Voltei a escrever!

Honestidade Contestada

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  1. DIGNIDADE MANCHADA

Era Auditor Fiscal da Receita Federal e funcionário público federal. Esta é uma história longa e recheada de altos e baixos, como de resto é a vida.

Tinha 38 anos quando aconteceu. Passados dezoito anos do ato da posse, abrem um processo administrativo contra ele. No final isentaram-no de culpa. Porém, um grupo de insatisfeitos dentro da Receita Federal não quis ficar quieto, havia muita inveja e vingança no ar. O brilhantismo dele o alçara a Chefe de Seção. Isso acirrara os ânimos. O processo administrativo foi encaminhado pelo Procurador-Chefe da Fazenda Nacional ao Ministério Público Federal. Dado início ao processo judicial na Justiça Federal levou 6 meses e a sentença foi proferida em primeiro grau, por uma jovem juiza federal, desconhecedora das filigranas do processo.

O processo caminhava regular, enquanto o titular da Vara Federal estava em exercício. Nas férias do titular a jovem juiza foi procurada por um dos Procuradores da Fazenda Nacional e decidiu pela condenação. Não se provou fraude ou recebimento de propina, mas sabidamente a manipulação e evasão de divisas.

Contratou um advogado de fama nacional na área do Direito Administrativo, pagou regiamente seus honorários adiantado, mas foi o estagiário do escritório a defendê-lo. Um jovem e brilhante advogado, sem grande cabedal de experiência. Recém-formado na faculdade de Direito. Entrou com todos os recursos, seguindo seus cursos, e não houve procedimento, mecanismo, estatuto cautelar, tecnicidade, brecha ou pai-nosso que restasse em seu arsenal de medidas e procedimentos a obstar o prosseguimento do processo e ao final inocentá-lo.

— Não tenho mais nada a fazer, Sr. Henrique Vaz. Como conheço nossa lei brasileira, posso fazer o que alguns colegas fazem e entupir os tribunais com pilhas de petições e mandados de seguranças inúteis e tantas outras papeladas imprestáveis, mas nada ajudaria nossa causa. A realidade é que não entendo como após tantas considerações, provas, os juízes e ministros se fazem surdos ao óbvio.

O rapaz não devia estar carregando nos ombros aquela responsabilidade, pois apesar de haver sido pago, o professor deixou o caso nas mãos dele.

Os problemas disciplinares com a Estatal foram relatados no jornal corrente da cidade. Foi despojado de sua dignidade, sua honradez. A linguagem jornalística estava certa — uma condenação por cometer crime equivalente à cassação do cargo público por improbidade administrativa e evasão de divisas.

Ora, se improbidade administrativa é o designativo técnico para conceituar corrupção administrativa, ou seja, o contrário à honestidade, à boa-fé, à honradez, à correção de atitude, ele não havia cometido qualquer ato que o colocasse naquela situação. Mas, o processo dizia que o ato de improbidade cometido por ele era uma omissão praticada no exercício da função, possibilitando seus comparsas a enviarem divisas para um banco na Suíça. E o enquadraram em violação ao princípio da Administração. Seu enquadramento foi feito baseado na Lei 8.429 /92, também conhecida como Lei do “colarinho branco”. Havendo a evasão de divisas, também foi processado na área criminal.

Como Fiscal da Estatal recebeu uma proposta de um candidato ao Senado Federal, um amigo pessoal, Hudson Carvalho de Morais, que frequentava sua casa e obviamente receberia muitas benesses se tivesse aceitado a oferta, inclusive com a possibilidade de ser remanejado para um cargo de alto escalão no Senado. Mas, a consciência do homem probo o impediu de dar guarida ao pedido. Do outro lado estava o dono de uma empresa fiscalizada pela Estatal que precisava ser fechada. Como Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil tinha em mãos a decisão de proferir parecer no processo administrativo-fiscal; examinando a contabilidade daquela sociedade empresarial e em seguida encaminhar sua conclusão ao Procurador-Geral que normalmente cumpria o hábito de enviar ao Ministério Público Federal solicitando o fechamento da empresa com averiguação de irregularidade fiscal. Este era o caso. Se ele o fizesse antes das eleições, prestes a acontecer, estaria colaborando com o amigo e aceitando tacitamente uma proposta indesejável para seus princípios morais. O cargo de Senador seria indubitavelmente de Hudson Carvalho de Morais e não de Ricardo Tomaz Aquino.

