Sonhos de escritor

o voo da aguia

 

Calma e quietude. Solidão diante da máquina. A inspiração demora. Nada escrito. Olhos que se voltam de um lado para outro em busca da continuidade. O livro parece adormecer. Os pensamentos pairam no ar. Através dos pensamentos parece que a mente está vazia, mas o poder fantástico da imaginação conduz os dedos no teclado. Viaja a uma aventura quase delirante.

Imagens pululam. O escrever é inevitável. Alguma recordação ainda que breve chega ao cérebro. Teclar é preciso. Deixa a personagem acordar e ficar presente. O momento prestes a se perder retorna ao ponto da exaustão. Reflexão sobre a infância, tão familiares que se introduzem nos acontecimentos da trama. Situações marcantes da vida, de decepções e de frustrações recentes, de arrependimentos dentre uma imensidão de reflexões, emergem como numa enxurrada avassaladora e tomam conta do ser. Os planos e projetos futuros com suas incertezas e possibilidades num momento otimista também fazem parte do turbilhão de pensamentos. A obra se impõe.

Até que não mais se apercebe nitidamente. Apenas os dedos teclam num ritmo alucinante. Seu senso de alerta é engolfado pela personagem deslizando para a tela do computador. A história se recobra. Com ela os intrigantes sonhos são registrados, horizontes descobertos. A personalidade traz algumas de suas manifestações sombrias e enigmáticas.

Em meio a essa loucura: um despertar. O sonho gera inspiração, se torna obsessão, o despertar, para quem prefere ser escritor, é um alívio. Se não houvesse sequer recordação de momentos, então o despertar é estranho: tudo pode voltar ao começo. A dificuldade invade novamente e a cena se desconstrói. Ou não: apenas um breve momento até chegar ao ponto. Pode durar somente o instante de olhar a hora e voltar ao estado vesano.

Geralmente nesse estágio, as horas se tornam criança. O tempo se esvai sem pios, enquanto avança no drama. Se houver sucesso, então o aprazível descanso restaurador e salutar agracia o autor a espera de um novo momento extasiado de dor e amor.

A Terra é Azul – Terceiro Capítulo

  1. Filho de Rogério

 

capa-do-livro-A-Terra-e-azul

— Engraçado como imaginamos coisas impossíveis, pensou. Há alguns anos atrás teve um relacionamento com um homem casado e ficou grávida dele. Quando lhe falou sobre o bebê ele entrou em pânico, dizendo que tinha sua família e que não desejava um filho fora do casamento. Olhou-o como se olha um monstro. Continuou a vida normalmente. Não tiraria seu filho!

Quando ele soube da decisão, começou a pressioná-la para tirar a criança. Aquilo se tornou um pesadelo. Não conseguia mais trabalhar com aquele homem ligando a todo tempo, pedindo que fosse ao médico e solicitasse o aborto.

Decidiu que iria fazer o que ele queria. Procurou um médico de confiança. Explicou detalhadamente o caso e pediu que encenasse todo o processo. O ex-namorado, agora “novamente bem casado”, foi junto no dia em que ocorreria o procedimento. O médico fez com que ele ficasse na sala de espera. Uma hora após dormir dentro de um pequeno quarto escuro, com janelas todas trancadas, saiu. Ainda sentia a tontura. Fora sedada. Mas sentiu seu bebê preservado dentro do útero.

Muitas vezes ele tentou retomar o relacionamento, mas ela não aceitou. Aquela atitude havia quebrado o encanto. Ele a observava desconfiado, quando vez ou outra se encontravam pelo caminho do trabalho. Engordou apenas seis quilos e usava roupas folgadas, que condiziam com a moda da época.

— O que aconteceu? – ouviu a pergunta. Não era nenhum sonho. Rogério adentrou ao quarto, um quarto vulgar, bastante acanhado, ali estava, como de costume, entre as quatro paredes que lhe eram familiares. Por sobre a cama, onde estava deitada desnuda, alimentava o filho no seio. A face se fez lívida, enquanto ela cobria-se com o lençol do quarto em completa desordem. Uma série de roupas infantis ainda esticadas na cama.

