A diferença entre solidariedade e caridade

caridade amor em acao

É muito comum confundirmos caridade com solidariedade social. Quando falamos em caridade, logo nos vem à mente a doação de bens materiais de uma forma individual ou coletiva.

Mas, sermos solidários não é o mesmo que sermos caridosos. A solidariedade é um estímulo, uma maneira maravilhosa de expressão do bem, para tornar o ambiente em que vivemos um local menos desigual, socialmente falando. Já a caridade, vai além… A caridade vem de dentro e, normalmente, é invisível perante os olhos da sociedade.

Às vezes não é nem perceptível para quem já a faz de maneira natural, e imperceptível também, apesar de muito trabalhosa, para aqueles que a fazem em silêncio, no árduo processo de reforma íntima.

Caridade é gentileza, é sorrir num simples bom dia, boa tarde ou boa noite, mesmo que a gente se sinta péssimo por dentro, por não querermos contagiar negativamente os outros com nossos problemas; é ficarmos quietos quando tivermos vontade de retrucar uma ofensa; é sentirmos compaixão ao invés de raiva; é não falarmos mal da vida alheia, mesmo quando a “língua coçar”, é conseguirmos fazer a fofoca morrer em nós; é elogiar ao invés de julgar ou simplesmente não falar quando não há nada bom a dizer; é ter sensibilidade; é não disseminar discórdia e sim harmonia; é não matar sonhos alheios, é enxergar o bem sempre, mesmo quando ele estiver bastante escondido; é conseguir reparar os próprios erros e perdoar os erros pelos outros cometidos.

A solidariedade modifica o ambiente exterior, tornando o mundo um lugar melhor para viver, mas não deve ser confundida com caridade, que é uma modificação do universo interior refletida em singelos gestos cotidianos, que não espera recompensas (nem divina), nem agradecimentos. Caridade é simplesmente aceitar as pessoas como elas são, é fazer prevalecer a razão quando o instinto falar alto, é carinho (“tocar o mundo do outro com respeito”), é olhar com os olhos da alma, sem interferência do próprio ego. É desde sorrir de uma piada sem graça para dar a graça, até se afastar de quem ama para libertar. Caridade não é doar o que tem, é se doar… Caridade é amar.

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Sempre apreciei a Filosofia. Agora que estou no caminho da Literatura me ative a pesquisar uma relação próxima entre filosofia e literatura na longa trajetória intelectual do ocidente. A proximidade dos dois saberes em nosso país não trouxe contribuição significativa ao pensar filosófico e à teoria literária.

Filosofia e literatura têm diferenças e semelhanças. Ambas usam a linguagem para comunicar algo a outrem. Na Filosofia, o principal objetivo é expressar conceitos, ideias. Na literatura, existe a narrativa, isto é, o ato de contar uma história.

Porém, a diferença entre uma obra literária e uma filosófica me parece mais sutil do que pode saltar à primeira vista. Em Os diálogos de Platão, por exemplo, poderiam muito bem ser enquadrados nas duas categorias – literatura e filosofia.

Ninguém dirá que Kant foi um literato – no sentido de que seu texto tem elegância e estilo dos grandes escritores. Quando li “A Norma” de Kant, na época da Faculdade de Direito, fiquei tão encantada que tive ímpetos de não devolver o livro, aquele imenso livro que me tocou o coração. Mas o que dizer de Nietzsche? Poemas e aforismos, tão frequentemente empregados pelo autor de Zaratustra, são formas literárias.

Rousseau como o autor do romance de sucesso na época: A bela Heloísa. Sartre tornou-se conhecido não apenas por sua filosofia, mas também pelos seus romances. E poucos escritores são tão filosóficos como Thomas Mann e Machado de Assis.

A Filosofia, como diz Wittgenstein, deve “tornar claros e delimitar precisamente os pensamentos, antes como que turvos e indistintos”. Nem sempre a literatura é assim: basta ler autores obscuros como Joyce para comprovar.

Para alguns, os textos filosóficos são obscuros e de interpretação difícil. Isso pode até ser verdade em alguns casos. Não foi o meu caso, desde que me entendi como leitora de filosofia descobri um mundo em que me senti perfeitamente inserida. A filosofia jurídica foi para mim um mar de harmonia onde podia flutuar feliz. Jamais senti dificuldade em entendê-la, pelo contrário, ela me fez entender o Direito e a sua profundidade em nosso meio social. Na maioria das vezes, o que ocorre com alguns é que uma obra filosófica é lida apressadamente, sem que o leitor tenha o devido preparo para compreendê-la. A Ética de Spinoza, por exemplo, é uma leitura extremamente árida à primeira vista. Mas se compreendermos a estrutura da obra, percebemos o quanto é genial.

Aqui encontramos uma diferença fundamental entre filosofia e literatura: não se lê uma obra filosófica da maneira como se lê um romance. É preciso voltar no texto, ir aos comentadores, comparar o que é dito em um trecho com o que é dito em outro, verificar a repercussão que as ideias filosóficas tiveram na época em que foram propostas e nas gerações posteriores. Geralmente, não se faz isso durante a leitura de um romance, conto ou poema. O que não significa, porém, que as obras literárias sejam mais “fáceis”, ou que sua leitura não deva ser atenta.

Existem exceções, pois as combinações entre o texto literário e o filosófico parecem casar perfeitamente. Exemplificamos o emblemático Zaratustra de Nietzsche. Uma das raras obras filosóficas que pode ser lida como uma obra literária que tem profundo significado filosófico.

Na verdade essa sempre foi minha busca nos autores atuais. Gostaria de encontrar filosofia profunda e conhecimento filosófico em cada texto literário lido.

Apesar de inúmeros estudos em centros especializados, publicados nos últimos anos e que vim pesquisando para melhor entender o entrelaçamento entre as duas vertentes do conhecimento humano, ainda não consegui encontrar muito esse o inter-relacionamento entre elas.

Em momentos ao longo da história, não é tão simples distinguir o filosófico dentro do literário e vice-versa. Isso talvez porque meus parcos conhecimentos, não tenha conseguido pensar como filosófica a literatura. Ou quiçá as formas literárias da filosofia não haja tido tanta influencia na literatura nacional.

Diante do que pesquisei não encontrei momentos de verdadeira fusão entre uma e outra e na história de ambas em nosso meio.

Ao que depreendi a filosofia é ampliar, partilhar, analisar, concluir ideias a partir de um foco. A literatura em seu sentido estrito de criação literária exige apenas que algo seja gravado em letras e palavras, e nelas se sustente. Conclusão a filosofia foi criada para ser analisada, e a literatura afirma-se apenas pelos escritos. Filosofia é ampla, a literatura é restrita ao texto.