Henrique entrou em contato com seu superior hierárquico, via telefone e solicitou orientação. Deveria ele enviar o processo com um despacho para o fechamento da empresa, antes das eleições? O outro do lado do telefone foi peremptório. — Não! Era preciso esperar o deslinde da questão, afinal faltavam apenas dez dias para o pleito eleitoral.

Ingenuamente fez questão de que todos soubessem que não ajudaria Hudson Carvalho de Morais. Ficaria neutro na questão e só encaminharia o processo com o pedido de fechamento da fiscalizada, assim que passassem as eleições.

Em seu pequeno mundo Henrique Vaz era conhecido como uma pessoa determinada, trabalhadora e sem ambições mirabolantes. Em todas as áreas em que operou dentro da Estatal antes de prestar o concurso para Auditor Fiscal era o auxiliar dos companheiros, ouvindo seus problemas, tentando solucionar com diplomacia qualquer empecilho familiar ou financeiro, sempre com suas planilhas contábeis, demonstrando a possibilidade de o colega sair do vermelho sem precisar se endividar mais.

Um ano depois de ser indiciado nos dois processos, um na área cível e outro na criminal, resolveu fazer o vestibular para a Faculdade de Direito. Seria sua forma de entender os entremeios daquele intricado caso vivido. Além de receber a sentença que lhe retirava a função pública por improbidade administrativa ainda foi trancafiado a bem da sociedade.

Nesse ínterim, recebeu uma correspondência. Todos os prisioneiros são fissurados por correspondência. Também ele vivia à espera de alguma esperança vinda de fora do presídio. O envelope endereçado de uma firma de advogados em Curitiba, no Paraná, que representava sua mulher, a qual, para sua surpresa, requeria o divórcio.

Em questão de semanas, Izabel tinha deixado de ser sua esposa. A solidariedade professada chegava ao fim. Leu os documentos em estado de choque, olhos molhados, as carnes do corpo tremendo sem parar. Fugiu para sua cela e desabou na crise de choro, impossível de ser apreciada numa prisão.

Quando foi preso Beatriz tinha apenas dois meses de vida. Era o pequeno tesouro do casal. Foi condenado a 20 anos de prisão. Mesmo com o relaxamento da pena e conseguisse sair em dez anos, Bea já seria uma pré-adolescente. Ele teria perdido toda a infância da filha adorada. Não o conheceria quando pudesse sair daquele buraco. Atrás das grades Izabel não levaria uma criança para vê-lo. Por mais que quisesse abraçar sua filha isso lhe seria negado pela ex-mulher.

Lutar contra um divórcio dentro de uma prisão é ação inexequível, ainda mais quando se sabe que não se vai sair tão cedo. Deixara no nome da filha a casa adquirida, num bairro popular da cidade e o carro já estava em nome da ex-mulher. Foram os poucos bens que lhe sobraram daqueles anos de trabalho. Começar de novo seria a solução, quando saísse da prisão.

Quatro anos depois de dar início na faculdade de Direito já trabalhava meio horário num escritório pequeno da capital de Minas Gerais e podia estudar recursos e entrar com petições em conjunto com um dos advogados da firma a que se engajara, preparava testamentos simples e um ou outra escritura e analisava processos de colarinhos-brancos, com o intuito de aprender para se safar de seu processo.

