Crônica da Alegria

escrever e uma alegria

Sinto-me feliz hoje. O sol veio com toda a sua claridade dourada aquecer nossos corações. O meu está aos pulos. Sinto um vigor da juventude. Não sei por que quando estamos muito felizes nos lembramos da juventude. Creio que porque nossos sonhos eram ideais. Poque sonhávamos poder obter da vida todas as benesses possíveis. E, hoje, o fato do sol nascer brilhante me exultou de felicidade.

Claro que poetas, filósofos, e não sei mais quem dizem que a alegria depende da felicidade que estamos vivendo. Ora, eu estou feliz e alegre por causa do sol.  Pingos os d`água caíram a semana passada, deixando o céu sobre a bela cidade de Curitiba, cinzento. Nada era agradável e estava me deixando feliz. Tudo a minha volta estava bem, mas o cinza e os pingos de chuva incessante e o inverno não me agradavam. Meu humor já não ia bem. E… não era TPM, porque já vai longe a época dessa irritante situação. Estou livre. Exato! A alegria me invade o peito e meus sonhos mais belos parecem realizados. Tudo vai dar certo, até meu livro que está sendo revisado por meu agente literário ficará mais literário. A vida sorri, quando o sol brilha carinhosamente aquecendo meu corpo e me dando inspiração para continuar a escrever o próximo livro. Sei que sou ansiosa. Não lancei este e já estou escrevendo outro. Mas, sabe… eu levo pelo menos um ano escrevendo e, assim, preciso voltar a trabalhar, enquanto aquele que não está em minhas mãos para ficar mudando e melhorando frases para meus leitores fugiu para mãos alheias (do meu agente, claro).

Eureca! Descobri. O fato de ter sol me dá inspiração e cá estou eu teclando freneticamente meu novo livro. As palavras saem pulando do meu cérebro para o papel. Sinto uma alegria inefável. Nada me causa tanto ardor e paixão do que escrever. Estou feliz e alegre ao mesmo tempo. Parece que esta duas palavras se casam com perfeição.

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capa-para-um-livro

Ele chegou à cidade. Buscava atividade empresarial. Era enigmático, frio, racional. Não pretendia passar muito tempo ali.

Foi à empresa, não encontrou o proprietário. Devia ter ligado. Parece que não gostam de trabalhar por aqui _ pensou.

Seguiu para o hotel. Somente amanhã _ dissera a secretária. O senhor não ligou _ complementou profissional.

Sua estratégia da surpresa caíra por terra. Queria cobrar aquele título. Seu cliente o abonaria se o intento tivesse êxito.

Saiu amuado. Voltou para o hotel.

Sentiu falta de companhia. Ligou a TV. O som encheu o quarto.

A televisão continuava a passar o jornal. Já estava cansado daquele marasmo. Cidade provinciana ¾ resmungou. Como não encontrar um empresário em pleno horário comercial?

Precisava tomar ar. Procurar o que fazer. Se é que haveria o que fazer.

Saiu para a rua. Não agüentava o hotel.

Crepúsculo. Noitinha chegando lentamente. Naquela hora que nem é noite nem é dia. No lusco-fusco que invade, mudando o cenário, como numa troca de roupa. Curitiba começa a se vestir de negro, tal qual mulher sensual, que escolhe suas jóias e brilha. No brilho das estrelas surge, orgulhosa. Esconde no escuro o seio de tantos segredos e enche-se de burburinho do ir e vir de automóveis. São seus amantes, perdidos na noite.

Por sobre o tapete escuro do asfalto ele caminha, como em êxtase. Não imaginava aquela transformação. Lembrou-se do amigo. Acho Curitiba a cidade mais feminina do Brasil. Havia rido do comentário. De dia não percebera, nem lembrara daquilo, mas agora…

O ar se encheu de perfume. Perfume de todos os tipos. Das outras – mulheres também – a busca de um gozo. Um gozo de amor efêmero talvez, ou em busca da fantasia do amor eterno. Que importava? Importava que a noite chegara e com ela a volúpia da cidade em viver seus amores, nos cantos, nos bares.

Caminhou errante à busca de nada e de tudo.