Rogério era fiscal da Receita Federal. Estava retornando de uma de suas viagens e resolveu procurá-la. Renata deixou a criança, já satisfeita, sobre a cama desarrumada e lentamente pôs-se a pendurar cada peça de roupa num velho armário com portas que não fechavam. Enquanto as portas teimavam em abrir, Rogério olhava, enfurecido, a criança que dormia placidamente, sobre os lençóis amarfanhados.

Recentemente alguém lhe mostrara um recorte de uma revista, onde ilustrava a foto de Renata com uma criança ao colo. Um garoto de rua havia tentado roubar-lhe a bolsa e fortuitamente fora flagrada e dera ensejo à matéria.

Ouviam-se os pingos de chuva baterem na calha da janela e isso o fez sentir-se bastante melancólico. Em épocas anteriores era sua foto colocada numa bonita moldura dourada sobre a cômoda antiga. Mostrava um homem bem posto a sorrir. Mas quem sorria agora era aquele garotinho deitado e ausente de toda dor que lhe calcava o peito.

Rogério desviou então a visão para a janela e deu com o céu nublado. – Não seria melhor rodar nos calcanhares e esquecer todo aquele delírio? – cogitou. Mas era impossível, estava envolvido na presente situação, não podia virar-se e ir embora tão somente.

Por mais que se esforçasse por aceitar o fato e toma-lo como resolvido, continuava a debater-se entre culpa e ira. Inclinou o corpo para a direita, tentando esconder da visão o garoto deitado. Tentou, pelo menos, cem vezes, fechando os olhos, para evitar ver a cama, onde se deitaram ele e Renata e ali fizeram o menino. Lembrava as pernas longas e torneadas envolverem seu corpo. Só desistiu quando começou a sentir no flanco uma ligeira dor entorpecida que nunca antes experimentara.

Oh, meu Deus, pensou, que situação tão aterradora escolhi! Viajar, a negócios, mês sim, mês não, lhe fora propício. Era um trabalho muito mais irritante e cansativo do que o trabalho do escritório propriamente dito, e ainda por cima havia o desconforto de andar sempre a visitar empresas, onde gerentes tentavam enganá-lo; preocupado com as conexões corriqueiras

dos aviões; com a cama e com as refeições irregulares; com conhecimentos casuais, que são sempre novos e nunca se tornam amigos íntimos.

— Diabos tirem tudo isto da minha mente! Sentiu uma leve comichão nas costas; arrastou-se lentamente para a cadeira vazia, mas seus olhos se voltaram para cima da cama. Não conseguia mexer um músculo. Estava estático diante do fato consumado. Identificou o local da comichão, que estava rodeado de uma série de pequenas bolhas, cuja natureza não compreendeu no momento e fez menção de coçar. Depois, lembrou-se da alergia em momentos de angústia e imediatamente sentiu-se percorrido por um arrepio gelado.

 

O AMOR FAZ MILAGRES

O amor faz milagres

Estudiosos e médicos afirmaram que uma atitude psicológica positiva auxilia e melhora a recuperação dos problemas físicos no ser humano. É importante expressar o amor aos seres que caminham conosco. O espelho desse amor os atinge e eles também expressam e entendam o amor. O amor é a força propulsora da vida humana.

Claro que o amor deve ser livre, sem correntes, apenas doação. O amor deve ser uma condição de nosso livre arbítrio. Somente assim ele terá seu verdadeiro significativo. É a expressão de nossa essência. Por isto o amor é o diamante lapidado que brilha de inúmeras formas, curando inclusive os males físicos.