Estava num campo prisional de referência no Brasil. Para muitos aquilo era um resort. Sem muros, cercas, arames farpados ou torres de controle. Mantinham os presos com uma tornozeleira. Não havia  como sair do alcance policial.

O sistema prisional brasileiro vivia superlotado. Além de vagas, faltava pessoal e infraestrutura, mas as tornozeleiras eletrônicas monitoravam os detentos. Adotadas há pouco mais de um ano em Minas Gerais, os equipamentos tinham alcance satisfatório. Existiam tornozeleiras para vigiar 1.815 detentos, na Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds) entre presos do regime aberto e domiciliar. Naquele presídio optou-se pelo sistema, que demonstrava eficiência.

Apesar dos 58 mil presos no estado, a tecnologia não conseguia englobar todos os presos. Ela fica restrita à Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O uso de tornozeleira em detentos fez reduzir de 70% para 15 % casos de reincidência.

Deputados questionavam o uso de tornozeleiras eletrônicas por homicidas e traficantes

Quem usava o aparelho ficava sob vigilância 24 horas por dia pela Central de Monitoração da Seds. Se o preso descumprisse horários de ficar em casa e no trabalho, deixava de carregar ou violava o equipamento, um sinal era emitido para a central, ele se tornava imediatamente foragido da Justiça e perdia o benefício da liberdade. Desde dezembro de 2012, 2.306 pessoas foram indicadas pelo Judiciário para usar o equipamento, sendo 275 por causa da Lei Maria da Penha, uma lei que protegia a mulher da violência marital, que há um ano havia sido contemplada com as tornozeleiras. Nesses casos, se o agressor desrespeitasse a distância mínima da vítima, que dispunha de um aparelho semelhante a um celular, a tornozeleira  emitia sinal e funcionários da central ligavam para a mulher e alertavam a Polícia Militar.

A monitoração eletrônica é uma das medidas cautelares previstas pelo Código de Processo Penal. Substituía a prisão preventiva e era aplicada a réus primários cujos crimes somam pena de até quatro anos, dando ao acusado o direito de responder o processo em liberdade provisória. Agora, também implantada naquele presídio e demonstrando bastante êxito.

Hoje, no Presídio das Andradas, após todas as reformas e ampliações, há 600 presidiários, e, com algumas exceções, um grupo de homens bem comportados. Aqueles que tem no currículo um passado de violência aprenderam sua lição e valorizam este ambiente civilizado. O presídio pode até ser chamado de lar. Muitos dos detentos de carreira não fazem questão de ir embora. Estão institucionalizados, não conseguem mais viver do outro lado das grades. Cama quente, três refeições por dia, banheiro privativo com água quente, assistência médica e os parentes podem levar televisão para o quarto amplo de seis metros quadrados. Como conseguir algo melhor no lado de fora, junto com a pecha de presidiário?

Lógico que não era um lugar aprazível, mas para muitos que ali se encontravam era um teto, quase um lar.

Homens como ele nunca sonharam estar naquele ambiente. Cair tanto era algo impensável. Homens com profissões estáveis, carreiras, empresários, homens com bens, boas famílias e sócios de clubes como Lions ou Rotary, ou no caso de um maçon, nada daquela realidade seria imaginada.

Na turma dele eram homens assim. Constava um oftalmologista, Carlos Zang, que se dedicava a operações plásticas, sem o devido registro ou capacidade técnica;. Emilio Koze, especulador imobiliário que hipotecava os mesmos terrenos vendidos dezenas de vezes; um banqueiro Josué Rentez, liderando organização criminosa, praticava crimes contra a ordem tributária, crimes contra o sistema financeiro, crime de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, dentre outros; um ex-senador da República que aceitou suborno; um outro Auditor Fiscal da Receita Federal que aparava arestas em declarações de imposto de rendas..

Finalmente ele, .Henrique Vaz, 32 anos, condenado por um crime que não imaginava ter cometido. Na verdade é dentre eles o único peixinho pequeno cumprindo pena de colarinho-branco. Uma certa relevância.

