Tutela de amor àqueles que necessitam de nós

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Agora que o Brasil já está voltando ao seu estado normal de empatia entre uns e outros é importante quanto ter esse nobre sentimento desenvolvido, fazer escolhas certas e ter atitudes adequadas, que realmente gerem impacto na vida nas pessoas necessitadas que cruzem o nosso caminho. Inclusive modificar dissensões que ainda possam existir naqueles que se acharam perdedores. Para ajudar nisso, listamos 5 atitudes que você pode adotar para transformar a vida neste país maravilhoso onde vivemos.

1 – Tenha atitude humanitária!

É natural que as lições cristãs nos tornam mais preparados para estender a mão a quem mais precisa. Mas na rotina corrida, muitas vezes, acabamos não dando a real atenção para as oportunidades ímpares de adotar uma postura humanitária. É por isso que listamos essa como sendo a primeira dica. Para que você compreenda o que representa isso na prática, listamos alguns hábitos saudáveis que vale a pena cultivar para atingir esse propósito:

    • Seja gentil com todos que cruzarem o seu caminho: às vezes, não fazemos ideia do que se passa na vida de cada um. Um sorriso, seguido de um bom dia ou de uma atitude gentil pode representar muito para aqueles que estão à nossa volta, falam conosco pelas redes sociais e tentam ainda manter o estado belicoso. Não aceite. Revide com sorrisos e boas palavras.
    • Respeite vagas de estacionamento e dê preferências em passagens: os locais destinados a idosos, deficientes e gestantes precisam ser dedicados àqueles que precisam. Faça valer esse direito! Se ver alguém que não tenha percebido isso, seja educado e comente com a pessoa também.
    • Valorize a paz dentro do lar: muitas vezes temos a maior paciência com os amigos de trabalho ou do nosso grupo das redes sociais, mas nem sempre com quem está em casa. Seja um promotor da paz dentro da sua residência. Isso é também ter uma atitude humanitária.

2 – Que tal ser voluntário?

Na recomendação acima, falamos de atitudes que devemos ter durante as 24 horas do dia. Mas, já pensou em dedicar uma hora por semana ou um período maior por mês para ser voluntário em iniciativas transformadoras? Pois bem: há inúmeras formas de fazer isso: desde vínculos regulares (em projetos sociais que demandam envolvimento frequente) até a atuações esporádicas (em mutirões e ações em datas comemorativas, por exemplo).

E se (falta de) tempo for o seu problema, também pode optar pelo voluntariado digital. Nele, você pode distribuir conteúdos pelas redes sociais que divulguem iniciativas inspiradoras, para engajar voluntários ou mesmo doadores. É um trabalho também valoroso e que pode ser feito em vários momentos do dia (até mesmo de madrugada ou no final de semana).

3 – Compartilhe o que faz bem!

Ainda nessa onda das redes, é importante exteriorizarmos (colocar para fora mesmo) aquilo que de melhor o nosso coração carrega. E isso significa dizer palavras construtivas, que levem ânimo e esperança. Nos dias de hoje, com tanta coisa desagradável acontecendo, não podemos nos colocar no papel de incentivar o desânimo, soltando frases por aí como: “ah, não tem mais jeito”. Ou então: “está tudo perdido”.

Quem tem amor ao próximo, dá valor às palavras e evidentemente sabe empregá-las com todos aqueles que cruzam o seu caminho. E isso vale também para o ambiente virtual. Afinal de contas, uma postagem nossa pode chegar onde nem imaginamos. Por isso: transborde essa atitude humanitária, de incentivo e de positividade também nas redes sociais. Há um pensamento bem legal de Alziro Zarur, um radialista brasileiro, que diz: “Uma palavra, pode salvar uma vida. Uma palavra pode perder uma vida”. Pense nisso!

