Nossa visão do mundo atual

 

Não é segredo nenhum que estamos num momento de imensas oportunidades e riscos enormes. Embora tenhamos recursos para criar um verdadeiro Céu na Terra, parecemos apenas estar criando um verdadeiro inferno.

Os números são conhecidos, mas não menos aterradores. Nossa população está explodindo, aliás duplicando-se a cada quarenta anos. Nosso meio ambiente está sendo destruído por lepras químicas emanadas da população urbana, da chuva ácida, da destruição da camada de ozônio, do dióxido de carbono e da população tóxica. Nossas florestas estão desaparecendo e os desertos aumentando.

Perto de vinte milhões de pessoas, a cada ano, morrem devagar, sofrendo dores, e desnecessariamente de fome, e mais de setecentos milhões são subnutridos.

Como se não bastasse, pairando como uma nuvem agourenta acima disso tudo, está a ameaça nuclear, que representa a possível eliminação não de culturas e indivíduos apenas, mas de toda a civilização. As ogivas nucleares atuais podem conter poder explosivo equivalente a 20 bilhões de toneladas de TNT, o que é suficiente para lotar um trem e seus vagões enfileirados por quase 7 milhões de km. Esse trem daria a volta na Terra cento e sessenta vezes ou iria até a lua e voltaria oito vezes.

Mesmo que essas armas continuem inativas, ainda assim causam morte e sofrimentos indizíveis, em razão dos testes feitos. Todos os anos, o mundo gasta mais de US$ 1 trilhão em armamento. Contudo, a Comissão Presidencial Sobre a Fome no Mundo estimou que custaria apenas US$ 6 bilhões por ano para erradicar a fome e a destruição do planeta, numa quantidade equivalente menor do que os gastos com três dias de armamentos. Não é de espantar que o Papa Francisco tenha dito porque escolheu o nome de Francisco, lembrando de Francisco de Assis: “Foi por causa dos pobres que pensei em Francisco. Depois, enquanto o escrutínio prosseguia, pensei nas guerras, e assim surgiu o homem da paz, o homem que ama e protege a criação, com o qual hoje temos uma relação que não é tão boa.” Por isso ele deplora a corrida armamentista que mata, sejam as armas usadas ou não.

Portanto, estamos diante de um momento decisivo da história humana, em que há possibilidades incontáveis de um lado, e sofrimento interminável, de outro. Em nenhum outro ponto da história humana, tivemos maiores oportunidades e riscos.

É também notável em nossa era, além do alcance inacreditável e da urgência absoluta de nossos problemas, que pela primeira vez, em milhões de anos de evolução, todas as grandes ameaças à nossa sobrevivência são causadas pelas pessoas.

Problema de ausência de alimentos, poluição e armas nucleares decorrem diretamente de nosso próprio comportamento e de medos, esperanças, fobias e fantasias, desejos e delírios que dão força a tais comportamentos. O estado do mundo, em outras palavras, reflete o estado de nossas mentes. Os conflitos que nos rodeiam reflete os conflitos que temos dentro de nós; a insanidade que existe ali adiante é um reflexo em espelho da insanidade que existe em nós.
O que isso significa é que as atuais ameaças humanas e ao bem estar dos indivíduos são na realidade sintomas de nosso estado mental coletivo e individual.

Para compreendermos e corrigirmos a condição do mundo, devemos entender melhor a fonte tanto de nossos problemas, como das soluções: nós mesmos. Como disse o senador W.F. ” Só com base num entendimento de nossa conduta é que podemos ter esperança de controlá-la de maneira a assegurar a sobrevivência da raça humana”. Nada disso pretende negar a importância das forças sociais, militares e econômicas. Pelo contrário, pretende salientar raízes psicológicas que a sustentam e que em geral, não são sequer mencionadas.

Um exemplo bastante prosaico e cotidiano é o fato de que toda tragédia noticiada por várias vezes pela mídia atual em busca de índice de audiência traz resultados positivos. A mente humana está doente. Ela tem prazer em escutar e ver o sofrimento do próximo. Isso seria um pequeno passo para a mudança do comportamento humano.

Essas raízes psicológicas estão se tornando cada vez mais compreendidas e está em andamento a realização de um trabalho destinado a criar uma psicologia da sobrevivência humana. Já foram identificados muitos fatores psicológicos e alguns deles relacionam-se diretamente a esse comportamento humano distorcido e à sua visão de mundo. Entre eles, estão nosso relacionamento interpessoal, nossa relação com a Terra e com as formas de vida que nela existem.