Para os colarinhos-brancos, o castigo é a humilhação, a perda do status, de uma posição, de um estilo de vida. Para os demais, sem instrução ou formação acadêmica, a vida na prisão é mais segura do que para os que vivem fora da jaula. O castigo deles é mais uma anotação em sua ficha criminal, outro passo na Universidade do Crime. Também para eles há uma certa distinção.

Dentre aquela turma ainda constavam mais dois advogados. Roni Veighrt, havia sido um advogado excepcional, com escritório próprio em São Paulo, onde atendia empresários com problemas tributários. A cocaína foi sua perdição. Não conseguiu controlar o vício. Envolveu-se com mulheres, roubo, prostituição e por fim perdeu todo seu patrimônio, inclusive mulher e filhos. Ultimamente ele andava deprimido. Não conseguia sair para tomar sol com os demais, deixava os exercícios de lado, mal se alimentava e andava cheirando mal. Foi ficando lento, magro, curvado e doente. Ele era o alto astral da turma. Contava histórias fascinantes de seus clientes e suas aventuras entre as prostitutas, mas agora só ficava estagnado no banco de sempre, olhar vazio. Não recebia visitas, nem qualquer dinheiro porque também não trabalhava dentro da prisão e a verba de auxílio reclusão era paga direto à família. Ele não havia pago previdência e não deixara bens, assim, a família requereu e acabou por receber aquele auxílio.

O segundo advogado havia chegado algum tempo mais tarde e era o doleiro Adad Basssef, que após sucessivas reuniões para ajustar os termos do acordo, Bassef e seus advogados assinaram o documento em que ele se comprometia a revelar detalhes do esquema de lavagem de dinheiro e corrupção numa empresa estatal de grande porte no Brasil. Assim, Adad Bassef fez um acordo de delação premiada.

“Confirmo que o acordo está assinado e definido, mas não posso revelar as condições por força do sigilo profissional”, declarou o advogado criminalista Antonio Batista Guedes, defensor de Bassef.

As condições do acordo foram definidas e Bassef já pode começar a depor perante um grupo de procuradores da República e a Polícia Federal. O acordo, porém, só teve validade com a homologação feita pelo Supremo Tribunal Federal — a Corte é competente para o caso porque deputados são citados como beneficiários de propinas.

O acordo segue praticamente a mesma linha da delação do ex-diretor de Compras da estatal, Pedro Paulo Silva, apontado pela Polícia Federal como parceiro de Bassef. O ex-diretor, depois da delação premiada, prestou longos depoimentos à Procuradoria, ganhou o benefício da prisão domiciliar e foi transferido para sua casa, no Rio de Janeiro.

Bassef é réu em cinco ações, denunciado por organização criminosa, corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Na iminência de pegar pena superior a 50 anos de prisão, ele decidiu fazer o acordo de delação.

O doleiro já havia feito delação em outro caso, o escândalo de um Banco Estadual. O esquema de evasão de divisas nos anos 1990 ocorreu através da cidade de Foz de Iguaçu, no Paraná. Ao ser preso pela Operação em março daquele ano, contudo, o acordo foi cancelado e a Justiça reabriu duas ações penais do caso Banco do Estado contra ele. Em uma delas ele já foi condenado a quatro anos e quatro meses de prisão por corrupção.

Agora formado e, dos três advogados na prisão, Henrique é o único a ajudar os demais presos. Gosta de trabalhar, porque não pensa na atual situação. O ócio é inimigo da esperança. Manter-se ocupado e treinar suas habilidades jurídicas vão deixá-lo afiado para enfrentar o mercado fora da jaula.

Por bom comportamento sai o ano que vem. Os seis anos encarcerado o fizeram aprender que ingenuidade chega às raias da burrice. Não sabe bem o que fará quando isto tudo acabar, mas tinha certeza de tocar sua carreira de advogado, sem a ajuda de ninguém.