4 – Exerça o consumo consciente

Em um planeta tão interligado quanto o nosso, você já pensou que toda ação nossa tem uma reação? E isso não é diferente na relação de consumo. Basta uma ida descontrolada ao supermercado, que podemos disparar um processo de desperdício (o que é um crime em um planeta com tanta gente passando fome). Por isso, incentive o consumo consciente: compre só o que for necessário!

Isso também significa dar atenção aos itens que temos: não é porque saiu um celular novo, que precisamos deixar de lado aquele que está em bom funcionamento. Caso deseje trocar, doe o aparelho anterior. Com as peças de roupas, mesma coisa: ao comprar um item novo, doe um que esteja parado no seu guarda-roupa. Assim, damos utilidade para o que não usamos mais!

5 – Apoie projetos sociais sérios!

Outra maneira de fazer valer o sentimento de amor ao próximo é incentivar projetos sociais sérios e que sejam realmente transformadores. Priorize associações civis que tenham atuação consolidada, experiente e realmente realizam atividades que gerem impacto social. O Médicos sem Fronteiras, por exemplo. Ajude MSF a Continuar Levando Cuidados de Saúde pelo Mundo. Acesse e Colabore! Colabore com MSF. Prêmio Nobel da Paz 1999. Fundada em 1971. Faça uma Doação Online. Ajude a Salvar Vidas. Tipos: Doação Mensal, Doação Única, Doação Empresarial, Iniciativas Solidárias. Isso demonstra bem o que representa uma atuação de qualidade: que é realizar o trabalho de salvar vidas que estão esquecidas por todos, que vivem em situação de vulnerabilidade social.

Ao assumir um compromisso financeiro que cabe no seu bolso, você investirá no futuro melhor de famílias que sequer sabem o que será o dia de amanhã. São várias as histórias transformadas, como conta o ebook gratuito e especial, que breve escreverei e ficará gratuitamente a disposição dos leitores que se interessarem e escreverem para mim. Conheça esse trabalho e veja como realmente ele transforma a vida de milhares de brasileiros que sonham com um futuro mais digno!

E a sexta dica é você que dará! Que tal compartilhar nos comentários abaixo o que tem feito para exemplificar o amor ao próximo? Fique à vontade para trazer seus exemplos, que podem ajudar a inspirar outras pessoas também.

A Terra é Azul – Terceiro Capítulo

  1. Filho de Rogério

 

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— Engraçado como imaginamos coisas impossíveis, pensou. Há alguns anos atrás teve um relacionamento com um homem casado e ficou grávida dele. Quando lhe falou sobre o bebê ele entrou em pânico, dizendo que tinha sua família e que não desejava um filho fora do casamento. Olhou-o como se olha um monstro. Continuou a vida normalmente. Não tiraria seu filho!

Quando ele soube da decisão, começou a pressioná-la para tirar a criança. Aquilo se tornou um pesadelo. Não conseguia mais trabalhar com aquele homem ligando a todo tempo, pedindo que fosse ao médico e solicitasse o aborto.

Decidiu que iria fazer o que ele queria. Procurou um médico de confiança. Explicou detalhadamente o caso e pediu que encenasse todo o processo. O ex-namorado, agora “novamente bem casado”, foi junto no dia em que ocorreria o procedimento. O médico fez com que ele ficasse na sala de espera. Uma hora após dormir dentro de um pequeno quarto escuro, com janelas todas trancadas, saiu. Ainda sentia a tontura. Fora sedada. Mas sentiu seu bebê preservado dentro do útero.

Muitas vezes ele tentou retomar o relacionamento, mas ela não aceitou. Aquela atitude havia quebrado o encanto. Ele a observava desconfiado, quando vez ou outra se encontravam pelo caminho do trabalho. Engordou apenas seis quilos e usava roupas folgadas, que condiziam com a moda da época.

— O que aconteceu? – ouviu a pergunta. Não era nenhum sonho. Rogério adentrou ao quarto, um quarto vulgar, bastante acanhado, ali estava, como de costume, entre as quatro paredes que lhe eram familiares. Por sobre a cama, onde estava deitada desnuda, alimentava o filho no seio. A face se fez lívida, enquanto ela cobria-se com o lençol do quarto em completa desordem. Uma série de roupas infantis ainda esticadas na cama.

