As areias mornas de Caiobá

sentada na sacada olhava o mar

            Natália olhava o mar de Caiobá. Sentada na sacada parecia ver a figura dele andando pela areia. Chegava a sorrir ao imaginá-lo acenando alegremente.

            Ligou para Carlos Eduardo. Precisava ouvir sua voz. Ele costumava escutar música clássica no final da tarde. O som entrou pelo telefone. Era Debussy. Carlos Eduardo apreciava Debussy.

            O marido dizia que “ninguém sonhara que Achille Claude Debussy chegaria algum dia a ser um grande artista. Aquele era um luxo impossível para a modesta pobreza dos Debussy”. Voltou a prestar atenção ao som da música. Tinha certeza que era Nuvens de os Três Noturnos. Conforme Carlos Eduardo, os Noturnos haviam representado um degrau na produção debussyniana. “A orquestração é mais atrevida do que em suas peças anteriores e o sistema harmônico alcança inovações insuspeitas diante do pleno aproveitamento das escalas orientais e gregas, que o mestre conseguiu tirar. Ele conseguiu juntar um mundo de sonhos por meio de sensações novas”. Carlos Eduardo simplesmente delirava ao ouvir Debussy e em especial os Três Noturnos.

            Prestou atenção a ele. Quando você pretende voltar? Ele falava da casa de praia no condomínio Atami, onde passavam as férias de verão. Continuou a conversa, discorrendo sobre a rotina, o trivial. O desejo de ouvi-lo passou. O encanto daqueles momentos diante do mar de Caiobá quase evaporou. Respondeu com secura. Só o faria no dia seguinte. Depois se arrependeu do tom, mas pareceu-lhe ele não ter notado.

            Voltou a ouvir o som do mar, naquele seu murmúrio contínuo. O sol se punha no horizonte. Ainda com as notas musicais no ouvido apreciou a beleza presente na Natureza.

            Foi num fim de tarde assim que ela se entregara a Murilo e ao seu amor. As areias mornas, pelo sol do dia inteiro, receberam os corpos dos dois.

            Olhou em derredor. A sala onde tantas vezes estiveram juntos parecia intacta. O sofá onde saciaram a sede da paixão que os envolvia parecia o mesmo. Ainda estava lá, como para testemunhar aquele amor. Mas o amor… O amor já não existia. Ou existia dentro dela?

            Seu amor por Murilo fora feito de tantos encontros e desencontros, tantas alegrias e uma profunda tristeza.

            O seu trabalho no escritório a fazia dedicar-se inteiramente a advocacia. Seu tempo pessoal era escasso. Viera de uma infância pobre, órfã de mãe e abandono de pai. Fora o arrimo familiar, desde tenros treze anos, juntamente com os dois irmãos mais velhos, dos quatro mais novos. Depois de formada seguira seu caminho. Saíra quase como uma fugitiva de sua pequena cidade no interior do estado de São Paulo. Seguira para Curitiba, a convite de alguns advogados, para fazer parte do escritório. Aquilo a entusiasmara. Era sua oportunidade. Salto ficara para trás e sua família também. Os irmãos a condenaram. Não aprovavam seu afastamento da família.

            Já fazia muito tempo que trabalhava no escritório quando conheceu Carlos Eduardo. Fora ela a advogada a acompanhá-lo na audiência de separação. Depois ele não mais a procurara, apesar de havê-la encantado com doces palavras.

            Murilo, também advogado do escritório, descobrira, de um momento para outro, seu interesse por ela.

            Naquele tempo, além de suas pinturas, tinha Murilo. Sua solidão parecia desvanecer-se diante da alegria quase infantil dele.

            Fê-la conhecer pai Joaquim, como o chamava. Aprendeu a amar aquele velho negro com o mesmo amor que Murilo lhe dedicava. Visitavam constantemente pai Joaquim, na pequenina casa caiada de branco no sopé da Serra da Graciosa. Ouvia, feliz, lendas sobre os Orixás. Outras vezes se deliciava com seu hobby e pintava o velho negro enrodilhando a fumaça de seu cachimbo, sentado à frente da pequena casinhola.