O cronista Gabriel Garcia Márquez

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O jornalismo ocupa um espaço de especial importância na obra de Gabriel García Márquez. Funciona como laboratório para sua escrita. Embora tenha produzido um número expressivo de trabalhos literários e jornalísticos, o objetivo desta crônica está centrado na produção das crônicas do autor colombiano.

A atividade de García Márquez como cronista inicia simultaneamente à sua caminhada jornalística. A consagração desse pendor literário do escritor acontece a partir de 1980. É o momento que assinala seu retorno às páginas do jornal El Espectador, de Bogotá, o periódico que ele havia deixado 20 anos atrás, quando publicou o último texto da série Jirafas. Sua coluna diária foi mantida por mais de um ano sob o pseudônimo de Septimus, nome inspirado no personagem de Virginia Woolf. Inúmeros pseudônimos, aliás, era uma constante na vida de Garcia Márquez.

Afastado das redações, posto que assoberbado entre suas atividades com compromissos políticos, reportagens de campo e a produção de seus romances, retoma o ritmo da escrita jornalística, e assume a tarefa em outubro de 1980, voltando a escrever uma crônica por semana. Como ele próprio afirma “com a mesma alegria, a mesma vontade, a mesma consciência, a mesma alegria e muitas vezes com a mesma inspiração que teria para escrever uma obra maior”.

Nos primeiros quatro anos da década de 80 o escritor produziu 167 crônicas, que foram publicadas também em outros importantes veículos da imprensa internacional como os jornais The New York Times, La Nación, El País e El Tiempo e, as revistas: Cambio, Time e Vogue. A razão de escolher falar sobre suas crônicas é mostrar como se comporta o cronista García Márquez desde o ponto de vista de suas posições ideológicas de esquerda. O mesmo vale para conhecer suas reações quando o tema diz respeito ao universo dos escritores.

A partir desse entremeio foi possível chegar às relações que o Jornalismo mantém estreita relação com a Literatura. É a época do advento do novo jornalismo. Passaram a se ajustar ainda mais pois foi à Literatura que a imprensa recorreu para conferir às crônicas e reportagens um novo olhar sobre a notícia. De lá para cá, depois de Truman Capote, Gay Talese, Tom Wolfe, entre outros, os limites entre o fazer literário e o fazer jornalístico deixaram as fronteiras e se aportaram nas crônicas.

Dessa hibridez, os textos ficam na ambiguidade entre a ficção e o jornalismo. Agregam características marcantes como a ambivalência, a fragmentação e a subjetividade. Esse caminho permite ao escritor colombiano recuperar sua boa forma no escrever e sua impulsão ao eleger temas pertinazes ao complexo momento político e social enfrentado pelo mundo no início da década de 80. Mas, da mesma maneira permite que García Márquez perambule entre a ficção e o cotidiano, usando de seu refinado e perspicaz humor para tratar de assuntos triviais também eleitos por consagrados outros escritores. Tudo isso acomodado nas várias camadas que a arquitetura do texto supõe. O que desvela um cronista erudito, entranhado à sua dedicação visceral com as palavras e à tessitura da narrativa. Não, com isso, o afasta de seu compromisso com o jornalismo, o de informar.

A Chama Feroz – Capítulo 1

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Capítulo 1


 

OS OLHOS MUITO ABERTOS, Sheila Queiroz observou as agitadas pessoas embaixo e sentiu uma onda de vertigem.

— Como consegui chegar aqui?

Fechando os olhos, ela segurou com mais força a mão de seu tutor. Ele levantou o braço dela, numa saudação àquela gente. Estavam ali para saudar a nova líder. A garantia de terem escolhido certo era o governante anterior. Ele estava ali. O povo ovacionava a ele e a ela. Sua sucessora.

— Ganharemos dinheiro – sussurrou seu colega, excitado. – Olhe, ele está ali!

