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Conforme noticiado na Globo, o livro  escrito há 60 anos por Guimarães Rosa, “Grande Sertão Veredas, já consagrado, ganhou contornos sensoriais em uma programação especial da Fundação Clóvis Salgado (FCS), em Belo Horizonte. O público pode ler, ouvir e se emocionar com elementos bem característicos de uma das obras mais importantes da literatura brasileira.

A Fundação preparou  uma programação gratuita, que passa pelo teatro, música, literatura, artes visuais e pelo cinema. A distribuição de ingressos está sujeitos à lotação de espaço.

Para o evento em que Maria Bethânia vai ler trechos de Guimarães Rosa, a retirada de ingressos foi feita na sexta-feira (4/11), a partir das 10h, na bilheteria do Palácio das Artes.
Cada pessoa terá direito a apenas um ingresso. Os demais eventos terão a retirada de ingresso 1 hora antes das apresentações.

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I Capítulo

 Yuri Gagarin

 

Na verdade ela nem sabia sobre o que falar. Precisava de uma terapia para a alma. Escrever sempre a acalmou. Conseguia silenciar o tumulto dos pensamentos escrevendo.

Quando era muito pequena formulava pequenos versos e os espalhava pela casa, onde o pai ou a mãe pudessem achá-los. Deram-lhe livros de Monteiro Lobato para ler. Gostou, porém, não era sobre aquelas histórias que gostaria de falar. Olhava os céus e se imaginava voando pelas estrelas, onde encontrava mundos diferentes. Seres diferentes, com linguagens diferentes, sem lhes captar o significado. Ficava feliz nesses espaços. Era como se fizesse parte do Universo.

Quando leu numa revista a viagem de Yuri Gagarin para o espaço, teve um acesso de choro misturado com alegria. Parou sobre as frases pronunciadas por aquele homem: “A Terra é azul” e “Olhei para todos os lados, mas não vi Deus”. Passou a admirar aquele homem durante toda a vida: A mãe não entendeu a reação. Por que uma garota de dez anos chora por uma descoberta, apesar de importante para a humanidade, mas distante da realidade em que viviam?

A garota passou a viver em transe e procurava tudo que pudesse ser escrito sobre ele e sobre o espaço. Recortou reportagens, fez colagens, escreveu suas emoções e o que pensava sobre a descoberta para o mundo. Seu corpo tremia, como se já tivesse vivido uma experiência semelhante. Pensou em seus devaneios sobre outros mundos e já se imaginava viajando pelo espaço. Era isso que faria quando crescesse.

***

Engraçado como imaginamos coisas impossíveis. – pensou. Há alguns anos atrás teve um relacionamento com um homem separado de sua mulher e ficou grávida dele. Quando lhe falou sobre o bebê ele entrou em pânico, dizendo que ia voltar para a família e que não desejava um filho fora do casamento. Olhou-o como se olha um monstro. Continuou a vida normalmente.

Quando ele soube da decisão começou a pressioná-la para tirar a criança. Aquilo se tornou um pesadelo. Não conseguia mais trabalhar com aquele homem ligando a todo tempo, pedindo que fosse ao médico e solicitasse o aborto.

Decidiu que iria fazer o que ele queria. Procurou um médico de confiança. Explicou detalhadamente o caso e pediu que encenasse todo o processo. O ex-namorado, agora “bem casado” novamente, foi junto no dia em que ocorreria o procedimento. O médico fez com que ele ficasse na sala de espera. Uma hora após dormir dentro de um pequeno quarto escuro, com janelas todas trancadas, saiu. Ainda sentia a tontura. Fora sedada. Mas sentiu seu bebê preservado dentro do útero.

Muitas vezes ele tentou retornar o relacionamento, mas ela não aceitou. Aquela atitude havia quebrado o encanto. Ele a observava desconfiado, quando vez ou outra se encontravam pelo caminho do trabalho. Mas, os caminhos da vida nem sempre respeitam nossos desejos. O aborto foi espontâneo. Ela chorou muito a sua perda.