Pai Joaquim lhe falava de Oxum, seu orixá protetor. E pedia que ela seguisse o rio de Oxum porque lá estava seu destino.

            Ficou encantada com o ramalhete de flores encontrado sobre a mesa de sua sala no escritório e um cartão com palavras que a emocionaram.

            A partir daquele dia ele passou a presenteá-la com um ramo de flores silvestres todos os dias e enchê-la de mimos.

            Numa noite, após irem ao Teatro Guaíra e se enlevarem com a Orquestra Sinfônica interpretando Brams, Rachmaninov e Ravel, convidou-a para verem a lua na Serra do Mar. Apesar do susto inicial, seguiu Murilo na busca do romantismo do luar.

            A lua cheia e redonda iluminava o asfalto. Ele a convidou para apreciarem o espetáculo. Saíram do carro e foram plenamente iluminados. Ele a tocou de leve inicialmente, depois ela sentiu sua urgência. Entraram no carro e se amaram até a madrugada. Depois dormiram nos braços um do outro, extenuados pelo amor.

            O telefone tocou novamente e tirou-a de seus pensamentos. Pensou em não atender, mas sabia que era ele. O marido devia estar sentindo a sua falta. Atendeu amuada, porém não deixou transparecer na voz.

            Ele queria saber se estava tudo bem, se havia pagado o condomínio e se a porteira vinha mantendo o apartamento limpo?

            Respondeu a todas as perguntas práticas do marido e despediu-se dele. No dia seguinte estariam juntos, era melhor dormirem.

            Voltou às suas lembranças e de tantas vezes que se deitaram, Murilo e ela, nas mornas areias de Caiobá. Já agora a lua cheia estava empinada no céu. Preferiu tentar dormir, mas a mente estava revolta e cheia de fatos já passados.

            Fora praticamente um ano de amor até que, também em Caiobá, recebera a notícia que mudaria sua vida.

Eles se separaram no final do ano. Ela acostumada a uma vida mais pacata preferiu ficar em Caiobá e esperá-lo. Seriam alguns dias de separação, para que pudesse se refazer da vida social agitada. Sua solidão desaparecera, mas sua vida se agitara. Murilo fora a Nova York passar o Natal e Ano Novo, enquanto aproveitava para solucionar um caso difícil do escritório. Um acidente de avião na volta de Nova York. Murilo estava morto.

A notícia lhe caíra como uma bomba. A subida da Serra do Mar, o caixão fechado, os pais dele que ela não conhecia, os amigos do escritório, tudo parecia o desenrolar de um filme de terror.

A solidão voltou a ser sua companheira. Ninguém a procurava. Tirara férias para beber sua dor até o último gole.

Seu único lenitivo foi procurar pai Joaquim. Ele era o único elo verdadeiro entre ela e Murilo. As semanas foram passando e quando voltou de férias seu coração já estava mais leve da dor.

Nessa época Carlos Eduardo voltou a procurá-la. Insistiu com sua companhia. Mostrou-lhe um mundo de altas rodas sociais. Veio-lhe à memória uma das primeiras noites em que saíra com Carlos Eduardo.

A noite estava clara, apesar da lua crescente. Era agradável respirar o ar noturno de Curitiba. Naquele junho já se começava a sentir a caída da temperatura, mas a noite mostrava o céu negro salpicado de estrelas.

            Carlos Eduardo a observava do carro. Colocara um vestido preto curto com uma pequena pelerine em veludo, sobre os ombros, que lhe caíam muito bem. Trocara o Paris pelo J’Adore, da Cristian Dior. Não queria que o odor do perfume lhe trouxesse à lembrança a figura de Murilo.

            Ele a levou até o Challet Suisse, em Santa Felicidade.

            O restaurante era numa casa em estilo suíço, construída bem no alto do terreno, toda rodeada por jardins, extremamente bem cuidados. A iluminação indireta e amarelada sobre as plantas conferia-lhe um ar bucólico.

            Sua alma de artista encantou-se com a cena.

            Carlos Eduardo, percebendo o encantamento de Natália. Brincou:

            — Pena você ter esquecido a tela e os pincéis, não?