— Onde?

Seguindo a linha de visão de seu amigo, Sheila Queiroz ajustou os olhos e divisou a figura no meio da multidão. Ele vestia um terno cinza e sorria exultante.

Mas ela não era qualquer pessoa. Tinha princípios. Queria moralizar.

— Está brincando comigo? — Sheila Queiroz franziu a testa. Abaixo dele, o povo continuava a aplaudir parecia balançar ameaçadoramente, os antigos túmulos de políticos desonestos. Eles acreditavam nela e… nele.

— Não consigo ver nada. Tem certeza de que é ela? Como ficou diferente. Ela chega a estar bonita. — comentou um dos presentes.

Seu colega sorriu.

— Não com aquele ar de soldado. Tenho certeza de que é ela. Com plástica, é claro!

À sua esquerda, Sheila escutou os cliques das câmeras. Seu rival também tirava fotos. Focalizou mais uma vez o zoom e começou a fotografar.

“Vamos, doçura. Dê um sorrisinho para o papai”. Será que isso que ele está pensando, ironizando no interior. Sheila tripudiava de seu rival, dando-lhe um sorriso para a foto.

Nos dois discursos que proferiu — no Congresso Nacional e no Parlatório do Palácio do Planalto — a nova governante reafirmou seu compromisso de campanha. Iria combater a miséria e erradicar a pobreza. Falou também em mudanças no sistema de impostos e fez um aceno à oposição.

Em seu discurso ela, afirmou sua luta obstinada pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos. O povo delirava.

Sheila falou da defesa da liberdade, de culto e de imprensa, disse que a corrupção seria combatida permanentemente e estendeu sua mão aos partidos de oposição.

Ela se comprometeu ser a governante de todos. Não pretendia discriminar ninguém, nem mesmo seus opositores. Ainda se comprometeu a fazer melhorias nas áreas de saúde, educação e segurança.

Para dar continuidade ao ciclo de crescimento atual, a eleita afirmou ser preciso garantir a estabilidade, especialmente a estabilidade de preços, e seguir eliminando travas inibitórias ao dinamismo da economia, facilitando a produção e estimulando a capacidade empreendedora do povo.

Ela defendeu uma máquina administrativa mais eficiente e medidas para racionalizar o sistema tributário.

— É inadiável a implementação de um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário, orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade. O uso intensivo da tecnologia da informação deve estar a serviço de um sistema de progressiva eficiência e elevado respeito ao contribuinte, asseverou.

No discurso, a presidente reafirmou seu compromisso com os valores democráticos. Ela preferia uma imprensa livre ao silêncio imposto nas ditaduras. — Sou amante da mais plena democracia e da defesa intransigente dos direitos humanos.

Sheila agradeceu a oportunidade que a história lhe dava de governar seu País.

Prestou homenagem ao seu tutor e ex-governante.

— Trabalhar com o governante Duda todos esses anos me deu a dimensão do governante honesto, íntegro e do líder apaixonado por seu país e por sua gente. A alegria que sinto pela minha posse se mistura com a emoção da sua despedida do Governo.

Enquanto Sheila falava Henrique Thomaz pensava. “Você pode enganar este povo por algum tempo, mas se depender de mim logo, logo, você estará desacreditada. Sei que tem pólvora debaixo desse telhado. Vou riscar o fósforo!”

Seja um ser humano melhor

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Sócrates, um dos fundadores da filosofia ocidental, foi considerado o homem mais sábio da terra pelo Oráculo de Delfos. Quando Sócrates ouviu que o oráculo tinha feito tal comentário, ele acreditava que era um erro.

Sua resposta: “Só sei que nada sei”.

Se um homem inteligente como Sócrates diz que nada sabe, como serão os demais homens, dentre nós? Ao ouvir essa sabedoria paradoxal pelo meu professor de filosofia, imaginei o quanto devia ler e aprender nessa vida, para chegar a um patamar meramente suficiente. Esta frase teve um impacto tão grande em mim que eu a usei como minha principal estratégia de aprendizagem.

