A ficção fantástica é um sonho planejado

pintura

Estava lendo alguns autores premiados e com uma vida de escritor bastante ativa se pronunciarem sobre a criação de mundos fictícios. Assisti nesses dias atrás o filme Elysium. Dias depois assisti Gravidade, que ganhou várias estatuetas do Oscar.  Li Harry Potter e vários outros livros do gênero. Amei assistir Avatar. Fiz tudo com bastante interesse e depois fiquei pensando se aquilo traria algo de novo ao ser humano em termos de evolução. É sempre fácil olhar as grandes produções cinematográficas e pensar na imaginação fértil de seus roteiristas, ou ler grandes best-sellers e ver o que foi feito em comum neles, desvendando possíveis fórmulas para o sucesso. Mas a maior dúvida está em como aplicar essas regras em uma nova história sem cometer erros de autora iniciante, apesar de estudiosa.

Escrever um livro de ficção fantástica é uma tarefa para escritores hábeis, inteligentes e muito criativos. Já li opiniões de diversos autores, extremamente habilidosos em seus estilos literários, que jamais se arriscariam na fantasia pelo simples motivo de que escrever em um mundo diferente do nosso requer uma abstração criativa próxima à genialidade.

Na ficção fantástica existem regras diferentes. O autor deve pensar em todos os detalhes para criar uma experiência única dentro de um universo de ideias que convença o leitor sobre aquela realidade. Dá para conseguir isso sem estudo da própria ficção científica? Não! Esta é a resposta. O autor precisa pesquisar sobre o assunto que vai abordar. Em Avatar, por exemplo, o autor criou um mundo totalmente diverso do nosso, com regras e cultura específicas, formas físicas diversas, enfim, para quem assistiu ao filme sabe do que estou falando.

Assim num mundo fantástico o leitor precisa ser levado pelo autor a acreditar naquilo, como se fosse realmente possível viver em um lugar diferente, fazer experiências ainda impossíveis no meio em que vivemos. Quem nunca se imaginou lançando um feitiço de Harry Potter, lutando com um sabre de luz como em Star Wars, vestindo a armadura de uma das constelações do zodíaco ou sendo transformado em Robocop? Nossa imaginação só chega a esse ponto porque J.K. Rowling, George Lucas, Masami Kurumada e os autores Edward Neumeier e Michael Miner foram geniais em suas criações. Eles deram azo a nossa imaginação e nos submetemos às regras aplicadas a esses ambientes fantásticos. Assim fica fácil pilotar um Millennium Falcon ou levitar no Cosmos como Sandra Bullock e ainda conseguir pilotar uma nave chinesa.

O mercado literário recheado de escritores com essa imaginação. Vários livros de fantasia são publicados. Porém muitos deles acabam errando na hora de transcrever essas ideias ficcionais fantásticas para o papel e uma excelente ideia acaba desperdiçada em um texto ruim. Por que isso acontece?

Começa pelo medo de o leitor não se situar no ambiente apresentado e dispensar o livro nas primeiras páginas. O autor sabe que precisa pescar seu leitor nas vinte primeiras páginas, se quiser ser lido até o final.  Alguns iniciantes tentam explicar tudo nas primeiras páginas do livro. Quem está lendo aprende sobre os costumes, as vestimentas, as leis, a moeda, a magia, uma guerra no passado que explica porque o rei se transformou num vingador. Assim a maioria dos leitores não passam das famosas primeiras páginas do livro. A chance de um livro como esse ser largado antes mesmo de a história começar a se desenvolver é enorme. Eu mesma abandonei leituras muito descritivas e cansativas no começo.

O mundo fantástico que o autor propõe tem que ganhar o leitor pouco a pouco. É como se projetar no infinito, navegar entre as estrelas. Ele precisa olhar o céu e apreciar a paisagem e lentamente se transportar para um ambiente exótico, criado pelo autor.

Outro erro é esquecer-se de dar asas à imaginação do leitor. Nesse mundo de ideias diversas da realidade tem coisas diferentes, mas nem tudo precisa ser minuciosamente detalhado. O leitor vai sentir que o autor subestimou sua inteligência. Claro que numa situação além da realidade existente tem algo de especial no enredo. Isso deve ser escrito a cada capítulo, pingando ponto a ponto. Deixe seu leitor imaginar algumas coisas. O autor deve descrever em detalhes aquilo que é importante para a história e que seja uma abstração para o entendimento do leitor.

Apresente novos lugares, novas culturas e situações inusitadas, enquanto o leitor viaja na sua história. Não se repita nem caia na mesmice. Somente se desejar que seu livro seja totalmente esquecido e não acrescente nada ao leitor. Como li num texto outro dia, seus livros tem que continuar fornecendo ideias, fomentando sonhos. E só você pode fazer isso, da primeira até a última página.

Bem, a teoria está aí posta. O sonho de escrever ficção fantástica continua.

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