            — Não se preocupe, eu tenho ótima memória. — Completou Natália, já imaginando como ficaria bela aquela cena impressa numa tela.

Já no interior, eles penetraram no amplo e agradável ambiente, com o ar impregnado de cheiros e odores de pratos deliciosos, flores e perfumes. Grupos de pessoas elegantemente trajadas sentavam-se aqui e acolá. A conversa discreta daquela gente despertara em Natália a sensação de um mundo distante daquele vivido com Murilo.

 Olhou o ambiente e se sentiu feliz em companhia de Carlos Eduardo, porém aquilo não a entusiasmaria a casar-se com ele, no entanto a perspectiva maior e mais profunda ao seu ser era voltada para o fato de constituir uma família. Teria duas filhas adotivas do primeiro casamento dele e a possibilidade de ter filhos seus. Encantou-se com a idéia.

Conheceu Armand, o mordomo e amigo pessoal de Carlos Eduardo. Ocorreu a empatia. Percebia nas maneiras sutis e fleumáticas de Armand o carinho por ela e uma aprovação tácita de seu casamento com Carlos Eduardo.

Armand tornou-se seu anjo da guarda. Nas recepções era ele a organizar para que ela recebesse as honras.

Sentiu-se acolhida e amada.

O casamento aconteceu, mas a felicidade completou-se realmente com a vinda de Letícia.

Estava tão envolvida com o mundo de Carlos Eduardo e com o ambiente romântico criado por Armand a cada jantar dos dois na mansão que não percebeu até onde ia seu amor ou sua admiração pelo marido.

Entregou-se à família, a pedido de Carlos Eduardo, esquecendo a profissão e suas tintas. A monotonia tomou conta dela. A memória de Murilo cada vez mais voltava a assombrá-la. Até que o encontrou no Shopping Novo Batel, numa exposição de quadros.

Seu bom senso evaporou-se. Voltou a encontrar o caminho do velho apartamento de solteira e lá, em longas tardes de primavera, esteve novamente nos braços de seu velho amor.

Parecia ter abandonado sua vida.

Armand a observava, mas nada comentava, apenas sentia tristeza por sua solidão e alienação.

Ela fugira até de pai Joaquim, o velho negro que se tornara seu único parente de coração.

Quando finalmente voltou a procurar pai Joaquim e contou-lhe sobre a volta de Murilo ele a olhou demoradamente e simplesmente pediu que ela voltasse a seguir o rio de Oxum, que seguisse seu destino, lá ela encontraria a felicidade.

Procurou Murilo e despediu-se dele. Foi uma despedida mútua, porque Murilo também decidira pela separação.

Depois daqueles dias ele evaporou no ar, não mais o encontrou ou soube dele. Seu psicanalista afiançava que aquilo fora uma criação de sua cabeça. Nada acontecera entre eles. Murilo estava morto. Apenas sua mente o fazia viver.

Nada importava agora. Voltara para sua realidade, seu marido, suas filhas. Ali era seu mundo.

Deixaria o rio de a vida seguir seu rumo.

O tempo passou. A vida a envelheceu. Passou pelo sequestro de Carlos Eduardo, seu sofrimento e insegurança, o afastamento da empresa que ele tanto amava e o viu morrer, definhando lentamente. Bebeu o cálice de sua dor até o fim.

No casamento de Letícia sentiu falta do marido, mas entrando na biblioteca daquela casa que conhecia toda a sua história e guardava os momentos dos finais de noite, quando ambos conversavam sobre a vida e sobre a filhas, sentiu que se despedia de tudo. Uma sensação de dever cumprido.

Naquela tarde, entusiasmada com o lançamento de seus quadros não percebeu o perigo. A chuva fina caía incessante. Ela parou no sinaleiro e esqueceu-se de arrancar. As luzes piscavam: verde, amarelo, vermelho, verde, amarelo, vermelho…Quando se apercebeu da distração, lá estava ele lhe apontando a arma. Sua mente trabalhou incessantemente relembrando os momentos sofridos no sequestro de Carlos Eduardo. A dor, o relato repetido milhares de vezes e jamais esquecido. Resolveu acelerar o carro e fugir dali.