“Só sei que nada sei” significa, para mim, que você pode ser uma pessoa educada, bem formada, mas, ainda assim, você não sabe nada. Você pode aprender com tudo e com todos.

Uma coisa que eu adoro é aprender com os meus erros, mas também com os erros dos outros. É de suma importância prestar atenção ao nosso redor e aprender com as minúcias que a vida nos presenteia. Ao longo dos anos fui abençoada por conviver com grandes mestres, professores, família e amigos que me ensinaram sobre a vida.

Aprendi coisas importantes com outras pessoas e com a prática da leitura que me fizeram viver melhor. Algumas das lições levaram muito tempo para eu compreender, mas, se eu tivesse que aprender tudo sozinha, demoraria muito mais.

Podemos aprender várias coisas rapidamente, coisas que eventualmente esquecemos e que precisamos nos lembrar que já as aprendemos.

Não se queixe. Queixar-se é o maior desperdício de tempo que existe. Ou você toma uma atitude para ao que o incomoda, ou você se cala e segue em frente.

Passe muito tempo com as pessoas que você ama. Sua família e os seus melhores amigos são as pessoas que você ama. Se você não tem uma família, crie uma. A maioria das pessoas na vida é apenas visitante. Família é para a vida.

Não entre em um relacionamento se você não ama a outra pessoa.

Faça exercícios diariamente. Cuide de sua saúde. Coma corretamente. Um corpo saudável é o lugar onde você tem que começar tudo na vida. Não se arrependa depois.

Uma coisa importante é ter um diário. Ele o ajuda a se tornar um melhor pensador e escritor.

Outra bastante inteligente e eficaz para viver melhor: pratique a gratidão.

Diga ‘obrigado’ a todos e a tudo. “Obrigado por este belo dia.” “Obrigado por seu e-mail.” “Obrigado por estar lá para mim.”

Não se preocupe com o que as pessoas pensam. Todos nós morreremos no final, você realmente acha que é importante dar valor ao que as pessoas pensam de você?

Assuma mais riscos, não seja covarde. A vida é para ser vivida.

Escolha uma paixão, não um trabalho. Só assim compreenderá o que é amar o que se faz.

Se você quer se tornar bom em alguma coisa, você precisa passar anos e anos praticando. Você não pode fazer isso se pular de emprego em emprego. Escolha algo que você ama fazer e comece por baixo. Você vai encontrar o papel perfeito para você na vida.

Quando você se encontrar em uma situação onde todos olham um para o outro, sem saber o que fazer, é hora para você liderar. Você será um líder quando você decidir se tornar um. Não há nenhuma iniciação ou título. Apenas uma decisão. Liderar não é mandar e, sim, ser admirado e seguido em suas opiniões e escolhas.

Dinheiro não é importante. Realmente não é, mas você tem que aprender a não se preocupar com o dinheiro. Não se torne dependente dos bens materiais que você adquiriu na vida.

Seja uma boa pessoa. Você pode ser alguém que não toma desaforos e ser uma boa pessoa. Só não insulte as pessoas, achando que você é melhor do que elas ou aja como um idiota.

Você tem que treinar seu cérebro para ficar alerta. Você não tem que ler um livro por dia para aprender todos os dias. Aprenda com seus erros. Aprenda com as pessoas ao seu redor – esteja aberto para o que eles podem lhe ensinar.

Descanse antes de você ficar cansado. Mesmo se você ame seu trabalho e todo dia lhe parece ser um feriado, você precisa ter tempo para descansar. Você é um ser humano e não um androide, nunca se esqueça disso.

Não julgue. Só porque as pessoas fazem escolhas diferentes do que você, elas não são estúpidas. Além disso, você não sabe tudo sobre as pessoas, por isso não as julgue. Ajude-as.