Esqueçamos as reclamações sobre os mesmos e velhos problemas, dos antigos costumes, das eternas manias. Coloquemos  em prática o maior dos exercícios, que é o Amor. Certamente exemplificando às pessoas que amamos ou que passam pela nossa vida a fazerem coisas novas, a mudarem hábitos, com a certeza de que são amados, os resultados serão o espelho  de nosso comportamento. Incentivemos a todos que escutem sua intuição e perceba quão importante é amar e ser amado. Essa é a missão do ser humano neste mundo. Cada ser que passa pela nossa vida são nossos professores e, por vezes, nos ensinam lições difíceis de serem compreendidas, mas temos que buscar o amor que existe no espírito daquela pessoa e encontrar a fagulha divina que existente dentro de todos nós.

Precisamos ter certeza de que somos amados. Dê o nome que quiser: anjo, protetor, mentor. O importante é sabermos que sempre temos a companhia invisível de alguém que assinou uma promissória de que nos acompanharia até o final desta estadia na Terra. Este ser espiritual e outros tantos amigos etéreos nos acompanham com o máximo amor e desejam que possamos cumprir nossa missão de amor nesta caminhada. Sentir que somos amados nos ajuda a encontrar forças para mudar nossas vidas e iniciar uma reforma íntima. Como a Lei de Ação e Reação também é comprovada, devemos amar, demonstrando em palavras e em atitudes, para que o outro também possa sentir quão maravilhoso é mudar, crescer e evoluir.

Criamos mitos para nós mesmos, e tudo parece desequilibrar quando nos perdemos ou saímos do caminho. Neste momento, aguçando nossa intuição vamos encontrar alguém que nos ajude, com amabilidade. Se escutarmos nosso “eu interior” encontraremos a resposta, pois Deus sempre está com e dentro de nós. Muitos são os fatores que ajudam a nos retirar do caminho que nos propusemos antes de adentrarmos ao útero materno, mas reencontrando nossa força interior com auxílio de nossos professores terrestres, intuídos por nossos amigos espirituais, voltamos ao caminho do amor e a paz interior volta a reinar.

Basta encontrar a melhor maneira de expressar esse amor. Quando percebermos essa ajuda nossos medos, angústias e problemas de saúde se transformarão, pois entenderemos as mensagens de nosso corpo, as inspirações mentais e a consciência do nosso próprio ser. Ninguém é perfeito, mas não significa que devemos viver com culpas. Devemos aprender a perdoar a nós mesmos, as nossas imperfeições e assim também perdoar ao próximo como o fizemos conosco. É importante lembrar que estamos todos no caminho da evolução, portanto, quando nos sentirmos depressivos ou apreensivos, nada melhor que pedir ajuda ao nosso “eu interior” ou a um ser querido. Uma palavra, um carinho, um gesto de amor poderá nos salvar de nossas tristezas e daí perceberemos que existe sempre a ajuda nesta dimensão e em outras de seres que nos amam e estão sempre prontos para nos ajudar. Desta forma se cria um processo de vital importância para a abertura ao amor. O amor só é autêntico quando passa por uma experiência viva, e se não for autêntico, não será convincente.

Para iniciar todo um novo processo de reforma interior, é necessário entender que somos mortais e que é necessário aproveitar a vida no presente, procurando sentir-se realizado e completo, principalmente por ter amado com plenitude, pois só assim seguiremos amando continuamente, e é um processo sem fim.

A Terra é Azul – 2. Capítulo

  1. Yuri Gagarin

YURI-AGARIN

Ao se aperceber naquele ambiente fantástico, completamente fora de seu raciocínio científico, lembranças borbulhavam em seu cérebro, numa fugidia esperança de estar sonhando.

Quando era muito pequena formulava pequenos versos e os espalhava pela casa, onde o pai ou a mãe pudessem acha-los. Deram-lhe livros de Monteiro Lobato para ler. Gostou, porém não eram daquelas histórias que gostaria de falar. Olhava os céus e se imaginava voando pelas estrelas, onde encontrava mundos diferentes. Seres diferentes, com linguagens diferentes, mesmo não conseguindo captar-lhes o significado. Ficava feliz nesses espaços. Era como se fizesse parte do Universo.