Ouviu um estampido. Um zumbido no ouvido. As mãos amoleceram, soltando o volante.

De repente ela o viu. A mão estendida e o sorriso largo e maroto nas faces. Era Murilo, convidando-a para segui-lo. Estendeu-lhe sua mão, feliz, e sentiu o corpo levitar suavemente. Olhou lá embaixo a cena que ficava.

Finalmente estava livre do rio de Oxum.

1. SÉRGIO: A VERTIGEM DO TEMPO

capa-de-Simbiose-para-Kobo--ultima

Acordou num sobressalto. Corpo lavado de suor.

Resfolegante em busca de uma explicação. Por que daquele pesadelo?

Levantou—se com dificuldade e caminhou até o armário. Sentia—se fraco, não encontrou uma única peça de roupa sua. Eram roupas de outros corpos. Onde estava?

Uma calça e camisa serviram.

Desceria para tomar o café da manhã.

Parou diante do espelho, queria ver se pelo menos a cara ainda continuava a mesma. Gritou.

Ouviu passos. Era Suzana.

— Por que desse grito?

— …dói muito!

— Mas você não deveria estar de pé. Ainda está fraco. Deve ficar deitado até se recuperar.

— Preciso me esforçar, senão vou ficar cada dia mais fraco.

— Quer ajuda para descer? Vamos comer juntos, vem.

Desceu a escada com dificuldade, enquanto a moça o amparava. Mordeu os lábios com força, tentando se livrar daquela dor na cabeça.

No andar de baixo deram com dois homens. A cabeça latejou.

— Quem são vocês?

Os homens se apresentaram.

Hans era o grandalhão, típico alemão. Suas bochechas vermelhas brilhavam sobre a tez muito branca e os cabelos loiros estavam desgrenhados. Bidget tinha certa aura de elegância. Era um homem de estatura mediana, com a careca brilhante e os cabelos pretos apenas ladeando de orelha a orelha até a nuca. Os olhos observadores se fixavam nele. Sentiu a invasão.

— Está melhor, meu caro? — Bidget questionou, tentando parecer tranquilo, mas com uma névoa de dor nos olhos.

— Podem explicar esta situação?

— Não se lembra…? — Hans, cauteloso.

— Lembro apenas das rajadas de metralhadoras sobre mim… — falou de forma mansa.

Os homens olharam-se intrigados.

De repente tudo girou. Desfaleceu.

UMA DEGUSTAÇÃO DO PRIMEIRO CAPÍTULO DE MEU LIVRO SIMBIOSE.

Se houver interesse em adquirir o livro entre em contato com assessoradaescritora@outlook.com

Escrever um livro com o método Snowflake

Escrever um livro com o método Snowflake

 

Conheci esse método alguns meses atrás e venho testando-o na minha última história. A ideia dele é começar pequeno e ir expandindo, melhorando, indo de uma visão geral para então ir adicionando os detalhes. Particularmente venho entendendo mais rapidamente que cara desejo dar para as minhas histórias e como pretendo que seja o final.

Seu criador Randy Ingermanson mantém um site explicando os dez passos para qualquer um poder utilizar o seu método, mas vou tentar jogar uma luz sobre ele aqui também.

A princípio penso que a melhor forma de se preparar para um roteiro -seja esse ou não- é se permitindo um brainstorm das ideias que já teve para a sua história, pois segundo o próprio Randy, você precisa se organizar e colocar as ideias no papel, uma vez que sua criatividade provavelmente deixou vários buracos na sua história e você precisa preenchê-los antes de escrevê-la.

No passo 1 – Escreva uma frase que resuma sua história.

  • Tente usar menos do que 15 palavras.
  • Não coloque nome de personagens ainda.
  • Tente unir a visão geral e pessoal. Que personagem tem mais a perder? O que ele tem a ganhar?

No passo 2 – Pegue essa frase a expanda para um parágrafo.

  • Escreva onde se passa a história, os principais desastres e o final.
  • Você pode utilizar a estrutura de três desastres e um final.
  • O parágrafo terá idealmente cinco frases. A primeira dando uma visão geral de onde tudo vai acontecer, então uma frase para cada um dos desastres e a última para o final.