Pense nos outros. Basta estar atento, isto é tudo. Todos nós temos famílias, contas a pagar e os nossos próprios problemas. Não faça tudo ser sobre você mesmo.

Faça sem esperar algo em troca. Não tire vantagem. Você vai se tornar uma pessoa amarga se você fizer isso. Faça algo apenas pela alegria de fazer. Se você receber algo em troca, ótimo, se não, ótimo também.

Como espécie humana temos a tendência de sempre chegar a algum lugar. Esqueça isso. Apenas exista, apenas seja, apenas aprenda. Não tente querer saber tudo. Aproveite sua jornada. Desfrute das pequenas coisas.

Não se leve muito a sério. Sei que você é um indivíduo, e as pessoas têm de levá-lo a sério, eu entendo. Mas, no final do dia, nós somos uma massa ignorada que tenta perseguir as mesmas coisas. Seja leve.

Não culpe as pessoas. Todos somos aprendizes nessa vida. Também não se culpe – você é apenas humano.

Deixe um legado, você não estará aqui como espectador, mas crie algo de bom para ser usado. Criar uma música, escrever um livro, construir uma mesa, qualquer coisa. Você vai se sentir bem consigo mesmo e ainda vai dar algo para as pessoas poderem usar.

Não olhe para trás por muito tempo. Deixe o passado e siga em frente. Use-o como aprendizado. Refletir sobre o passado só é bom para uma coisa: Aprendizagem.

Não fique sentado, faça algo. Sem ação, não haverá nenhum resultado. Jamais.

Você pode achar que sabe muito. Pode até realmente saber muito. Mas, como Sócrates, você e eu não sabemos nada. Então nós temos que continuar aprendendo. E isto nos fará hoje viver melhor que ontem.

Na esperança da cura

Queridos leitores.

Muitos tem escrito e procurado saber porque não escrevo mais no blog, por isso achei necessário dizer a todos que estou com problema na visão. Tive trombo (um coágulo arrebentou no fundo dos olhos). Isso ocorreu nos dois olhos e assim fiquei impedida de ler e escrever. Esta mensagem está sendo escrita no word e no tamanho máximo possível das letras, para que eu pudesse transmitir a vocês o que achei necessário.
Se alguém estiver passando por algum problema. Como eu no momento, deixo uma oração muito bonita e acredito que a fé remove montanhas. Assim, espero ajudar quem precisa. Muita luz para todos.

ORAÇÃO

Tu és o Médico divino.
Tu dás a Vida e a Vida em plenitude àqueles que Te buscam.

Por isso, hoje, Senhor, de um modo especial, quero pedir a cura de todo tipo de doença, principalmente daquela que me aflige neste momento.
Eu sei que não queres o mal, não queres a doença que é a ausência da saúde, porque és o Sumo Bem.

Opera, em mim, uma profunda cura espiritual e, se for da Tua Vontade, também uma cura física.

Que seja operada diretamente pela ação poderosa de Teu Espírito Santo ou através do médico e dos remédios !

Aumenta a minha fé no Teu Poder, Senhor, e no infinito Amor que tens por mim.

Aumenta minha fé, Senhor, que às vezes se encontra tão enfraquecida. Eu acredito no Teu poder curador, meu Deus, e já agradeço humildemente por toda obra que estás realizando em meu coração e em meu corpo, neste momento.
Além de mim, Senhor, quero também apresentar, todos os doentes que me pediram orações.

Tu conheces a cada um deles, sabes as provações pelas quais estão passando !

Tem misericórdia, Senhor, vem em socorro também destas pessoas que padecem enfermidades. Senhor, eu Te bendigo, porque clamei a Ti e Tu me ouviste.

Minha alma, por Tuas mãos benditas, foi tirada da escuridão.

Ó fiéis do Senhor, cantai a sua glória, dai graças ao seu Santo Nome, porque só Ele é poderoso e digno de eterno louvor.
Aleluia !