Ao ler numa revista a viagem de Yuri Gagarin ao espaço, teve um acesso de choro, misturado com alegria. Parou sobre as frases pronunciadas por aquele homem: “A Terra é azul”. Lembrava-se nitidamente que foi naquele 12 de abril de 1961, que Yuri Gagarin tornou-se o primeiro homem no espaço a completar uma órbita terrestre e anunciado ao mundo a cor do Planeta.

Colou a reportagem em seu diário, com a figura de Yuri Gagarin: “O cosmonauta da ex-União Soviética, Yuri Gagarin, ficaria conhecido mundialmente como o primeiro homem a viajar no espaço.

A partir do Cosmódromo de Baikonur, no Casaquistão, a nave Vostok 1 decolou para o seu primeiro e único voo espacial e pouco depois da decolagem, a 327 quilômetros de altura, Yuri Gagarin, via rádio, revelava a todos os seres humanos a cor do Planeta: ”A Terra é azul!”.

Foi a exclamação do primeiro homem a ver o nosso planeta do espaço. Um pequeno voo de 108 minutos, o suficiente para que Gagarin se tornasse, aos 27 anos, herói nacional e, mais tarde (após a Guerra Fria), uma figura internacional. “Foi só uma órbita, mas foi o primeiro passo”, chegou a dizer, e tinha razão, porque a caminhada não mais parou e estava aberta a corrida ao espaço. Foram os 108 minutos que mudaram o Mundo.”

Passou a admirar aquele homem durante toda a vida. A mãe não entendeu a reação. Por que uma garota de dez anos chora por uma descoberta, apesar de importante para a humanidade, tão longe da realidade em que viviam?

A garota passou a viver em transe e procurava tudo que pudesse ser escrito sobre ele e sobre o espaço. Recortou reportagens, fez colagens, escreveu suas emoções e o que pensava sobre a descoberta para o mundo. Seu corpo tremia, como se já tivesse vivido uma experiência semelhante. Pensou em seus devaneios sobre outros mundos e já se imaginava viajando pelo espaço. Era isso que faria quando crescesse.

Apresentou certa vez um trabalho escolar sobre todas as viagens fora da Terra que os astronautas já tinham feito. Chegou até a falar com o professor de português que tinha certeza de que um dia encontraria um novo mundo e todos os humanos poderiam viver nele, em paz. O professor achou graça da capacidade de imaginação daquela adolescente.

— Você deveria ser escritora. Com essa imaginação tenho como certo que

alcançará sucesso. Exercite os ensinamentos sobre literatura que tivemos nestes últimos meses. Você tem o dom da escrita.

Ela olhou o professor Marenda e ficou agradecida pelos elogios. Cecília já o admirava, mas naquele momento ele conseguiu erguer sua autoestima. Sentia-se um tanto deslocada entre os colegas. Todos a chamavam de gordinha numa época em que Mary Quant criou a minissaia, um símbolo que iria acompanhar a juventude rebelde dos anos 60, da qual fazia parte. Era a data da tesourada que a estilista um dia deu no vestido da famosa manequim Twiggy, provocando um impacto tão grandioso, chocando os padrões da época e mudando completamente a visão e a conduta da juventude.

Nessa história ela ficou de fora. Enquanto Twiggy lançava a modelo magérrima e com os cabelos curtos e lisos, ela era gordinha e tinha os cabelos mais crespos do mundo.

Receber um elogio, mesmo que ao seu intelecto, diante de toda a classe, foi a glória para Cecília.

Porém, quando o professor começou a ler um poema, ela ficou aterrada. Seu rosto gorducho de maçãs vermelhas foram ficando roxas, pois percebeu que todos iriam saber que aquele era o “seu poema”.

Na verdade nele estava implícito sua paixonite por um novo engenheiro recém-chegado na cidade e a quem ela dedicara o poema. Ele tinha 26 e ela 14 anos.

Seu poema era uma declaração de amor!

OUTRO LIVRO RECOMEÇADO

capa-do-livro-A-Terra-e-azul

1. A gruta azul

 

Lentamente abriu os olhos, como saindo de um poço sem fim. Deparou-se com a beleza esplendorosa do planeta. A vegetação luxuriante emitia brilhos diversos, como a querer se comunicar com ela. Aquele local tinha mais vida do que já vira antes.

