ler para compreender.

Para Monteiro Lobato um país se faz de homens e livros, para os governantes diferente não poderia ser. O papel da leitura na formação de um indivíduo é de notória importância. Basta-nos observar a relevância da escrita até mesmo na marcação histórica do homem, que destaca, por tal motivo, a pré-história.

Em uma esfera mais prática, pode-se perceber que nenhum grande pensador fez-se uma exceção e não deixou seu legado através da escrita, dos seus livros, das anotações. Exemplos não são escassos: de Aristóteles a Nietzsche, de Newton a Ohm, sejam pergaminhos fossilizados ou produções da imprensa de Gutemberg, muito devemos a esses escritos. Desta forma, iniciarmos o nosso processo de transformação adquirindo tamanha produção intelectual que nos é disponibilizada.

A aquisição de idéias pelo ser humano apresenta um grande efeito colateral: a reflexão. A leitura é capaz de nos oferecer o poder de questionar, sendo a mesma frequente em nossas vidas. Outrossim, é impossível que a nossa visão do mundo ao redor não se modifique com essa capacidade adquirida.

Embora a questão e a dúvida sejam de extrema importância a um ser pensante, precisam ter um curto prazo de validade. A necessidade de resposta nos é intrínseca e gera novas idéias, fechando, assim, um círculo vicioso, o qual nos integra e nunca terminamos de transformar e sermos transformados.

A leitura é a base para o desenvolvimento e a integração na sociedade e na vida, porquanto viver não é apenas respirar. Se Descartes estiver certo, é preciso pensar. Pensando, poderemos mudar o quadro negro do país e construir o Brasil de Monteiro Lobato. Um país de homens com idéias excepcionais o bastante para consertar o desconserto que vem a passos largos retirando riquezas de nosso país. O Brasil bem administrado, por homens cultos e letrados será o país do agora, o país rico, posto que retira de seu campo de ação a desonestidade que vem açambarcando nossas riquezas desde tempos além. A inteligência desenvolvida pela leitura dará a população compreensão do quanto podemos estar perdendo riquezas. Quanto aos homens públicos saberão eles como dizimar tais escapes sob os olhos da ingenuidade que espraia a todos que não tiveram a disponibilidade de se capacitar através da leitura e abrir seus horizontes mentais para tais pilhagem em todas as áreas. Não necessitaremos de uma Lava Jato para descobrir o mínimo, mas de consciência e cidadania para enxergar o real e o máximo que o Brasil tem da desnecessidade de ter pobreza em seu território. Somente a leitura capacitará o brasileiro para fazer de seu país uma nação forte e destemida, usando o que seu solo disponibiliza e impedindo a pilhagem de terceiros sob olhos ingênuos da maioria ou desonestos de muitos .

Seus pensamentos encontram os de outros

escrever-e-facil

Quem escreve seus pensamentos é como dar de si beijos e abraços; quem os lê não recebe alguma coisa, mas alguém.

É importante certa dose de orgulho, pois este é um ingrediente útil para a doação de quem escreve.

Existe uma dose grande de humildade para quem lê, porque este é um ingrediente importante para receber pensamentos de outrem.

O amor-próprio é necessário para aquele que coloca seus pensamentos na folha branca. Significa dignidade, estima e respeito por si mesmo e pelo próximo.

Somente um sentimento de estima e respeito faz a sintonia entre o escritor e o leitor. Mas, a honestidade nas ações e emoções, ao escrever, cria um liame de amor indissolúvel.

 O amor-próprio procura ter inteligência emocional no  controle exato de suas ações e emoções. É consciente de seu dever de doar.

Há quem diga que o amor-próprio é egoísta, individualista, uma espécie de egocentrismo. Discordo! O amor-próprio é a mais pura forma de compartilhar e trocar! É uma dádiva para o mundo como um todo! Por meio dele acessamos o verdadeiro amor ao próximo.

assinatura-sylvia-regina-pellegrino

 

leitora

As palavras bailam no cérebro, permeando o intelecto e integrando o imaginário. Somente colocadas no papel, ou agora na internet, com as minhas escusas a Johann Gutemberg, elas se transformam em realidade palpável, permitindo ao leitor se deleitar com o pensamento do escritor.

Sartre sugere em What is Literature? seja ela irritante, provocativa do leitor, para que ele próprio imagine seu término. Acredito, antes, deva ser ela instigante, para que o leitor venha a perseguir seu final e intuí-lo de variadas formas, recriando-o a seu bel prazer até que o autor o leve pela mão ao fecho que entende plausível.

Um livro que li outro dia afiançava que somente um leitor contumaz será capaz de descortinar a ciência, os mais altos saberes, as mais sólidas filosofias e religiões. Mas, a meu entender não basta apenas leitura. Há que se pensar sobre o que se lê. A consciência crítica do ser humano deve ser exercitada durante uma leitura. Seja o texto de reconhecido autor ou daquele que vive no obscurantismo.

Não vejo a leitura como exercício de antropofagismo, como o quer nosso poeta mineiro Murilo Mendes em seu dizer textual: “Quando eu não era antropófago – quando eu não devorava livros – … porque os livros não são feitos com a carne e o sangue daqueles que escrevem?”, filosofando Nietzche, que dizia só amar o que era escrito com sangue.

Também nessa linha temos nosso filósofo e pensador Rubem Alves, dizendo: “De modo que minha leitura é assim: vou devorando os meus autores e na medida em que isso acontece, eles são incorporados a mim. Chega um momento em que quando cito um escritor já não o estou citando, mas a mim mesmo!”

Não vejo dessa forma, com máxima vênia a esses gênios da literatura e filosofia.

Lendo com consciência crítica, as palavras de mestres e doutores virarão frases de amigos, como se todas as insondáveis vivências guardadas nas mentes e realizadas no papel se transformassem em confidências e conversas de velhos companheiros, capazes de despertar silêncios e reflexões, ou estimular análises contrárias, que clarearão verdades insondáveis.

A leitura deve fazer pensar, e o pensar deve levar ao exercício crítico. Somente esse caminho desaguará na melhor formação de um intelecto e o capacitará a decidir. Ainda aqui cito Nietzche, que dizia ser condição fundamental para a criatividade a riqueza em contradições internas. Ora, se o filósofo entende necessário o caos interior, para que o ser humano possa fazer conexões intelectuais insólitas, como aceitar submissamente as verdades de outras consciências, sem antes questioná-las?