A visão predominante, no Ocidente, tem sustentado – pelo menos uma perspectiva sutil – que o mundo e tudo o que nele existe serve para nos beneficiar. A Terra em geral tem sido considerada um imóvel inanimado disponível para nossas iniciativas de espoliação.

Quanto às formas de vida existentes, presume-se, normalmente, que como diz o Gênesis “temos domínio sobre os peixes do mar, os pássaros do ar e todas as outras coisas vivas que se movem na superfície da Terra”. Em resumo, vemo-nos como seres separados e superiores a tudo o que está dentro e fora da Terra, e temos abusado dessa perspectiva para justificar a destruição de tudo o que se interpuser em nosso caminho.

Consideramo-nos também seres separados uns dos outros. Embora possamos nos comunicar com todos, relacionarmos, e até mesmo, amarmos, em última instância vivemos e morremos sós. Salientamos a nossa distância em relação aos outros mais do que o nosso elo de ligação com eles, nossa independência mais do que nossa interdependência.

Esta visão de vida coloca poucos obstáculos à nossa agressividade. Apesar disso, através de toda a história, muitas pessoas consideraram que essa sensação de separação é a causa do medo e do sofrimento humanos. “Onde quer que existe o outro, existe o medo” proferiu o antigo texto Upanixades indiano, enquanto em nosso próprio tempo o existencialista J.P. Sartre resumiu uma visão semelhante dizendo “o inferno é o outro”.

Como é diferente desse quadro a visão humanista do mundo. Para o Ser Humano (com letra maiúscula, sim) tudo é Sagrado e vivo, tudo está ligado a tudo e depende de tudo o mais, numa rede de interdependências, em que todas as criaturas fazem parte da grande teia da vida que mantém a harmonia entre todas as coisas. Para a verdadeira visão humanista: “todas as coisas estão unidas como o sangue que une uma família”. Essa visão de Mundo é sagrada e holística, sim, porém somente nesse caminho conseguiremos modificar o que aí está.

É preciso ter consciência de que:

“As experiências que decorrem da verdadeira visão humanista tendem a incentivar um grande respeito pelo Universo, baseado numa sensação de união, de integração, com todas as formas de vida. Ao entrar em harmonia, a pessoa tem muito mais poder disponível para ajudar os outros, porque a harmonia com o Universo é de onde vem o verdadeiro poder. Então, a pessoa terá muita chance de levar uma vida que privilegie o amor em lugar do ódio, e que promova a compreensão e o otimismo”.

A ciência da literatura

Livros- ciencia da literatura

Da mesma forma que o foco de análise da física é o universo e o foco de análise da biologia é a vida, o foco de análise da literatura consiste nos textos que foram escritos pelos seres humanos desde os tempos dos símbolos atribuídos a significados claros moldados por antigos artistas em paredes de cavernas. A escrita cuneiforme é tida como a primeira forma de escrita surgida verdadeiramente no mundo, e estima-se datar por volta de 3000 AC. De lá pra cá a civilização ocidental vem acumulando cada vez mais um repertório de símbolos que predispostos em pedras, papéis ou mídias eletrônicas têm contado a história de nossa civilização e das vidas de seres humanos vivendo aqui e ali ao longo dos tempos. A escrita é sem dúvida o principal método de transmissão cultural e de valores de nossa sociedade e a própria Bíblia é um dos principais textos estudados em literatura, justamente por guardar em si um conjunto de valores morais que vêm sendo (bem ou mal) aplicados em nossa sociedade ao longo dos últimos 2 milênios. Textos da Grécia antiga e os dramas de Shakespeare também estão entre as obras mais estudadas pelos literatos.

Da mesma forma, portanto, que o físico está interessado no universo e que o biólogo se interessa pela vida, o literato interessa-se pelos escritos. Da mesma forma que o físico procura regularidades que possam ser observadas no universo, o biólogo procura regularidades presentes na vida e o literato procura regularidades em textos históricos. O objeto de estudo das três ciências é diferente, assim como são as metodologias de trabalho. Também a literatura, como a biologia, é um sistema complexo derivado diretamente da forma como os seres humanos com seus cérebros humanos conseguem conceitualizar o mundo e o representar em forma de símbolos encadeados em busca de significado. A ciência da literatura, entretanto, não pode e não deve se separar de outras ciências que a rodeiam, como a linguística, a filosofia e até mesmo a psicologia. O literato utiliza regularidades observadas por outros artífices das ciências humanas e emprega tais regularidades pré-dispostas à análise textual.