Rodopiava a bela cidade, soprando seu hálito aqui e ali. Ora encantava com seu sorriso faceiro, ora desencantava com seu desprezo altivo. Era ela a dona. Quem decidia a quem queria amar, a quem queria entregar suas carícias, seus dengos.

Sentiu-se amado, aconchegado. Esqueceu o compromisso. Caminhou lento, inspirando o ar da noite. Sentindo o abraço da cidade.

Qual gata acariciava sua pele como se fosse ele seu dono. Sentiu a brisa e o perfume envolvê-lo, num encantamento.

Lembrou outras palavras daquele outro apaixonado. Seus visitantes caem de amores por sua altivez. Sua descendência de europeus, carregada de conservadorismo, a destaca. Caminha nobre por seus recantos antigos, levando seus enamorados ao delírio do passado.

Observou seus casarões, suas tradições expostos numa luz de palidez amarela e deixou-se embalar por histórias de cavaleiros andantes, capas e espadas.

Lufada de ar. Resolveu esfriar. O vento soprou o frio do escárnio, como a desprezar aquele que não sabia estender-lhe tapete e oferecer lareira, vinho e paixão.

Ele sentiu e se encolheu. Entrou no restaurante. Primeiro avançou, conquistando o espaço da sala. Sentou no bar. Ambiente aquecido, música suave. Odores de perfumes, tapete, lareira. Sentiu-se aquecido novamente. Passeou seu olhar pelo ambiente. Encontrou-a.

Ela o olhava insistentemente. Ouviu, como num sussurro: Sou eu.

Os olhos escuros o encararam sérios, depois suavizaram como a contar-lhe um segredo.

Sentiu sobre os seus os dedos longos e acetinados. Era uma sensação estranha, de espectador e ator.

A mulher continuava a olhá-lo. Loura, esguia, os olhos escuros perscrutadores e indecifráveis. O vestido negro delineando o corpo. O longo pescoço branco rodeado pelo colar de pérolas.

Sentiu-se engolido por uma golfada de ansiedade. Quis fugir dali. Ela sorriu e envolveu sua nuca, num gesto de posse. Ficou quieto e deixou-se beijar. O hálito quente e sensual invadiu sua boca. Sentiu seu cheiro. Cheiro conhecido, impregnado em sua memória. Lembrou sua saída do hotel. Perdeu-se nas sensações daquelas mãos e do desejo daquele corpo, encostado ao seu.

Para o hotel? Não, para o hotel não ¾ pensou. Levou-a para um motel. Comprou flores, bombons.

Quarto de motel. Ela subiu na cama e o olhava, com aquele olhar onde bailava um meio sorriso. O vestido escorreu-lhe pelo corpo nu. Ficou mesmerizado diante daquela beleza alva. Sua fantasia adquirira carne e osso.

Ele começou a tocá-la. Os dedos acariciavam aquele corpo de pele acetinada e curvas moldadas.

A volúpia tomou conta de ambos. Amaram-se. Ouviu-a arfar sobre ele, depois sentiu-na deslizar satisfeita e ir deitar ao seu lado. Minutos depois ela levantou e escorregou pela banheira, chamando-o com o olhar. A água quente acariciou seu corpo e ele sentiu-na colar nele.

Novamente o queria e o ardor voltou a tomar conta de ambos. Penetrou-a, como louco várias vezes, até cair extenuado. Deitaram lado a lado sem nada dizer. Ficaram assim pela noite adentro. Dormiu satisfeito e feliz com aquela deusa em seus braços.

Acordou ainda na madrugada e não mais a encontrou. Saiu do motel sem entender. Buscou-a pelas esquinas e cantos da cidade.

Curitiba flutuava. Às vezes diáfana por dentre suas neblinas, envolvendo-o em seus véus e abraçando-o em suas sedas escorregadias. Noutras brincava com sua angústia, molhando o rosto dele com leves e finas gotas de orvalho e parecia rir de sua dor.

Manhãzinha, o sol ainda não havia despontado. Ele continuava a caminhar errante, em busca da amada.

A cidade agora dormia tranquila, como a trazer no regaço o cheiro daquele que a encantara em seu caminho sensual, noite adentro.