Rogério era fiscal da Receita Federal. Estava retornando de uma de suas viagens e resolveu procurá-la. Renata deixou a criança, já satisfeita, sobre a cama desarrumada e lentamente pôs-se a pendurar cada peça de roupa num velho armário com portas que não fechavam. Enquanto as portas teimavam em abrir, Rogério olhava, enfurecido, a criança que dormia placidamente, sobre os lençóis amarfanhados.

Recentemente alguém lhe mostrara um recorte de uma revista, onde ilustrava a foto de Renata com uma criança ao colo. Um garoto de rua havia tentado roubar-lhe a bolsa e fortuitamente fora flagrada e dera ensejo à matéria.

Ouviam-se os pingos de chuva baterem na calha da janela e isso o fez sentir-se bastante melancólico. Em épocas anteriores era sua foto colocada numa bonita moldura dourada sobre a cômoda antiga. Mostrava um homem bem posto a sorrir. Mas quem sorria agora era aquele garotinho deitado e ausente de toda dor que lhe calcava o peito.

Rogério desviou então a visão para a janela e deu com o céu nublado. – Não seria melhor rodar nos calcanhares e esquecer todo aquele delírio? – cogitou. Mas era impossível, estava envolvido na presente situação, não podia virar-se e ir embora tão somente.

Por mais que se esforçasse por aceitar o fato e toma-lo como resolvido, continuava a debater-se entre culpa e ira. Inclinou o corpo para a direita, tentando esconder da visão o garoto deitado. Tentou, pelo menos, cem vezes, fechando os olhos, para evitar ver a cama, onde se deitaram ele e Renata e ali fizeram o menino. Lembrava as pernas longas e torneadas envolverem seu corpo. Só desistiu quando começou a sentir no flanco uma ligeira dor entorpecida que nunca antes experimentara.

Oh, meu Deus, pensou, que situação tão aterradora escolhi! Viajar, a negócios, mês sim, mês não, lhe fora propício. Era um trabalho muito mais irritante e cansativo do que o trabalho do escritório propriamente dito, e ainda por cima havia o desconforto de andar sempre a visitar empresas, onde gerentes tentavam enganá-lo; preocupado com as conexões corriqueiras

dos aviões; com a cama e com as refeições irregulares; com conhecimentos casuais, que são sempre novos e nunca se tornam amigos íntimos.

— Diabos tirem tudo isto da minha mente! Sentiu uma leve comichão nas costas; arrastou-se lentamente para a cadeira vazia, mas seus olhos se voltaram para cima da cama. Não conseguia mexer um músculo. Estava estático diante do fato consumado. Identificou o local da comichão, que estava rodeado de uma série de pequenas bolhas, cuja natureza não compreendeu no momento e fez menção de coçar. Depois, lembrou-se da alergia em momentos de angústia e imediatamente sentiu-se percorrido por um arrepio gelado.

 

A Terra é Azul – 2. Capítulo

  1. Yuri Gagarin

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Ao se aperceber naquele ambiente fantástico, completamente fora de seu raciocínio científico, lembranças borbulhavam em seu cérebro, numa fugidia esperança de estar sonhando.

Quando era muito pequena formulava pequenos versos e os espalhava pela casa, onde o pai ou a mãe pudessem acha-los. Deram-lhe livros de Monteiro Lobato para ler. Gostou, porém não eram daquelas histórias que gostaria de falar. Olhava os céus e se imaginava voando pelas estrelas, onde encontrava mundos diferentes. Seres diferentes, com linguagens diferentes, mesmo não conseguindo captar-lhes o significado. Ficava feliz nesses espaços. Era como se fizesse parte do Universo.