Os seres humanos, desde o surgimento dos alfabetos, têm escrito de forma livre, ou da forma que lhes parecesse mais natural. Com o tempo surgiram esses curiosos por regularidades dos textos escritos, cientistas cuja curiosidade não está na natureza ou no universo, porém no homem e em suas representações simbólicas. Estes curiosos quiseram então estudar como as pessoas escreviam e têm escrito ao longo dos séculos, desde que a escrita foi inventada, eles tentaram e conseguiram descobrir alguns padrões conservados em textos que vão desde o aparecimento do alfabeto até os dias de hoje. Esses padrões se repetem e podem ser caracterizados se estudados com detalhes e dedicação. O estudo de tais padrões existentes em textos é normalmente chamado de “crítica literária,” mas acredito que deva ser preferencialmente chamado de ciência literária, tal como o estudo das leis no universo é chamado de ciência exata e o estudo da vida na Terra é chamado de ciência biológica. A metodologia de grande parte dos literatos é sim científica, mas como já argumentado o objeto de estudo é diferente e exige, portanto, métodos diversos de análise. E da mesma forma que a biologia se dividiu em genética, bioquímica, ecologia, zoologia, botânica… também a crítica literária se dividiu em modernista, pós-modernista, estruturalista, crítica feminina, marxista gay, pós-colonial, psicanalítica, etc. Vários escritos clássicos e modernos de nossa história literária podem ser caracterizados e relidos tendo tais regularidades como fio condutor, esses padrões regulares observados nos textos permitem aos cientistas classificá-los e entendê-los de forma genérica e tão precisa quanto possível.

A crítica literária é tão ciência quanto ela pode ser: ela é curiosa e séria, ela busca, estuda, encontra padrões e os descreve com precisão e rigor.

Além disso, os mesmos programas de computador que são hoje utilizados nos estudos de biologia podem também ser aplicados ao estudo da literatura, sendo ambas ciências onde a complexidade é eminente e jamais pode ser descartada. Programas de inteligência artificial têm sido produzidos e podem ser treinados para reconhecer padrões em textos de determinados autores. Tais padrões podem ser utilizados, por exemplo, para verificar se um determinado texto não assinado deve ser mesmo de um autor clássico que se imagine.

Toda a história cultural do homem pode ser hoje reconstruída através da ciência literária, tentando também fazer viajar o leitor no tempo e compreender as situações da forma como as pessoas da época as entendiam.

A Certeza

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Prólogo


Histórias não se contam duas vezes, porque as pessoas que as contam estão sempre inventando, e as melhores histórias são aquelas cujo final é uma surpresa. Pelo menos, lembrava Thales Queiroz, era o que a sua mãe dizia quando ele era criança. Thales lembrava-se da maneira como sua mãe se sentava na beira da cama ao seu lado, com um sorriso na boca pequena e os dentes muito brancos quando ele implorava por uma história.

— Que tipo de história você quer? – perguntava sua mãe.

— A melhor de todas – respondia Thales.

Geralmente, a mãe dele ficava sentada por alguns minutos em silêncio, e seus olhos se perdiam no vazio, para logo a seguir voltar a sorrir com os olhos iluminados . Ela passava a mão nos cabelos de Thales e, com um tom suave, começava a contar alguma história que frequentemente deixava Thales acordado por um bom tempo, mesmo depois que sua mãe tivesse chegado tarde da faculdade onde dava aulas. Sempre havia aventura, perigos, emoção e jornadas que aconteciam num mundo imaginário e diferente da realidade. Eram lugares onde Thales Queiroz se via como o herói da história. Sua mãe não era muito apegada à realidade. Ela gostava de fantasiar e se concentrava em cenas com aventuras alucinadas pelos mundos além da Terra, fazendo com que Thales sonhasse viajar por muitos lugares diferentes, mesmo que fosse no mundo real.  Apesar do quanto as histórias podiam assustá-lo, ele sempre perguntava: “O que aconteceu depois?”.

Para Thales, aqueles dias pareciam ser os vestígios inocentes de outra era. Ele estava com 40 anos agora e, ao parar seu carro no estacionamento do hospital, onde sua mãe estava internada nos últimos dez dias, pensou novamente nas palavras que sempre predizia a mãe. “Algum dia teremos que nos separar para sempre”.

