Brasil, um país a ser reconstruído com dignidade

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O Brasil parece estar sendo reconstruído. O Poder Judiciário resolveu começar a limpeza. É impressionante como tantas velhas reflexões permanecem atuais. O país do século passado ainda é perfeitamente válido para muitos aspectos da nossa realidade, principalmente a política. Porém, ao que tudo indica essas máximas estão a beira da derrocada.
As reações impatrióticas e as paixões pessoais momentâneas de nossos homens públicos prevalecem à legislação e à jurisdição. Os homens públicos não emitem opiniões construtivas (com raríssimas exceções), continuam no sentido de desatinar o brasileiro da mais íntegra conduta. Os decretos pessoais vêm antes das necessidades comuns e não se refreiam as pretensões particulares. Parece sempre a nós, comuns do povo, que os governos nasceram para satisfazer as necessidades e as paixões particulares. Só raras vezes a coisa pública representa a força ativa do dever e seu cumprimento.
Ao pensador atual impende que a gênese da falta de integridade entre aqueles que se investiram, ou ainda, que nós investimos de poderes de representação esbarra na mentalidade cultural desta nação. Como construir um projeto coletivo de um povo, se inexiste uma tentativa de conjunção das chamadas forças vivas em torno de pontos mínimos de interesse comunitário? De que adiantaram tantos movimentos coletivos se o atingimento do verdadeiro objetivo se esgarça cada vez mais?
Parece, a nosso ver, que os “barões” insertos em “Raízes do Brasil” de Sérgio Buarque de Holanda, estão prestes a saírem de cena.
O último noticiário das prisões de dois deles no dia de ontem (17/11/2016) impele ano novo pensador clarificar que o Brasil colonial inculcado nas mentes dos “velhos barões” começa a ruir. Mesmo com a teima e o esperneio em manter os seus privilégios, em detrimento das instituições e da segurança nacional, o caminho foram as grades de Bangu.
Ora, o Brasil vive seu momento de crise, principalmente no campo econômico. Aliás, o país virou terra de ninguém, onde todos se sentiam com direito de fazer e desfazer. O dinheiro do povo foi dilapidado com compras de joias, sapatos e bolsas de marca, superficialidades que engrandecia egos e pisoteava direitos. O povo assistia embasbacado o total desprezo pela coisa pública.
O noticiário nos mostra cotidianamente o contexto que levou ao caos político e econômico do país e de seus estados e municípios. Mostra a distância abismal do meio social em que vivem os comuns e a aristocracia política. Pode-se afirmar com segurança que alguns segmentos não se deixarão levar pela tentação de se encolher diante da continuidade da autocracia, ou da cleptocracia, descarada e sem juízo. E o País como fica? O povo deve comer brioche? Quantas Marias loucas existem neste Brasil?
Você que está lendo esta crônica já percebeu que somente com atitude e cidadania se pode mudar o país. É agora ou nunca. Não há espaço para omissão. Ou como alguns, que se dizem cultos e anulam suas consciências. O civismo dos homens públicos que deviam proteger o direito do povo passou longe. O Brasil acordou e levantou-se do berço esplêndido. O gigante se ergueu e não deve mais deitar. Somente ações encetadas e movimentos organizados mudarão a economia e forçarão uma reforma política. Caso contrário os “barões” como raposas matreiras virão com golpes para voltarem a se deleitarem nos insanos almejos de privilégios, altos salários, regalias inúmeras somando altos custos para o Brasil. Qual deles se importa e nadar nos rios poluídos da ganância, em detrimento do povo brasileiro? Nosso País irá apodrecer se voltar na mesma toada.
Esta é uma reflexão muito séria, que deveria estar sendo feita neste momento pela sociedade brasileira. Esta geração precisa deixar um legado de honra para as gerações seguintes. Somente agindo com as nossas consciências de seres humanos íntegros, justos e probos, conseguiremos dar o exemplo aos nossos filhos e netos para a formação de um Brasil digno, cívico e patriota.

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