No passo 3 – Você faz algo parecido com o passo dois, mas para cada um dos personagens principais.

  • Coloque o nome do seu personagem;
  • Uma frase resumindo a história dele;
  • A motivação do personagem (O que ele/ela quer de forma abstrata?);
  • O objetivo do personagem (O que ele/ela quer de forma concreta?);
  • O conflito do personagem (O que o/a impede de alcançar seu objetivo?);
  • A epifania do personagem (O que ele/ela aprenderá, como irá mudar);
  • Um resumo de um parágrafo com a história do personagem.

Um detalhe para todas as etapas: Não precisa estar perfeito, você sempre pode voltar e revisar as coisas a medida em que for aprendendo mais sobre a sua história.

No passo 4 – Agora volte na história, pegue cada frase do seu parágrafo e as expanda para um parágrafo cada. Todos a não ser o último devem terminar num desastre e o último parágrafo contar como o livro termina.

No passo 5 – Escreva uma página descritiva para cada personagem principal e meia página para os secundários. Aqui você conta a história do ponto de vista do personagem.

No passo 6 – Você já tem a trama principal e várias mini-tramas de cada personagem, então volte e expanda o que fez no passo 4, encaixando as mini-tramas, transformando cada parágrafo em uma página inteira.

No passo 7 – Agora comece a escrever tudo o que precisa saber sobre os personagens, fazendo uma expansão do seu passo 3. Lembre-se de ter as informações triviais e as coisas que achar interessante saber sobre os seus personagens também, além de identificar como ele irá mudar ao fim da história. A ideia é que a partir daqui seus personagens “criem vida”.

No passo 8 – Pegue suas páginas-resumo e faça uma lista de todas as cenas que você precisa para transformar a história num livro. Um meio mais simples de organizar isso é com uma planilha, escrevendo cada cena numa linha, com os detalhes mais importantes como quem estará na cena, onde vai acontecer e que ponto de vista pretende usar. Também pode colocar quantas páginas ela terá.

No passo 9 – Pegue as cenas e aumente-as com vários parágrafos, diálogos, objetos, o conflito principal dela, tudo o que conseguir pensar, já utilizando o ponto de vista escolhido. É uma etapa opcional para escritores mais experientes.

No passo 10 – Agora você escreverá de fato o primeiro rascunho da sua história. Aqui você vai concertar o que não achar bom, descobrir os detalhes que estiverem faltando e ter finalmente sua história pronta!

Basicamente é isso, não tem nenhum mistério mas lembre-se de que o método está sendo usado para lhe ajudar! O planejamento de forma alguma é definitivo e sempre que achar algo melhor você pode e deve mudá-lo.

Espero ter ajudado e até a próxima!

3º Encontro Nacional – Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência

Museu-do-Amanha---3o

A Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciências (ABCMC) e o Museu do Amanhã convidam para a solenidade de abertura do III Encontro da ABCMC e da Sessão Comemorativa dos 200 anos do Museu Nacional, primeiro museu de ciências do Brasil.

PROGRAMAÇÃO

16:00
Painel Museu Nacional e os 200 anos
de museus de ciências no Brasil

Alexander Kellner – Diretor do Museu Nacional

Vera Mangas– Chefe da Representação Regional do IBRAM no Rio de Janeiro

Ildeu de Castro Moreira – Presidente da SBPC

Luciane Gorgulho – Chefe do Departamento de Economia da Cultura do BNDES

Coordenação: José Ribamar Ferreira – Presidente da ABCMC

18:00
Solenidade de Abertura do III Encontro da ABCMC*
e Coquetel

Confirme a sua presença no painel pelo e-mail
rsvp@museudoamanha.org.br

DIA 11 SET . 2018
terça-feira, das 16h – 21h

Museu do Amanhã
Praça Mauá, 1 – Centro

*Para mais informações sobre o III Encontro da ABCMC acesse: 3encontroabcmc.com.br

Implante composto por células-tronco protege a retina e recupera a visão

celulas-tronco-para-curar-doenca-nos-olhos

A medicina está evoluindo rapidamente na área oftalmológica. Dispositivo criado por cientistas americanos evita o avanço da degeneração macular relacionada à idade, doença que pode levar à cegueira. A abordagem poderá ser usada para tratar outras complicações oftalmológicas.

