Sou navegante da vida

sou navegante da vida

Distância? Isso não atrapalha! O perto é impermanente. Juntar nossas vidas no tempo volátil é o amor ressuscitando. Que importa a distância, o tempo.  Deixa eu sentir esse seu calor. Vem logo pra mim meu amor. No ar, no sol, na chuva que molha nossos corpos e nas lembranças de cartas trocadas. Mesmo que elas não tenham sido claras, foram ditas, falavam de amor, calor, vida.

Relacionamentos à distância são ingredientes incorpóreos, sim, mas permanentes no coração. O amor pode se realizar no pensamento, como algum poeta já cantou. A distância não é falta de amor, mas falta da relação física. Que importa a distância, o contato, se nosso amor está no ar, no céu, no vento, na vontade. Vontade de encantar a pessoa que está no outro monitor.

Tenho guardado na memória todos nossos momentos, desde quando nos conhecemos até o dia de hoje. Distância é algo extremamente variável. Apenas a força do sentimento é capaz de fazer um relacionamento resistir a um amor à distância.

É realmente inacreditável como podemos amar uma pessoa apenas por conhecer as palavras e as fotos dela. Não é necessária sua presença física ao meu lado, para sentir você presente em tudo. Aqui é apenas um monte de letras juntas, mas cheias de sentimentos, sopradas pelo vento ao seu encontro.

Ninguém disse que seria fácil, ninguém disse que todos iam nos apoiar, ninguém disse que a solidão daria trégua e muito menos a saudade. Mas não importa…nada disso é maior do que o nosso amor e do que vivemos e podemos viver neste mundo mágico só nosso.

Passageiros do amor

 

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Você, despreocupado da vida, teclava seu computador. Suas palavras como pássaros chegavam até mim, molhando o seio ressequido de carinho. Roteiro estranho de uma história vivida a sós. Você sequer sabia que assim eu lhe via. Continuava a ninar meus sonhos. Pareceu-me confortável seguir em frente. A estrada macia suavizava meu solo vazio.

O deserto agora ficava lá fora. O calor do dia não prejudicava o contato quase magnético de meu olhar no seu. Parecia formarmos um só organismo, incapaz de interferir ou incomodar o outro, sentindo juntos as mesmas intempéries do tempo. Mas no seu colo, arrisco dizer que nunca estive. Jamais senti os seus afagos. Mas eu os vislumbro em meus anseios, neste mundo paralelo.

Viajávamos e parecia sermos os únicos naquele embalo. Não havia música apenas meu coração cantava feliz. Sentia-me colada em você… Imaginei aquele amor que você reservou somente pra mim. E mesmo convencida no inacreditável, algo no vento sussurrou palavras de amor.

O meu devaneio foi rompido com raios de sol a bater em meus olhos. Só consegui decifrar quando voltei meus olhos para a tela mágica e lá estava você. Entre nós apenas aquela tela. A vida ficou seca e pedregosa. Avistei um lago. Aquela água mais parecia um pedacinho de firmamento posto à sorte na minha imensidão de pedra e pó.

Procurei às pressas na mochila uma máquina fotográfica a tempo de capturar já terminando aquele pedaço de paisagem… Não disparei. Pareceu-me artificial demais registrar aquele lugar. Certos paraísos não merecem a simplificação de uma foto.

A água se foi. Voltou o deserto e seu rosto refletido no vidro. O amado amando. De alguma forma aquilo me preenchia. Essa essência sua transcende a tela. Por quê? Minha indagação trouxe a resposta: somos passageiros do amor.