Ao ler numa revista a viagem de Yuri Gagarin ao espaço, teve um acesso de choro, misturado com alegria. Parou sobre as frases pronunciadas por aquele homem: “A Terra é azul”. Lembrava-se nitidamente que foi naquele 12 de abril de 1961, que Yuri Gagarin tornou-se o primeiro homem no espaço a completar uma órbita terrestre e anunciado ao mundo a cor do Planeta.

Colou a reportagem em seu diário, com a figura de Yuri Gagarin: “O cosmonauta da ex-União Soviética, Yuri Gagarin, ficaria conhecido mundialmente como o primeiro homem a viajar no espaço.

A partir do Cosmódromo de Baikonur, no Casaquistão, a nave Vostok 1 decolou para o seu primeiro e único voo espacial e pouco depois da decolagem, a 327 quilômetros de altura, Yuri Gagarin, via rádio, revelava a todos os seres humanos a cor do Planeta: ”A Terra é azul!”.

Foi a exclamação do primeiro homem a ver o nosso planeta do espaço. Um pequeno voo de 108 minutos, o suficiente para que Gagarin se tornasse, aos 27 anos, herói nacional e, mais tarde (após a Guerra Fria), uma figura internacional. “Foi só uma órbita, mas foi o primeiro passo”, chegou a dizer, e tinha razão, porque a caminhada não mais parou e estava aberta a corrida ao espaço. Foram os 108 minutos que mudaram o Mundo.”

Passou a admirar aquele homem durante toda a vida. A mãe não entendeu a reação. Por que uma garota de dez anos chora por uma descoberta, apesar de importante para a humanidade, tão longe da realidade em que viviam?

A garota passou a viver em transe e procurava tudo que pudesse ser escrito sobre ele e sobre o espaço. Recortou reportagens, fez colagens, escreveu suas emoções e o que pensava sobre a descoberta para o mundo. Seu corpo tremia, como se já tivesse vivido uma experiência semelhante. Pensou em seus devaneios sobre outros mundos e já se imaginava viajando pelo espaço. Era isso que faria quando crescesse.

Apresentou certa vez um trabalho escolar sobre todas as viagens fora da Terra que os astronautas já tinham feito. Chegou até a falar com o professor de português que tinha certeza de que um dia encontraria um novo mundo e todos os humanos poderiam viver nele, em paz. O professor achou graça da capacidade de imaginação daquela adolescente.

— Você deveria ser escritora. Com essa imaginação tenho como certo que

alcançará sucesso. Exercite os ensinamentos sobre literatura que tivemos nestes últimos meses. Você tem o dom da escrita.

Ela olhou o professor Marenda e ficou agradecida pelos elogios. Cecília já o admirava, mas naquele momento ele conseguiu erguer sua autoestima. Sentia-se um tanto deslocada entre os colegas. Todos a chamavam de gordinha numa época em que Mary Quant criou a minissaia, um símbolo que iria acompanhar a juventude rebelde dos anos 60, da qual fazia parte. Era a data da tesourada que a estilista um dia deu no vestido da famosa manequim Twiggy, provocando um impacto tão grandioso, chocando os padrões da época e mudando completamente a visão e a conduta da juventude.

Nessa história ela ficou de fora. Enquanto Twiggy lançava a modelo magérrima e com os cabelos curtos e lisos, ela era gordinha e tinha os cabelos mais crespos do mundo.

Receber um elogio, mesmo que ao seu intelecto, diante de toda a classe, foi a glória para Cecília.

Porém, quando o professor começou a ler um poema, ela ficou aterrada. Seu rosto gorducho de maçãs vermelhas foram ficando roxas, pois percebeu que todos iriam saber que aquele era o “seu poema”.

Na verdade nele estava implícito sua paixonite por um novo engenheiro recém-chegado na cidade e a quem ela dedicara o poema. Ele tinha 26 e ela 14 anos.

Seu poema era uma declaração de amor!

OUTRO LIVRO RECOMEÇADO

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1. A gruta azul

 

Lentamente abriu os olhos, como saindo de um poço sem fim. Deparou-se com a beleza esplendorosa do planeta. A vegetação luxuriante emitia brilhos diversos, como a querer se comunicar com ela. Aquele local tinha mais vida do que já vira antes.