Apenas recentemente foi possível criar essas estruturas com células-tronco para substituir as células danificadas pela degeneração macular

A degeneração macular é uma enfermidade ocular progressiva. Ao ser detectada cedo, pode ser tratada. Mas quando chega ao nível mais grave, a perda da visão provocada por ela é irreversível. Para evitar esse tipo de cegueira, cientistas dos Estados Unidos trabalham na criação de um implante composto por células-tronco. A abordagem mostrou-se eficaz em testes com humanos: além de evitar os danos da doença na retina dos voluntários, recuperou parte da visão de alguns deles. Os resultados foram publicados na última edição da revista Science Translational Medicine e podem abrir as portas para o desenvolvimento de novos tratamentos oftalmológicos.

Segundo a equipe, a ideia de usar células-tronco para substituir o tecido ocular danificado não é nova, mas apenas recentemente foi possível criar essas estruturas para substituir as células danificadas pela degeneração macular relacionada à idade (NNAMD, na sigla em inglês), também conhecida como AMD Seca. “O implante experimental que testamos consiste em uma única camada de células do epitélio pigmentar da retina (EPR) derivado de células-tronco”, resume Amir H. Kashani, professor-assistente de oftalmologia clínica na Escola de Medicina Keck, da Universidade do Sul da Califórnia, e principal autor do estudo.
O cientista explica que as EPR são fundamentais à visão, pois funcionam como células fotorreceptoras, que detectam a luz no olho. A AMD seca danifica justamente essas estruturas. “Pensamos que substituir cirurgicamente a área de dano do EPR com as novas células do implante poderia prevenir a perda de visão ou mesmo restaurar parte da visão perdida”, complementa Kashani. O implante é composto por células-tronco embrionárias humanas, que ficam sobre um material não agressivo ao olho, formando uma membrana. O conjunto imita as EPR.

Após testes bem-sucedidos com ratos, os pesquisadores partiram para análises em um grupo pequeno de humanos. O implante foi inserido nos olhos de quatro homens com degeneração macular avançada, que tiveram a visão monitorada durante quatro meses a um ano. O implante foi bem tolerado por todos os participantes e nenhum deles perdeu a visão ao longo do experimento. Um apresentou melhora na acuidade visual — capacidade do olho de distinguir detalhes espaciais, ou seja, identificar o contorno e a forma dos objetos. Imagens pós-operatórias revelaram sucesso na integração das células-tronco dos implantes integrados ao tecido retiniano dos participantes e que as retinas exibiram mudanças anatômicas consistentes com o reaparecimento do EPR.
Terapias restritas

Rafael Yamamoto, oftalmologista chefe do Departamento de Retina do Visão Institutos Oftalmológicos, em Brasília, destaca que a possibilidade de surgimento de um novo tratamento para a degeneração macular é uma ótima notícia para a área médica. “Temos duas formas de degeneração, a seca e a úmida. Para a segunda, tem tratamento com injeções dentro do olho. Já a seca, quando avançada, não se reverte. A única alternativa que temos é o uso de antioxidantes orais, que evitam a perda e a progressão para as áreas mais graves, mas que só é eficaz antes de a doença chegar a estados avançados”, detalha.

Yamamoto destaca que a terapia gênica é uma tema que tem sido bastante explorado na área oftalmológica e rendido resultados promissores. “Em janeiro, por exemplo, foi aprovada nos Estados Unidos a aplicação de um gene dentro do olho que pode evitar que crianças com doenças congênitas fiquem totalmente cegas”, ilustra.

Após o sucesso nos primeiros experimentos, os cientistas planejam testes com um grupo maior de voluntários e voltados para outros tipos de complicações oftalmológicas. “Nossa pesquisa atual foi um estudo de segurança para demonstrar que o implante e a cirurgia são seguros. Eles foram realizados em indivíduos que tinham muito pouco potencial de melhorar ou recuperar a visão. Nosso próximo passo é realizar estudos em indivíduos com potencial visual maior, com uma doença menos severa. Nesses casos, teremos uma ideia melhor de quão bem o implante pode trabalhar para prevenir a perda de visão ou restaurá-la”, adianta Kashani.