Ao descer do carro, apanhou as flores que trouxera. Na última vez que falara com a mãe, havia discutido muito, o que gerou seu afastamento por muito tempo e, acima de tudo, ele queria se desculpar e fazer as pazes. Ele sabia que a mãe o receberia com amor, como sempre o fazia, apesar do jeito explosivo dele. As flores melhorariam as coisas e a fariam chorar, mas não estava certo se a relação entre eles poderia ser consertada.  Não é necessário dizer que ele se sentia culpado pelo que havia acontecido. Os amigos de outrora voltaram a se encontrar com ele, garantiram-lhe que o pedido de desculpas era a pedra fundamental de qualquer relação cortada. Significava que havia uma consciência trabalhando, demonstravam bons valores impregnados nele, e o melhor a fazer era evitar quaisquer razões para relembrar a angústia vivida pela mãe com seu desaparecimento da vida dela.  Às vezes, seus amigos admitiam fraquezas em tratarem com suas mães, e Thales percebeu que o mesmo poderia ser dito sobre qualquer relação entre mãe e filho adulto que ele já conhecera. Supunha que seus amigos haviam dito aquilo para fazer com que se sentisse melhor, para lembrar-lhe de que ninguém é perfeito, de que ele não devia ser tão duro consigo mesmo. “Todos cometem erros”, diziam eles, e, embora ele concordasse, sabia que eles nunca entenderiam a situação pela qual estava passando. Eles não teriam condições de fazer isso. Afinal de contas, eles sempre conviveram com suas mães, mesmo depois de casados e levavam seus filhos para ver a avó; nenhum daqueles amigos havia se afastado por tanto tempo como ele, nenhum deles se perguntava se o seu relacionamento com a mãe algum dia voltaria a ser como antes.

Ao parar o carro no estacionamento, pensou nas duas filhas, principalmente na mais velha, que também havia sido abandonada, na esposa e no seu emprego atual. No momento, nada lhe reconfortava. Sentia como se estivesse fracassado em praticamente todas as áreas da sua vida. Ultimamente, a felicidade parecia tão distante e inalcançável para ele quanto uma das viagens a um planeta inventado pela mãe nas suas histórias da infância. Mas nem sempre se sentiu assim. Houve um longo tempo durante o qual se lembrava de ter sido muito feliz. Sua consciência não o culpava de nada. Mas as coisas mudam. As pessoas mudam. Ele mudara. A mudança é uma das leis inevitáveis da natureza, cobrando tributos sobre a vida das pessoas. Comete-se erros, arrependimentos surgem, a certeza desaparece e tudo o que havia sobrado eram repercussões que tornavam algo tão simples como o acordar pela manhã transformar-se num suplício.

Balançou a cabeça, espantando aqueles pensamentos. Ele se aproximou da porta do hospital, imaginando-se como a criança de outrora, ouvindo as histórias da mãe.  Depois a faculdade, os amigos, as vitórias na sua carreira. Sua própria vida havia sido a melhor de todas as histórias, pensava. O tipo de história que deveria ter acabado com um final feliz. Ao estender a mão para abrir a porta, sentiu a onda familiar de memórias e arrependimentos.

Somente mais tarde, depois de deixar as memórias tomarem conta de si mais uma vez, é que ele se permitiria imaginar o que aconteceria a seguir.

Agradecimentos

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O tempo muda as pessoas tal qual o diamante é lapidado

Acho difícil escrever agradecimentos pela simples razão de que fui abençoada com a estabilidade econômica quando passei a escrever, o que sempre foi o sonho da minha vida. Quando penso nos meus primeiros romances e os releio vejo que meu trabalho hoje já está mais apurado e amadurecido. Eu não somente li e leio inúmeros autores, como estou sempre fazendo cursos no intuito de melhorar cada vez mais a minha escrita. Além de ser maravilhoso, me faz sentir como se o existir seja uma benção e estou sempre procurando  um  recorde  a  ser quebrado  sobre o trabalho anterior. Mesmo assim, cada autor lido e cada professor do criar literário merecem a minha gratidão.

Claro, preciso como sempre, agradecer a Paulo Roberto, meu esposo. Somos casados há vinte e oito anos e temos uma bela vida juntos, com quatro filhos adultos e casados, dez livros publicados. Tem sido como um redemoinho desde o começo, e não consigo imaginar ter todas essas experiências com qualquer outra pessoa que não o meu marido ao meu lado. Ele, com sua paciência, fez a primeira revisão de todos os meus textos.

Agradeço, em especial, aos meus leitores que sempre estão me acompanhando e dando ideias de novos romances.

A cada um de vocês deixo o meu abraço mais carinhoso.

Silvia R. Pellegrino

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Destacado

É bom estar no site

caridade amor em acao

Estou me sentindo feliz e estar em contato com todos vocês, novamente. Enviava meus contos, crônicas e artigos através do velho blog, mas, sentia falta do contato com outras tantas pessoas que me acompanhavam por este site.

Teremos muitas novidades para os próximos dias.

Vou postar novos contos e crônicas sobre o cotidiano e tenho certeza de que vou agradar muitos dos leitores que gostam da minha escrita.

Um grande abraço a todos que me acompanham.