Parecia um exótico santuário, com possibilidades infindas de exploração. A emocionante impressão que a natureza lhe causava era muito maior do que seus mais inimagináveis sonhos. Fora uma idealização interna de um mundo em conservação, que buscara há décadas em seu imaginário. Havia um odor perfumado no ar, suavidade ao respirar, a floresta de um verde profundo e saudável.

Talvez estivesse sonhando realmente. Ou seria uma nova categoria de área protegida, oferecendo espécies selvagens que passavam por ela e não a atacavam. Mantinham seu espaço. Eram comunidades inteiras que saltitavam, outras caminhavam com a elegância angulada no andar, tal qual tigres em busca dos meios de subsistência digna, posto que seu cheiro humano não os atiçava . Parecia uma nação a caminho de uma nova era ecológica.

Um beco sem saída para sua mente perplexa. De repente uma mudança climática. Os bichos se assustaram e começaram a correr à procura de abrigo. Desabou um temporal. Era uma chuva límpida que adentrava a terra macia, agora sentida no apalpar.

O ecossistema era constituído de uma vegetação em formato de renda tramada sobre o solo, de onde brotavam árvores e arbustos cobertos de variadas espécimes de flores. Era tal a diversidade que não conseguia defini-la. O odor achocolatado da terra úmida subia, beneficiando-lhe os pulmões.

Andou alguns metros. Não sabia quanto havia percorrido. Avistou ao longe algumas terras florestais ilhadas entre lagos azulados. Um azul profundo, quase cobalto. No lado mais distante da sua participação erguiam-se montanhas majestosas, onde pássaros de beleza estranha sobrevoavam. Suas penas intensamente coloridas compactuavam com o cenário todo.

Em pouco tempo sentiu necessidade de pertencer àquela terra e viver na floresta. Consumida pelo desejo intenso, criava-lhe no íntimo um efeito cascata de amor pela paisagem e por todas aquelas espécies selvagens. Na verdade a população do local agora era semelhante a tigres, cães selvagens, leopardos, ursos, porcos selvagens, criaturas de todos os tipos. Seres de formatos singulares, moradores daquela floresta, que retornavam de seus esconderijos e corriam quais crianças, aproveitando o odor delicioso que pairava no ar, enquanto brincavam à beira dos lagos. Estranhamente não se agrediam. Era uma população pacífica. Imaginou que breve acordaria daquele sonho que a enviara a um plano onde tudo se transformara em beleza e cores na terra e no status da floresta.

De repente deparou-se com um ser vestido com uma longa túnica azulada, que emitia faíscas similares as da floresta. Seu aspecto facial era humano. Olhou-a com imensos olhos azuis. Dobrou a cabeça para a direita e para a esquerda, num movimento de expectação. Seus olhos encontraram os dela. Como hipnotizada ouviu aquele ser sussurrar, sem mexer os lábios:

Encontrou, afinal. Tua busca se deu, enfim. Muito mais conhecerás nesta tua terra.

Cecília ouviu aquelas palavras como se elas estivessem sendo pronunciadas dentro de seu cérebro.

Procura os outros e os encontrarás. Tua é a terra.

Ela tentou levantar-se, porque agora estava deitada sobre a relva rendada e macia, numa pequena clareira, de onde podia receber os mornos raios solares. Viu que o ser flutuava vagorosamente, por detrás dos arbustos, como se fosse esvanecer-se no ar.

Quem é você?! Gritou Cecília, a pleno pulmão, numa busca de entendimento que lhe escapava totalmente da realidade.

Como se saísse de um sono profundo as lembranças começaram a materializar-se. Estouravam-lhe bolhas no cérebro, com imagens diversas. Andava por diversos lugares, divagava de forma febril. Agora estava diante de uma gruta azulada, onde divisava alguns seres em canoas, outros nadando. Era uma imagem muito forte da gruta, porém não conseguia definir o tipo físico daqueles que por ali transitavam.