Yamamoto também ressalta que os novos testes poderão trazer informações importantes sobre a eficácia do implante. “É interessante testar em um número maior de pessoas. Também vale ressaltar que esse teste foi feito apenas para checar a segurança da abordagem e, ainda assim, constatou melhora visual nos pacientes, o que é um ponto bastante positivo”, detalha o oftalmologista.

Sistema de governo só pode ser alterado com novo plebiscito, dizem juristas

PALACIO.PLANALTO

No calor das discussões e manifestações das redes sociais contra o gasto exorbitante do Governo, em especial com o Judiciário e principalmente com o Legislativo é necessário o debate sobre a mudança do sistema de governo no Brasil. Não adianta entrar em questão com a pauta do Supremo Tribunal Federal (STF). As instituições Deve ser julgada uma ação sobre a constitucionalidade de o Congresso Nacional aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabeleça essa mudança. Ou melhor ainda, a criação de uma nova constituinte, dando amplitude de poder ao povo, através do instituto do plebiscito alargado para alcançar atos administrativos, legislativos e até judiciário que prejudiquem o povo.

Muitos juristas entrevistados sobre o assunto consideram que essa alternativa pode ser válida para modificar a concentração de poder no Executivo, mas não pode ser feita a toque de caixa. Além disso, há todo um rito democrático que precisaria ser respeitado. é nesse passo, que entra a grande mudança, a grande limpeza. Tirando dos políticos a situação de profissão e consequentemente tudo que decorre dela, como aposentador eias e tantas verbas que inviabilizam o orçamento público.

Claro que não há só poder exagerado no Executivo, mas também no Legislativo e no Judiciário. Há se olhar o aumento de salário que esses poderes “legislam em causa própria”, em detrimento de todo o povo brasileiro sofrido e que vive num estado de miséria ou de salários exíguos. Neste ponto criar-se a possibilidade de ouvir o povo e que os aumentos sejam compatíveis para todos.

O Artigo 2º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), na Constituição Federal de 1988, previa que plebiscito realizado em 1993 iria definir a forma (monarquia ou república) e o sistema de governo (parlamentarismo ou presidencialismo). Lógico que nada aconteceu, como dá a perceber a situação do país.

Como sempre as opiniões vêm de cima para baixo, ou seja, de órgãos que estão em situação econômica bastante abastada. Neste caso o STF que opina sobre o semipresidencialismo, porém com muito vagar para o Brasil se adaptar.

Em poucos momentos da história política de um país observaram-se mudanças e revelações tão bruscas e relevantes como as que ocorreram no ano de  no Brasil, com a investigação de crimes de lavagem de recursos relacionados ao ex-deputado federal José Janene, em Londrina, no Paraná. Além do ex-deputado, estavam envolvidos nos crimes os doleiros Alberto Youssef e Carlos Habib Chater.. Da Explanada dos Ministérios, em Brasília, à Polícia e à Justiça Federal em Curitiba, tem-se a sensação que mudanças profundas estão prestes a ocorrer. Mas, não bastam essas mudanças. Existe muito a ser feito na segurança pública, educação, cultura, incentivo à ciência para a melhoria dos negócios dentro da nação, educação, enfim, um sem número de itens.

O plebiscito não pode parar na mudança do  sistema: se presidencialismo, parlamentarismo ou monarquia. Por isso, a interpretação dos juristas entrevistados é de que apenas uma nova consulta popular poderia levar à alteração. “Há o entendimento de que, se um plebiscito disser que ‘sim’, poderia haver mudança no sistema”

É necessário haver uma mudança significativa na Constituição, dita cidadã, para efetivamente dar ao cidadão brasileiro maiores poderes de expressão. Não se pode viver apenas de redes sociais. Um movimento muito maior e amplo é necessário para que as grandes mudanças aconteçam efetivamente. Vamos pensar nisso.