Parecia um exótico santuário, com possibilidades infindas de exploração. A emocionante impressão que a natureza lhe causava era muito maior do que seus mais inimagináveis sonhos. Fora uma idealização interna de um mundo em conservação, que buscara há décadas em seu imaginário. Havia um odor perfumado no ar, suavidade ao respirar, a floresta de um verde profundo e saudável.

Talvez estivesse sonhando realmente. Ou seria uma nova categoria de área protegida, oferecendo espécies selvagens que passavam por ela e não a atacavam. Mantinham seu espaço. Eram comunidades inteiras que saltitavam, outras caminhavam com a elegância angulada no andar, tal qual tigres em busca dos meios de subsistência digna, posto que seu cheiro humano não os atiçava . Parecia uma nação a caminho de uma nova era ecológica.

Um beco sem saída para sua mente perplexa. De repente uma mudança climática. Os bichos se assustaram e começaram a correr à procura de abrigo. Desabou um temporal. Era uma chuva límpida que adentrava a terra macia, agora sentida no apalpar.

O ecossistema era constituído de uma vegetação em formato de renda tramada sobre o solo, de onde brotavam árvores e arbustos cobertos de variadas espécimes de flores. Era tal a diversidade que não conseguia defini-la. O odor achocolatado da terra úmida subia, beneficiando-lhe os pulmões.

Andou alguns metros. Não sabia quanto havia percorrido. Avistou ao longe algumas terras florestais ilhadas entre lagos azulados. Um azul profundo, quase cobalto. No lado mais distante da sua participação erguiam-se montanhas majestosas, onde pássaros de beleza estranha sobrevoavam. Suas penas intensamente coloridas compactuavam com o cenário todo.

Em pouco tempo sentiu necessidade de pertencer àquela terra e viver na floresta. Consumida pelo desejo intenso, criava-lhe no íntimo um efeito cascata de amor pela paisagem e por todas aquelas espécies selvagens. Na verdade a população do local agora era semelhante a tigres, cães selvagens, leopardos, ursos, porcos selvagens, criaturas de todos os tipos. Seres de formatos singulares, moradores daquela floresta, que retornavam de seus esconderijos e corriam quais crianças, aproveitando o odor delicioso que pairava no ar, enquanto brincavam à beira dos lagos. Estranhamente não se agrediam. Era uma população pacífica. Imaginou que breve acordaria daquele sonho que a enviara a um plano onde tudo se transformara em beleza e cores na terra e no status da floresta.

De repente deparou-se com um ser vestido com uma longa túnica azulada, que emitia faíscas similares as da floresta. Seu aspecto facial era humano. Olhou-a com imensos olhos azuis. Dobrou a cabeça para a direita e para a esquerda, num movimento de expectação. Seus olhos encontraram os dela. Como hipnotizada ouviu aquele ser sussurrar, sem mexer os lábios:

Encontrou, afinal. Tua busca se deu, enfim. Muito mais conhecerás nesta tua terra.

Cecília ouviu aquelas palavras como se elas estivessem sendo pronunciadas dentro de seu cérebro.

Procura os outros e os encontrarás. Tua é a terra.

Ela tentou levantar-se, porque agora estava deitada sobre a relva rendada e macia, numa pequena clareira, de onde podia receber os mornos raios solares. Viu que o ser flutuava vagorosamente, por detrás dos arbustos, como se fosse esvanecer-se no ar.

Quem é você?! Gritou Cecília, a pleno pulmão, numa busca de entendimento que lhe escapava totalmente da realidade.

Como se saísse de um sono profundo as lembranças começaram a materializar-se. Estouravam-lhe bolhas no cérebro, com imagens diversas. Andava por diversos lugares, divagava de forma febril. Agora estava diante de uma gruta azulada, onde divisava alguns seres em canoas, outros nadando. Era uma imagem muito forte da gruta, porém não conseguia definir o tipo físico daqueles que por ali transitavam.

