A FELICIDADE É UMA ALEGRIA CRÔNICA

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Silvia R. Pellegrino

Raios de sol lavavam calçadas, edifícios, o céu dourava com o sol prestigiando a cidade. Num repente pingos d´água caíam do céu sobre os curitibanos. A cidade estava cheia deles. Transitavam pela Rua Quinze naquele passo apressado sem sequer prestar atenção ao dourado do sol, mas os pingos, tais quais caleidoscópios fizeram todos correrem para debaixo de marquises, comprar guarda-chuvas de vendedores oportunistas. Eu, porém, observava os belos caleidoscópios que ensopavam meus cabelos e refrescavam meu corpo. Andar tranquilo, aproveitei meu momento fortuito. Nos minutos seguintes os curitibanos se viram perdidos, saindo debaixo de marquises e fechando os guarda-chuvas recém comprados. Era uma época em que eu transitava muito pela Rua Quinze. Meu trabalho ficava a quinze quadras do meu apartamento e aquele era meu caminho da roça. Por isso, nunca me espantei com aquelas viradas de tempo tão rápidas e fugazes. Sempre me encantei com o espetáculo, mas não conseguia agir como os curitibanos. Aquilo alimentava minha alma e a lavava de amor. Sempre amei Curitiba e suas viradas de tempo rápidas. O casaco sempre em mãos e, às vezes, uma sombrinha pequenina na bolsa. Na verdade, naquele dia nem a peguei, senti que seria apenas uma lavada de alma e a recebi com alegria. Os curitibanos pareciam ter se tornado tão avessos aquilo, que ficavam tontos e não aproveitavam a beleza de sentir os pingos nos rostos e apreciar suas cores variadas. Cheguei ao trabalho, cabelos já secos e encontrei o alvoroço de sempre, porque Curitiba adorava pregar peças em todo mundo com seu tempo maluco. A alegria me tomou por inteiro e a felicidade me invadiu. Jamais terei raiva de viver numa cidade tão cheia de surpresas. Eu a amo, simplesmente. E, pensar que nem nasci aqui, mas meu coração é curitibano, completamente apaixonado.

Nova capa para a terceira edição de Alquimia Final

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O livro Alquimia Final conta a história envolvente de Natália. Uma advogada que sonhou ser artista plástica, suportando uma realidade especial de vida. Seu caminho se iniciou dentro de uma família de sete irmãos, órfãos de mãe e abandono paterno, muito cedo.
Com treze anos começou sua caminhada profissional. Ao formar-se em Direito fugiu dos irmãos a quem ajudava sustentar e foi para a capital do Paraná. Tornou-se uma grande advogada.
Apaixonou-se profundamente por um colega de escritório – Murilo. Através dele conheceu pai Joaquim e uma visão de vida totalmente diversa da sua.
Quando teve sua maior decepção amorosa como mulher, somente pai Joaquim soube consolá-la e levá-la para o centro espírita e repassar-lhe ensinamentos sobre a religião dos negros que vieram para o Brasil.
Voltou a envolver-se com Carlos Eduardo, que se transformou em seu marido. O casamento com Carlos Eduardo foi caindo na rotina, já que Natália se deixou transformar numa simples dona de casa. Isto despertou nela insegurança e solidão. Reencontrou Murilo e voltou a sentir aquela paixão forte que a embriagara antigamente.
Nessa época tentou fazer com que sua arte, a pintura, se tornasse reconhecida na França, através de Jacques, um marchand. Também Murilo se envolveu com a pintura, através de Pierre, um amigo e conhecedor de artes. Foi com Pierre que Murilo aprendeu muito sobre arte e pode apreciar a arte de Natália e ajudá-la a se desenvolver.
Natália viveu essa vida dupla até o momento em que decidiu abandonar seu grande amor e dedicar-se exclusivamente ao seu casamento e à sua família. Sua consciência não mais a deixava em paz. Também Murilo concordou com a ideia e desapareceu completamente da vida dela.
Profundamente desiludida com tudo, Natália deixou também sua pintura e nunca mais procurou Jacques, que respeitou essa sua decisão. Retornou Natália para sua vida e sua realidade, deixando que o rio de Oxum seguisse seu rumo, como sempre lhe aconselhava pai Joaquim, permitindo assim que o processo alquímico da transformação da vida se completasse. Nesse caminho finalmente Natália alcança o que tanto buscou.