TRABALHE SUA ESPIRITUALIDADE.

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Para além do entendimento intelectual precisamos trabalhar nossa espiritualidade.

Nós, pessoas da chamada era digital, inegavelmente somos herdeiros de uma série de conquistas tecnológicas, temos acompanhado, por outro lado, um empobrecimento do repertório das coisas místicas com as quais a humanidade manteve contato há milênios. É pena! Temos desdenhado de uma das mais vibrantes possibilidades de aprofundamento do nosso olhar para tudo aquilo que se mostra misterioso.

Somos gente, em geral, afastada das perspectivas espirituais da existência, que nos parecem, muito mais do que pareciam para nossos antepassados, enigmas insondáveis. Se algo caracteriza os últimos duzentos anos, trata-se de uma perda significativa da força do Arquiteto do Universo em nossas experiências terrenas.

Trocamos a capacidade de transcendência pelo progresso material. Iluminamos cada um dos mais recônditos cantinhos da vida, não deixamos nenhum lugarzinho esquecido, todos foram inundados pela luz da razão que, onipresente, incomoda, cansa, ofusca e chega a desesperar. Não é estranho que algumas das sensibilidades mais puras levantem a voz e indiquem o problema: igualamos demais nossos compromissos, abrimos mão de enorme parcela de liberdade e capacidade de experimentar diferenças.

Às vezes é difícil viver sem escapatória, sem fuga, sempre sob holofotes que não descansam, embaixo de um sol eternamente a pino, num mundo que perdeu todo o seu sombreado poético ou sensível, absolutamente controlado e explicado por especialistas radiantes que, para nossa surpresa (e deles mesmos), muitas vezes, não especializam nada – cometem enganos, se equivocam, nos atrapalham, geram confusão.

Nesse mundo atapetado por inteiro de conhecimentos indiscutíveis, como sensitiva que sou, percebo que precisamos respeitar novamente as duas moradas do homem: a mente e o coração (alma). Olhando ao redor compreendo um dos desafios de nossa época, dar vazão às coisas do espírito, equilibrar funções emocionais, ordenar os afetos.

Nosso tempo avançou longe demais pela trilha da mente. Vivemos no exagero das opções de vida voltadas para a razão. Agora é tempo de valorizar o oposto complementar, os movimentos do coração, parte indispensável se nossa proposta for contemplar, compreender e reverenciar o equilíbrio pleno da nossa existência no planeta Terra.

Para além do entendimento intelectual, precisamos permitir que o abraço do mundo nos envolva, suave, reconfortante, alcançando nossa alma. Ultrapassar as coisas do juízo para permitir que verdadeira sabedoria se instale, fonte cristalina para as mais elevadas aspirações do ser humano. Este é o caminho da evolução em busca do que realmente somos, além de um pedaço de carne, que nasce, vive e morre.

Raciocinemos um pouco mais demoradamente sobre a lei de Lavoisier: “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Ora, vamos nos transformar em quê, se nem ao menos experienciamos o melhor de nós, enquanto no caminho do aprendizado?

           jean-paul-sartre Sou uma aficionada em Jean Paul Sartre. Sua literatura impregnada de reflexões filosóficas tanto quanto sua obra filosófica me embebeda a alma e causa efeitos literários.

            Este novelista, ensaísta e dramaturgo francês contemporâneo, nascido em 21 de junho de 1905e falecido em 15 de abril de 1980, denominado Jean-Paul Sartre, presenteou este mundo com obras de rara beleza. Quem leu a novela A Náusea?

Antes de adentrar pelos meandros da filosofia vou com ele em seu tratado técnico sobre a imaginação. Minha mente se encanta profundamente, trazendo luz a inteligência com a série de contos condensados sobre o nome de O Muro.

            Após essa viagem na literatura, ele me invade o campo da filosofia com o belo tratado A Imaginação e A Transcendência do Ego..

            Nada impede que esse filósofo de escol escreva dramas do quilate de Les Mouches (As Moscas) e Huis Clos (Entre quatro paredes). Entre ambos ainda se volta para a metafísica doando ao mundo O Ser e o Nada.

            Os escritos, porém, que o lançaram ao conhecimento público foram L’Age de La Raison ( A idade da razão) e Le Sursis (Sursis), exatamente na época em que circulavam estudos psicológicos sobre o anti-semitismo, Baudelaire, o materialismo e a revolução.

            Muitas obras foram escritas por Sartre e que merecem reconhecimento como é o caso de Qu’est ce que la littérature? (O que é a literatura?), La Porte Fermée, La Prostituée Respectueux, Les Morts Sans Sépulture.

            Porém, por reconhecimento e justiça deve ser destacada a obra O Existencialismo e o Humanismo, que fizeram desse escritor e filósofo um destacado representante do movimento literário que se resolveu denominar de existencialismo.

            Inobstante essa corrente de pensamento haver sido iniciada por Sören Kierkegaard, filósofo dinamarquês, Sartre distinguiu-se como seu mais influente propalador. Para ele o objeto próprio da reflexão filosófica é o homem e sua existência concreta, daí o “ser no mundo”. O homem para o existencialismo é o arquiteto de sua própria vida, o construtor de seu destino, embora limitado à sua existência concreta. O homem, condenado à liberdade, perde sua essência abstrata e universal.

            O virtuosismo intelectual de Sartre permitiu-lhe navegar pela natureza do homem sob a ótica filosófica, sem, contudo perder a beleza e a estética literárias.

            Deixo hoje patente o meu obrigada a esse intelectual pelo legado deixado a este nosso mundo, hoje tão tumultuado.

Se mais soubéssemos imaginar e criar, sem destruir o que de bom outros já nos presentearam, com certeza, este planeta azul seria muito melhor.