***

Ana Luiza Beraba, fundadora da Film2B, se consolida na venda de direitos autorais de livros para o cinema e TV

Ana Luiza Beraba, fundadora da Film2B, se consolida na venda de direitos autorais de livros para o cinema e TV

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Ana Luiza Beraba, fundadora da Filme2B, se consolida na venda de direitos autorais de livros para o cinema e TV | © Facebook da agente

Em abril passado, quando a Globo colocou no ar a minissérie Liberdade, Liberdade, um fenômeno chamou a atenção do Estante Virtual, site que reúne e comercializa livros de sebos de todo o Brasil. O livro Joaquina, filha do Tiradentes, publicado originalmente em 1987 pela Marco Zero e depois reeditado, em 1999, pela Topbooks, teve um salto de 60% nas suas vendas. O livro já estava esgotado no fornecedor e ninguém se preocupou com uma nova edição ou reimpressão. Outro fenômeno semelhante, aconteceu com o livro O escaravelho do diabo, que integra a coleção Vaga-Lume, ressuscitada pela Ática no fim do ano passado. A versão cinematográfica, cuja estreia também aconteceu em abril, alavancou as vendas do livro. De acordo com a apuração da Nielsen, as vendas cresceram 50 vezes entre os dias 27 de março e 24 de abril, quando aconteceu a estreia do filme.

Foi acreditando muito no potencial dessa transposição de livros para o cinema que a historiadora e cineasta Ana Luiza Beraba criou, em 2013, a Film2B, agência especializada em vendas de direitos autorais de livros para o cinema e TV. “A literatura e o cinema são mercados que têm muita semelhança entre si, mas eles não se conversavam direito e um depende muito do outro. Percebi que existia aí uma ponte a ser construída”, disse Beraba ao PublishNews.

Desde o início de sua atuação, a Film2B fechou uma parceria com a Agência Riff. Com isso, toda e qualquer demanda que chega à agência de Lucia Riff é encaminhada à Film2B. “Essa parceria com a Agência Riff já está bastante consolidada. Nesses três anos, construímos modelos de negócios e uma metodologia de trabalho que permite uma parametrização das negociações e dos contratos”, comentou. Para isso, a Film2B se associou a Eduardo Senna, advogado especializado em Direitos Autorais. “Se antes levávamos meses negociando, agora, com esses parâmetros já estabelecidos, a negociação é muito mais rápida”, concluiu. A Film2B mantém contratos ainda com editoras como a Record, Companhia das Letras, Casa da Palavra, Intrínseca e Foz.

Beraba defende que o seu papel não é de representar nem o autor e nem a produtora. “Representamos os interesses do projeto. Lutamos pela sua viabilidade e ficamos no meio desse caminho para que seja uma coisa justa para os dois lados”, comentou.

“Três anos [tempo de existência da Film2B] é muito pouco tempo para um longa-metragem”, comentou Beraba. Apesar disso, nesse período, a Film2B já viabilizou uma série de produtos. No portfólio da empresa já tem séries de TV como Romance policial – Espinosa (2015), exibida pelo GNT e inspirada na obra de Luiz Alfredo Garcia-Roza; As Canalhas, que está na terceira temporada também pelo GNT, baseada no livro Canalha, substantivo feminino (Record), de Martha Mendonça; Amor veríssimo, também pela GNT, baseada na obra de Luís Fernando Veríssimo, e Por isso sou vingativa, veiculado pelo Multishow e inspirada no romance homônimo de Cláudia Tajes editado pela L&PM.

Para esses projetos, normalmente, a Film2B recebe uma demanda – seja diretamente do produtor interessado em um projeto específico, seja via seus parceiros –, repassa, negocia e vende os direitos. Mais recentemente, a agência começou a atuar de forma mais ativa nesse processo. “Temos conseguido ativar mais alguns títulos. Recebemos um livro e pensamos em qual produtor ou qual canal poderia se interessar por esses títulos”, explicou Beraba. Dentro desse novo modelo, a Film2B conseguiu criar um Núcleo Criativo, com apoio da Ancine (Agência Nacional do Cinema / MinC). Com isso, passou a desenvolver roteiros e criou uma rede de parcerias para que o projeto possa se viabilizar. Para o núcleo, Beraba trouxe para a Film2B Kiki Lavigne (ex-Sony Pictures e Conspiração Filmes), que coordena o núcleo, e Patrícia Andrade (Gonzaga e Dois Filhos de Francisco), para ser a roteirista chefe.