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I Capítulo

 Yuri Gagarin

 

Na verdade ela nem sabia sobre o que falar. Precisava de uma terapia para a alma. Escrever sempre a acalmou. Conseguia silenciar o tumulto dos pensamentos escrevendo.

Quando era muito pequena formulava pequenos versos e os espalhava pela casa, onde o pai ou a mãe pudessem achá-los. Deram-lhe livros de Monteiro Lobato para ler. Gostou, porém, não era sobre aquelas histórias que gostaria de falar. Olhava os céus e se imaginava voando pelas estrelas, onde encontrava mundos diferentes. Seres diferentes, com linguagens diferentes, sem lhes captar o significado. Ficava feliz nesses espaços. Era como se fizesse parte do Universo.

Quando leu numa revista a viagem de Yuri Gagarin para o espaço, teve um acesso de choro misturado com alegria. Parou sobre as frases pronunciadas por aquele homem: “A Terra é azul” e “Olhei para todos os lados, mas não vi Deus”. Passou a admirar aquele homem durante toda a vida: A mãe não entendeu a reação. Por que uma garota de dez anos chora por uma descoberta, apesar de importante para a humanidade, mas distante da realidade em que viviam?

A garota passou a viver em transe e procurava tudo que pudesse ser escrito sobre ele e sobre o espaço. Recortou reportagens, fez colagens, escreveu suas emoções e o que pensava sobre a descoberta para o mundo. Seu corpo tremia, como se já tivesse vivido uma experiência semelhante. Pensou em seus devaneios sobre outros mundos e já se imaginava viajando pelo espaço. Era isso que faria quando crescesse.

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Engraçado como imaginamos coisas impossíveis. – pensou. Há alguns anos atrás teve um relacionamento com um homem separado de sua mulher e ficou grávida dele. Quando lhe falou sobre o bebê ele entrou em pânico, dizendo que ia voltar para a família e que não desejava um filho fora do casamento. Olhou-o como se olha um monstro. Continuou a vida normalmente.

Quando ele soube da decisão começou a pressioná-la para tirar a criança. Aquilo se tornou um pesadelo. Não conseguia mais trabalhar com aquele homem ligando a todo tempo, pedindo que fosse ao médico e solicitasse o aborto.

Decidiu que iria fazer o que ele queria. Procurou um médico de confiança. Explicou detalhadamente o caso e pediu que encenasse todo o processo. O ex-namorado, agora “bem casado” novamente, foi junto no dia em que ocorreria o procedimento. O médico fez com que ele ficasse na sala de espera. Uma hora após dormir dentro de um pequeno quarto escuro, com janelas todas trancadas, saiu. Ainda sentia a tontura. Fora sedada. Mas sentiu seu bebê preservado dentro do útero.

Muitas vezes ele tentou retornar o relacionamento, mas ela não aceitou. Aquela atitude havia quebrado o encanto. Ele a observava desconfiado, quando vez ou outra se encontravam pelo caminho do trabalho. Mas, os caminhos da vida nem sempre respeitam nossos desejos. O aborto foi espontâneo. Ela chorou muito a sua perda.

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Paris Vermelha – Para os amantes da leitura

“A autora Sylvia Regina Pellegrino possui uma escrita madura e direta. Não há excessos de adjetivos ou enfeites em seu texto. A falta de rebuscamento permite que o leitor envolva-se ainda mais com os cenários descritos e o contexto histórico que a autora inseriu a trama.
É perceptível que a autora realizou uma pesquisa extensa sobre os acontecimentos da época, assim como costumes e comportamento.
“Paris Vermelha” é um livro que prende a atenção do leitor do início ao fim. Hosana é uma femme fatale que está determinada a ter sua vingança.
Em relação à revisão, diagramação e layout foi realizado um ótimo trabalho. A capa é muito bonita e chama a atenção.” (resenhado por Acordei com Vontade de Ler)

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